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Equipe da PF que protege Lula cita opositores radicalizados e pede apoio

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(FOLHAPRESS) – A equipe da Polícia Federal que cuida da segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ofício a superintendências regionais do órgão com uma lista do que chama de “adversidades” enfrentadas para a proteção do petista nesta eleição.

O grupo da PF cita na relação o “acesso a armas de letalidade ampliada decorrente das mudanças legais realizadas em 2019” entre os problemas a serem enfrentados ao longo da campanha eleitoral.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, é um pedido de apoio enviado às chefias de superintendências em estados por onde o candidato, líder nas pesquisas de intenção de voto, passou nos últimos dias.

“O contexto político e social no qual se realizará a operação de segurança é composto por, entre outras adversidades, opositores radicalizados e acesso a armas de letalidade ampliada decorrente das mudanças legais realizadas em 2019”, diz trecho do documento.

Trata-se de uma referência às normas editadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) que facilitaram o acesso a armamentos pela população.

Os delegados também abordam as “ameaças de morte ao candidato e representantes dos partidos, bem como a perpetração de atos de intimidação e violência, identificados antes do inicio da campanha, como o atentado ao ônibus da caravana ao ex-presidente Lula, alvejado em maio de 2018 na cidade de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul/PR”.

A segurança de Lula tem como responsáveis os delegados federais Andrei Augusto Passos Rodrigues, Rivaldo Venâncio e Alexsander Castro Oliveira. Rodrigues é o coordenador, Oliveira é o chefe operacional e Venâncio, o operacional substituto.

No ofício, a equipe de segurança afirma que se trata de um “cenário inédito” na história da democracia brasileira, o que “amplia o desafio” da operação.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a PF decidiu reforçar o esquema de proteção a candidatos neste ano diante do clima de tensão no país.

O órgão é responsável pela segurança de cada político que concorre ao cargo de presidente de República, com exceção de quem está no exercício do mandato, como Bolsonaro. Sua proteção fica a cargo do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Nas mudanças que foram feitas para este ano, a polícia criou indicadores para avaliar o risco de cada presidenciável e, assim, definir o tamanho da estrutura a ser dada a cada um. A PF classificou o nível de proteção a Lula como máximo, o único assim avaliado.

“A garantia de eleições livres pressupõe a manutenção da incolumidade física dos candidatos, sem a qual viciaria todo o processo eleitoral e consequentemente o regime democrático”, afirmam os delegados no ofício.

“Garantir a segurança e a proteção do candidato, especialmente sua vida, é, portanto, uma atividade de extrema relevância aos responsáveis e de relevo estratégico institucional, devendo ser objeto da mais acurada atenção, planejamento e execução.”

Pelas diretrizes internas, cada equipe de presidenciável tem um número de policiais disponíveis, que varia de acordo com o nível de risco avaliado -Lula tem o maior efetivo.

Para cada viagem, além de uma parte do grupo fixo, policiais das superintendências do órgão pelo país são alocados para reforçar a segurança na passagem do candidato pelo estado.

Todas as equipes têm como obrigação enviar ao setor responsável pela proteção dos candidatos um planejamento operacional do trabalho que será realizado até o fim da eleição.

O planejamento do grupo de Lula foi o único que, até agora, não foi aprovado pela direção da Polícia Federal. De acordo com pessoas envolvidas no processo, o plano foi apresentado com atraso e não preenchia todos os requisitos necessários. O documento foi devolvido para ajustes.

Para embasar o pedido de apoio às superintendências, os delegados da equipe de Lula citam sete episódios de violência que seriam relacionados à disputa eleitoral.

Entre eles, são citados o assassinato em 10 de julho de Marcelo de Arruda, militante do PT de Foz do Iguaçu (PR), por um apoiador de Bolsonaro; e o atentado com uma bomba caseira durante evento na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em 7 de julho.

Marcelo comemorava o aniversário de 50 anos com uma festa temática do PT quando o bolsonarista Jorge Guaranho passou de carro em frente ao local dizendo “Aqui é Bolsonaro” e “Lula ladrão”.

