Avatar

Investigada na CPI da Covid, Prevent Senior ocultou mortes em estudo sobre cloroquina apoiado por Bolsonaro

/

Da Globo News – G1 – O plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19, aponta um dossiê ao qual a GloboNews teve acesso.

A pesquisa foi apoiada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e é usada pelos defensores da cloroquina para justificar a prescrição do medicamento.

A CPI da Covid recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent. Segundo o dossiê, o estudo foi um desdobramento do acordo.

A CPI ouviria nesta quinta-feira depoimento do diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, mas ele informou que não vai comparecer.

O vídeo abaixo, de abril deste ano, mostra denúncias de irregularidades feitas por ex-médicos da Prevent Senior. Eles contaram ter sido obrigados a trabalhar mesmo infectados com Covid-19 e a testar “kit Covid” em “cobaias humanas”.

Médicos denunciam irregularidades na Prevent Senior

Médicos denunciam irregularidades na Prevent Senior

A reportagem da Globonews teve acesso à planilha com os nomes e as informações de saúde de todos os participantes do estudo. Nove deles morreram durante a pesquisa, mas os autores só mencionaram duas mortes.

Um médico que trabalhava na Prevent e mantinha contato próximo e frequente com os diretores da operadora na época afirmou à GloboNews que o estudo foi manipulado para demonstrar a eficácia da cloroquina. Segundo ele, o resultado já estava pronto bem antes da conclusão do estudo.

Áudios, conversas em aplicativos de mensagens e dados contraditórios relativos à pesquisa – divulgados pela própria Prevent e apoiadores do estudo, como Bolsonaro – reforçam a suspeita de fraude.

A operadora informou, por nota, que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários” (leia mais abaixo).

Mortes escondidas

A pesquisa começou a ser feita em 25 de março. Em uma mensagem publicada em grupos de aplicativos de mensagem, o diretor da Prevent, Fernando Oikawa, fala pela primeira vez do estudo e orienta os subordinados a não avisar os pacientes e familiares sobre a medicação.

“Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa”, dizia mensagem do diretor da Prevent.

Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina. Dois estavam no grupo que não ingeriu as medicações. Há um paciente cuja tabela não informa se ingeriu ou não a medicação.

Houve, portanto, pelo menos o dobro de mortes entre os participantes que tomaram cloroquina. Para preservar as identidades, a reportagem vai mencionar apenas as iniciais, o sexo e a idade dos que morreram.

Grupo que tomou cloroquina:

– H. S., 79 anos, sexo feminino;
– H. M. P., 85 anos, sexo masculino;
– J. A. L., 62 anos, sexo masculino;
– R. A. V., 83 anos, sexo masculino;
– M. C. O., 70 anos, sexo feminino;
– F. S., 82 anos, sexo masculino.

Grupo que não tomou cloroquina:


– H. H. K., 68 anos, sexo masculino;
– L. F. R. A., 82 anos, sexo feminino,

Sem informações se ingeriu ou não cloroquina:

– D. L., 66 anos, sexo masculino.

Bolsonaro postou sobre estudo

O primeiro documento relativo ao estudo foi um pré-print divulgado em 15 de abril de 2020. Os pré-prints são a primeira versão de uma pesquisa e precisam ser revisados por outros cientistas independentes.

No artigo, o coordenador do estudo, o cardiologista Rodrigo Esper, diretor da Prevent Senior, menciona a ocorrência de apenas duas mortes no grupo que usou as medicações. Os óbitos, segundo o artigo, foram provocados por outras doenças, sem relação com o coronavírus ou com as medicações.

“Não houve efeitos colaterais graves em pacientes tratados com hidroxicloroquina mais azitromicina. Dois pacientes do grupo de tratamento morreram durante o acompanhamento; a primeira morte foi devido à síndrome coronariana aguda e a segunda morte devido a câncer metastático.”

Não há, no entanto, entre as vítimas ninguém com as doenças mencionadas pelos coordenadores.

Três dias depois, em 18 de abril, o presidente Jair Bolsonaro fez uma postagem no Twitter sobre o estudo. Citando a Prevent Senior, menciona a ocorrência de cinco mortes entre os pacientes do estudo que não tomaram cloroquina e nenhum óbito entre os que ingeriram as medicações.

Segundo o CEO Fernando Parrillo, a Prevent Senior reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores e divulgou hoje, às 1h40 da manhã, o complemento de um levantamento clínico feito: de um grupo de 636 pacientes acompanhados pelos médicos, 224 NÃO fizeram uso da HIDROXICLOROQUINA. Destes, 12 foram hospitalizados e 5 faleceram. Já dos 412 que optaram pelo medicamento, somente 8 foram internados e, além de não serem entubados, o número de óbitos foi ZERO. O estudo completo será publicado em breve!”, escreveu Bolsonaro.