Após uma troca de ofensas, Jorge voltou ao local armado, invadiu o salão de festas e atirou em Marcelo. O petista, já ferido no chão, também baleou o bolsonarista.

A Polícia Civil paranaense concluiu a investigação sobre o assassinato, mas não classificou a morte como crime político.

Os delegados também elencam como “atos de violência e hostilidade” o cerco à comitiva do petista em Campinas em 5 de maio; o lançamento de dejetos por um drone contra apoiadores na cidade de Uberlândia em 16 de junho; um tumulto durante agenda no teatro da PUC em São Paulo, em 31 de maio; e o vazamento da agenda de Lula em Maceió em 20 de junho.

A polarização entre Lula e Bolsonaro tem preocupado integrantes do PT.

Um dia após a morte de Arruda, o partido enviou uma série de orientações de segurança aos apoiadores que participariam de um evento do petista em Brasília em 12 de julho.

O partido pedia, entre outros pontos, para que os militantes evitassem se expor a situações de risco, andassem em grupos e usassem uma camiseta neutra durante o trajeto para casa.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a direção da PF também decidiu acionar forças estaduais para reforçar os cuidados com a segurança de presidenciáveis na eleição.

A direção do órgão orientou suas 27 superintendências regionais a fazerem contato com as respectivas secretarias de Segurança nos estados para mobilizar esforços no processo.

No texto, a direção da PF afirmou que o “cenário atual evidencia a necessidade de somarmos esforços, haja vista o acirramento das relações entre correligionários dos principais candidatos e os incidentes já registrados na fase de pré-campanha eleitoral”.

Câmara do TCU condena Dallagnol, Janot e procurador a devolver dinheiro com diárias e passagens

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Do G1 – A Segunda Câmara do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta terça-feira (9) condenar o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, o ex-procurador Deltan Dallagnol e o procurador João Vicente Romão a ressarcir os cofres públicos por dinheiro gasto pela força-tarefa da Lava Jato com diárias e passagens.

Para Dantas e o subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, Lucas Furtado, houve irregularidades nos pagamentos das diárias e das passagens em razão do dano aos cofres públicos. O ressarcimento deverá ser de R$ 2,8 milhões.

O caso é apurado desde 2020 pelo tribunal, e o relatório do ministro Bruno Dantas foi aprovado nesta terça por 4 votos a zero. Outros sete procuradores foram inocentados.

Cabe recurso da decisão. Procurados pelo g1, Janot, Dallagnol e Romão informaram que vão recorrer.

A decisão da Câmara

Os ministros da Segunda Câmara concluíram que o modelo de força-tarefa adotado pela Lava Jato foi antieconômico, ou seja, causou prejuízo aos cofres públicos ao permitir o pagamento “desproporcional” e “irrestrito” de diárias, passagens e gratificações a procuradores.

Para os ministros, houve, ainda, ofensas ao princípio da impessoalidade, em razão da ausência de critérios técnicos que justificassem a escolha dos procuradores que integrariam a operação, além de o modelo ser benéfico e rentável aos participantes.

Veja, abaixo, as condenações:

Rodrigo Janot

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot foi condenado por ter autorizado a constituição da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Deltan Dallagnol

Deltan Dallagnol, ex-procurador — Foto: Danilo M. Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo

Deltan Dallagnol, ex-procurador — Foto: Danilo M. Yoshioka/Futura Press/Estadão Conteúdo

Ex-procurador e ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol foi condenado por ter participado da concepção do modelo escolhido pela força-tarefa e da escolha dos integrantes.

João Vicente Romão

João Vicente Beraldo Romão foi condenado por ter solicitado a formação da força-tarefa. Outros sete procuradores que atuaram na força-tarefa da Lava Jato em Curitiba disseram que receberam o dinheiro de boa-fé e foram inocentados porque os ministros aceitaram os argumentos deles.

Voto do relator

Bruno Dantas, ministro do TCU — Foto: Reprodução/Tribunal de Contas da União

Bruno Dantas, ministro do TCU — Foto: Reprodução/Tribunal de Contas da União

Relator do processo, o ministro Bruno Dantas disse que o modelo de força-tarefa instituído pela Lava Jato levou ao pagamento “desmedido” de diárias e sem a “devida fundamentação e análise de alternativas legais e mais econômicas”.

Dantas afirmou que sequer foram avaliadas opções que poderiam ser mais econômicas, como a escolha de procuradores que já atuassem em Curitiba ou a atuação na forma de Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O ministro disse, ainda, que o modelo de força tarefa é uma prática excepcional, que não deveria ter sido utilizado por sete anos, ocasionando prejuízo aos cofres públicos.

“As circunstâncias indicam uma atuação deliberada de saque aos cofres públicos para benefício privado”, argumentou o relator, que foi acompanhado pelos demais ministros da Segunda Câmara.

Área técnica recomendou arquivamento

A decisão desta terça-feira diverge do parecer da área técnica do tribunal, que concluiu que não houve irregularidades e recomendou o arquivamento do processo.

Os auditores do tribunal argumentam que a formação de grupos de força-tarefa era considerada, na época, o “melhor sistema para a persecução penal e combate à organizações criminosas” e que a “sua operacionalização seguia os ritos e regras vigentes à época”.

Disseram ainda que, qualquer que fosse a opção escolhida para viabilizar a operação Lava Jato, haveria custo.

O procurador Rodrigo Medeiros de Lima, representante do Ministério Público junto ao TCU no processo, acompanhou as conclusões da área técnica do TCU.

“A colaboração com a FTLJ [Força-Tarefa da Lava Jato] por meio de lotação provisória ou mediante deslocamentos temporários e o pagamento de diárias e passagens aéreas não decorreu de escolha dos membros do MPF [Ministério Público Federal] participantes, mas da conveniência do serviço e de eventuais impossibilidades normativa”, afirmou.

Lima também solicitou que o processo fosse julgado no plenário da Corte, pleito que não foi atendido pelo relator, ministro Bruno Dantas.

Recurso

Dallagnol, Janot e Romão podem apresentar dois tipos de recurso:

  • recurso de reconsideração: em que se pede a reavaliação do mérito da decisão;
  • embargos de declaração: que se se pede para esclarecer dúvidas sobre o significado da decisão.

Os dois recursos têm efeito suspensivo. Ou seja, se acolhidos, suspendem a aplicação das penalidades até que o plenário do TCU tome uma decisão.

Em nota, a assessoria de Deltan Dallagnol afirmou que há perseguição. “A decisão dos ministros desconsidera o parecer de 14 manifestações técnicas de 5 diferentes instituições […] que referendaram a atuação da Lava Jato e os pagamentos feitos. Tudo isso com o objetivo de perseguir o ex-procurador Deltan Dallagnol e enviar um claro recado a todos aqueles que lutam contra a corrupção e a impunidade de poderosos”, diz a nota.

Eleições

Procurada, a Secretaria de Comunicação do Tribunal de Contas da União informou que não cabe à Corte elaborar a relação das pessoas consideradas inelegíveis.

Dallagnol se filiou no ano passado ao Podemos. Integrantes do partido esperam que ele se candidate a deputado federal.

“Em ano eleitoral, o papel do TCU se restringe a enviar ao Tribunal Superior Eleitoral a lista de pessoas físicas que tiveram suas contas julgadas irregulares nos últimos oito anos que antecedem a eleição”, informou o TCU.

Ainda de acordo com o TCU, só entram na lista “aquelas pessoas que tiveram contas julgadas irregulares, de que não cabe mais recurso”.

“Cabe à Justiça Eleitoral, com base em critérios definidos em lei, declarar a inelegibilidade de tais pessoas”, acrescentou o órgão.

Com histórico de propor demissões, Fábio Dantas defende reforma administrativa. Ele também propõe que servidores se desloquem de uber

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Do Blog do Barreto – O ex-vice-governador Fábio Dantas (SD) propõe em seu plano de governo uma ampla reforma administrativa para reduzir o comprometimento das receitas com o funcionalismo público.

Em março de 2017, ao assumir o governo interinamente, Dantas assinou projeto de lei que pedia a Assembleia Legislativa autorização para demitir 14 mil servidores.

A ideia, em um contexto de salário atrasados, pegou mal e logo houve um recuo.

Outra ideia é trocar os aluguéis de carros no setor público pelo uso de uber e outros aplicativos de transporte para o deslocamento de servidores em serviço.

Michelle já é uma das principais operadoras de fake news da campanha Bolsonaro

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O papel de Michele Bolsonaro na campanha está muito claro – tentar virar o voto da mulher evangélica pobre da periferia que hoje está indo pra Lula. Ela sumiu na pandemia, se vacinou nos EUA escondida, recebeu cheques do Queiroz e foi citada nas negociações da vacina indiana covaxin, operação atravessada por corrupção. Espalhar essas abaixo coisas é troco. Virá muito mais.

Michelle Bolsonaro compartilhou publicação que afirma que Lula “entregou sua alma para vencer essa eleição”. O texto é acompanhado por vídeo de encontro do petista com lideranças de religiões de matriz africana.

Fachin barra fala de Queiroga na TV mentindo sobre combate à covid

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Do Poder 360 – O ministro e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, proibiu o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, de fazer um pronunciamento no rádio e na TV elogiando a atuação do governo federal para conter o avanço da covid-19.

A fala teria como tema o lançamento da campanha de combate à poliomielite. Queiroga aproveitava, no entanto, para exaltar a atuação do governo na pandemia.

“Durante a pandemia de covid-19, demonstramos nossa capacidade de adquirir e vacinar, em tempo recorde, a nossa população. Com isso, alcançamos altas taxas de cobertura vacinal que nos permitiram o controle da emergência de saúde pública de importância nacional“, diz trecho do discurso, que não chegou a ser divulgado.

Segundo Fachin, a declaração contraria trecho da Constituição que barra a personificação de programas da administração pública, em especial em ano eleitoral. Eis a íntegra da decisão (29 KB), dada na 2ª feira (8.ago.2022), mas publicada só nesta 3ª feira (9.ago).

“O princípio da impessoalidade, contido no art. 37, § 1º, da Constituição Federal, desautoriza a personificação de programas da  administração pública federal, mormente no período que antecede as eleições e, justamente por isso, é alcançado pelas vedações da Lei Eleitoral”, afirmou o presidente do TSE.

O pronunciamento havia sido autorizado por Fachin em 3 de agosto. A veiculação seria no sábado (5.ago). Na ocasião, o ministro  determinou, no entanto, que houvesse “apenas a identificação do Ministério da Saúde”.

Depois da decisão, a secretaria de Comunicação do governo solicitou autorização para que houvesse também a fala de Queiroga. O pronunciamento acabou adiado para esperar a definição do TSE.

Entenda

É proibido fazer propaganda institucional nos 3 meses anteriores às eleições. Ou seja, agentes públicos não podem divulgar programas, obras, serviços e campanhas de órgãos federais, estaduais e municipais.

Há exceções: a propaganda de produtos com concorrência no mercado não é vedada. Assim, é permitido, por exemplo, divulgar publicidades envolvendo bancos públicos (que competem com bancos privados) ou empresas como a Petrobras.

Em casos graves e de “urgente necessidade pública”, agentes podem solicitar autorização da Justiça Eleitoral parar veicular peças publicitárias. Com isso, podem ser divulgados programas de vacinação ou de combate emergencial a determinadas doenças, como no caso da campanha contra a poliomielite, em que houve pedido de autorização do governo ao TSE.

Ao TSE, Mourão muda declaração de raça e cor para “branca”

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Do Poder 360 – Pré-candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) mudou sua identificação de cor e raça para “branca” no registro de sua candidatura na Justiça Eleitoral. Em 2018, quando concorreu na chapa com Jair Bolsonaro (PL), o general havia afirmado ser “indígena” em seu registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além da mudança quanto a sua cor e raça, o registro de Mourão também tirou o título de “general” de seu nome. Há 4 anos ele se denominava “General Mourão”. Agora, só “Hamilton Mourão”.

O partido também mudou. Mourão disputa uma vaga no Senado pelo Republicanos enquanto nas últimas eleições era filiado ao PRTB. Ele mudou de sigla em 16 de março. O general teve seu nome confirmado para a disputa ao Senado em convenção partidária do Republicanos realizada em Porto Alegre em 23 de julho.

Os suplentes em sua chapa são a deputada Liziane Bayer (Republicanos-RS) e o coronel Andreuzza (Republicanos-RS). Para o governo do Estado, a sigla apoia à candidatura do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL).

No registro na Justiça Eleitoral, o estado civil de Mourão também mudou. Em 2018, quando se registrou junto ao TSE, era “viúvo”. Neste ano, aparece como “casado”. Isso porque entre o 1º e 2º turno das eleições de 2018, Mourão se casou com sua atual mulher, Ana Paula Leandro de Oliveira Mourão.

Poder360 questionou a assessoria de campanha do vice-presidente sobre a mudança na declaração ao TSE quanto à raça/cor, mas não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

Eleições em 2018

Em 2018, quando fez suas primeiras declarações públicas depois de anunciado como vice na chapa de Bolsonaro, o general afirmou ser “indígena” e filho de “pai amazonense”. Também disse que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos.

Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”, afirmou Mourão em 6 de agosto de 2018.

A fala foi alvo de críticas e Mourão disse ter sido “mal interpretado, em entrevista a TV Globo. “Em nenhum momento eu quis estigmatizar qualquer um dos grupos, até porque nós somos uma amálgama de raças. É só olharem para mim. Eu sou filho de amazonense, minha vó é cabocla. Não tenho nenhum traço de um branco europeu para querer estigmatizar alguém”, disse.

Vejas as mudanças no registro de candidatura de Mourão:© Fornecido por Poder360Ao TSE, Mourão muda declaração de raça e cor para “branca”Novo registro de candidatura Hamilton Mourão nas eleições deste ano tem mudanças no nome, partido e dados de cor/raça, além de estado civil, em relação ao de 2018

Ao TSE, Mourão muda declaração de raça e cor para “branca”

Apontar as mentiras de Bolsonaro não adianta: é preciso mirar nos problemas do país

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Ontem (8) o presidente Jair bolsonaro esteve no podcast flow. Na entrevista, mentiu como sempre, atacou o sistema eleitoral e as instituições. Ora, mas por que isto não esvazia a possibilidade dele obter um segundo mandato? Pela razão de que seus eleitores relativizam este comportamento e o restante da população não acompanha diretamente, tendo outras preocupações.

Recentemente o instituto Datafolha veiculou que 70% dos eleitores sequer sabem o que significa “STF”, instituição constantemente alvo de Bolsonaro. A maior parte do eleitorado se informa sobre o mundo em torno de questões concretas e Bolsonaro tenta dialogar com eles através da concessão de auxílio. Já o seu eleitor, que está com ele até hoje, já deixou escancarado que vai com ele até o fim. Tentar cobrar moral e coerência do bolsonarista é ingênuo.

O importante é mirar nos problemas do país – inflação, perda do poder de compra da renda, serviços públicos em situação de precariedade. Não que a ameaça à democracia não seja algo concreto, mas do ponto de vista eleitoral é mais eficaz demonstrar o modo como Bolsonaro piorou as condições de vida material das pessoas.

Aos gritos de “mito”, Bolsonaro é idolatrado em culto da Igreja da Lagoinha em BH

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Penso que não li a mesma bíblia que os membros da igreja listada abaixo. Na que eu li a idolatria, ainda mais em prol de um ser que provocou tantas mortes e mostrou todo o desprezo possível pelo ser humano durante a pandemia, como fez Jair Bolsonaro, é blasfémia.

Do Correio Braziliense – O presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, participaram do culto em comemoração aos 50 anos do ministério do pastor Márcio Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, no domingo (7/8). No evento evangélico, em clima de campanha eleitoral, a primeira-dama disse que Palácio do Planalto foi “consagrado a demônios”.

A igreja estava lotada, e uma multidão de fiéis ficou do lado de fora por falta de espaço. No culto, o pastor André Valadão, filho de Márcio, chamou o casal presidencial ao palco. O presidente foi avacionado por parte dos fiéis com gritos de “mito”. A primeira-dama fez um discurso em que misturou religião com eleições e disse que o pleito deste ano será uma batalha entre o bem e o mal.

“É um momento muito difícil, não tem sido fácil. É uma guerra do bem contra o mal, e eu creio que vamos vencer porque Jesus já venceu na cruz o calvário por nós. E as promessas do Senhor irão se cumprir na nossa nação”, discursou.

Sobre a sede do Poder Executivo, em Brasília, Michelle disse que “durante muito tempo, aquele lugar foi consagrado a demônios, cozinha consagrada a demônios, Planalto consagrado a demônios. E, hoje, consagrado ao senhor Jesus”, complementou.

Bolsonaro reforçou o tom messiânico que tem caracterizado suas participações em eventos evangélicos. Disse que estava muito feliz em participar do culto e comparou sua passagem pela Presidência como uma missão divina. “A missão que ocupo é missão de Deus, até pelas circunstâncias. Mesmo durante a pandemia, estive no meio do povo, que disse: ‘não desista, Deus te abençoe, estamos orando por você’. Sabemos o que está em jogo para o país e não precisamos errar para saber o que é bom e o que não é”, declarou o presidente.

O pastor André Valadão manteve o tom eleitoral do culto e reforçou a metáfora da guerra do bem contra o mal. Disse que, “sem constrangimento nenhum, é uma guerra além de política, uma guerra espiritual onde o bem vai vencer”. E comandou uma oração ao casal. “Cremos que nossos filhos não serão iludidos ou enganados com ideologias satânicas. Estamos em uma nação cristã e, a partir da palavra de Deus, ela deve ser governada”, acrescentou.

Após o evento, o presidente seguiu para São Paulo, onde assistiu à partida entre Palmeiras e Goiás, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Torcedor do alviverde paulistano, viu seu time vencer por 3 a 0 e seguir na liderança da competição.

O debate da Band entre os candidatos ao governo foi marcado pelo ataque de Styvenson contra a UERN

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O saldo concreto do debate de ontem na Band, que levou os candidatos com representação de ao menos cinco cadeiras na câmara, foi que Styvenson Valentim mandou toda a comunidade da UERN para a oposição contra ele.

Styvenson alegou que a UERN poderia pelo elevado gasto poderia colaborar mais com o RN, principalmente nos cursos de engenharia. O detalhe: a UERN não tem cursos de engenharia.

A UERN é uma instituição que mobiliza toda a região oeste, alunos, funcionários e milhares de formados pelo RN. Este ataque desnecessário não agregará um voto para Styvenson, mas retirará muitos.

No mais, o restante dos confrontos ocorreu com falas e posições já públicas e esperadas, portanto incapazes de gerar grandes alterações no cenário eleitoral.

Vacinação para diversas patologias despenca após governo federal patrocinar negacionismo na pandemia; há risco de retorno de doenças erradicadas

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Os dados são insofismáveis. A vacinação em diversas frentes vem despencando durante o governo Bolsonaro. O Brasil que era exemplo no quesito, passou a conviver com uma resistência incomum da população em relação às vacinas. Especialistas falam no risco do retorno da pólio, há crescimento dos casos de sarampo e reurbanização da febre amarela.

O Governo Federal contribuiu para essa situação em diversas frentes – primeiro desvinculando o auxílio Brasil da atualização da caderneta de vacinação dos beneficiários. Depois espalhando deliberadamente mentiras contra as vacinas durante a pandemia, um meio para justificar seu atraso na compra de imunizantes e mortes dos acometidos pela covid.

E eis que agora o ministro Marcelo Queiroga, que já fez discursos antivacina, pede ao Tribunal Superior Eleitoral para fazer inserção nacional na Tv para pedir que os brasileiros se vacinem. O ministro Edson Fachin enxerga na atitude oportunismo diante das eleições e contra o que diz lei eleitoral. Ainda assim, autorizou a promoção de uma campanha educativa.

Bem que Michele Bolsonaro e Jair Bolsonaro poderiam vir a público defender os imunizantes. Apesar de improvável, ajudaria a população a aderir a campanha, pois são os bolsonaristas, conforme as pesquisas, que mais resistem e espalham teorias conspiratórias contra o ato de se proteger pela ciência contra doenças. O negacionismo mata e gera atraso. No caso das vacinas não há exceção a regra.