Orientação dada a pesquisadores

No mesmo dia 19 de abril, Esper postou uma mensagem de áudio no grupo de pesquisadores do estudo para orientá-los quanto à revisão dos dados dos pacientes. Ou seja, quatro dias depois da publicação do artigo científico com os resultados, estes mesmos resultados ainda não haviam sido revisados.

No áudio, Esper cita a mensagem do presidente sobre o estudo. Acrescenta, ainda, que os dados precisam ser “assertivos”, “perfeitos”, para que não haja contestação. E finaliza, argumentando que esse estudo vai “mudar o curso da medicina”.

“Oi pessoal, tudo bem? É o Esper falando, tá, eu tô aqui com o (Fernando) Oikawa. Seguinte, a gente precisa revisar esses dados no máximo até amanhã, de todos os pacientes, então botei mais força aqui no grupo. Esses dados, são os dados… a gente tá revisando todos os 636 pacientes do estudo. Já tem mais ou menos uns 140 revisados, mas a gente precisa fazer a força-tarefa pra acabar isso amanhã. Só que a gente precisa olhar tudo. Se teve eletro (eletrocardiograma) ou não, se teve alteração no intervalo QT ou não, se fez swab pra Covid sim ou não. Então vamos programar uma live hoje, às 17h, com todos aqui desse grupo… O Fernandão (Oikawa) vai mandar o link aqui e aí a gente vai estabelecer os critérios e a gente vai pensar na tabela, estabelecer os critérios, e todos vão coletar os dados, e aí com umas seis pessoas, aí dá tipo 100 pacientes pra cada um, nem que a gente coloque mais gente aqui. O Fernando vai recrutar pelo menos mais dois colegas para colocar, pode ser essa colega aí do pronto-socorro, mas o dado precisa ser assertivo e perfeito porque o mundo tá olhando pra gente, tá? Esses dados vão mudar a trajetória da medicina nos próximos meses aí no mundo, tá bom? O (microbiologista francês) Didier Raoult, eu entrei em contato com ele ontem, ele citou o nosso trabalho no Twitter, eu respondi ele, e então a gente precisa ser perfeito, o dado, tá? Até o presidente da República citou a gente. Esse áudio tem que ficar aqui, não pode sair. Então, vamos reunir às cinco horas hoje, numa videoconferência, todos, pra gente ajustar os parafusos e todo mundo falar a mesma língua e ter um levantamento perfeito do dado.

O cientista francês Didier Raoult coordenou um dos primeiros estudos no mundo sobre a cloroquina. Inicialmente, segundo os autores, a pesquisa teria indicado a eficácia da cloroquina para reduzir internações por Covid, mas o levantamento foi muito questionado pela comunidade científica.

O próprio Raoult, meses depois, veio a público dizer que seu estudo não é capaz de indicar a eficácia da medicação.

O resultado do estudo da Prevent foi divulgado dias depois que outro estudo semelhante, realizado em Manaus, foi suspenso em razão da morte de pacientes que ingeriram cloroquina. A pesquisa também não encontrou evidências da eficácia da medicação.

Outro estudo iniciado na época envolveu algumas das principais instituições de saúde do país, como os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, mas a conclusão também foi de que a cloroquina não é eficaz contra a Covid. Restou, portanto, apenas o estudo da Prevent.

A análise da planilha dos pacientes do estudo mostra que, dos 636 participantes, apenas 266 fizeram eletrocardiograma, que é recomendado para pacientes tratados com cloroquina, pelo risco de problemas cardíacos. Uma das pessoas que morreu, um homem de 83 anos, tomou cloroquina e apresentou arritmia cardíaca, que é um dos efeitos colaterais possíveis da medicação.

Além disso, apenas 93 pacientes (14,7% do total) realizaram teste para saber se estavam com Covid ou não. Foram 62 casos positivos, menos de 10% do total de participantes.

Comissão de ética suspendeu pesquisa

O estudo chegou a ser submetido à Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e aprovado, mas o órgão suspendeu a pesquisa por constatar que a investigação começou a ser feita antes da aprovação legal.

Até hoje, no entanto, o estudo é usado pela própria Prevent Senior para justificar a prescrição da cloroquina aos seus associados. Ao longo da CPI, foram várias as menções.

Subnotificação de mortes por Covid

Além das suspeitas que recaem sobre o estudo, há indícios de que a operadora subnotificou mortes por Covid ocorridas em suas unidades. A GloboNews conversou com outra médica que trabalhou na Prevent e afirmou que essa prática tem ocorrido desde julho de 2020.

Em uma mensagem enviada a grupos de aplicativos, outro diretor da Prevent determina aos coordenadores das unidades que alterem o código de diagnóstico (CID) dos pacientes que deram entrada com Covid-19 após algumas semanas de internação.

“Após 14 dias do início dos sintomas (pacientes de enfermaria/apto) ou 21 dias (pacientes com passagem em UTI/Leito híbrido), o CID deve ser modificado para qualquer outro exceto o B34.2 (código da Covid-19) para que possamos identificar os pacientes que já não tem mais necessidade de isolamento. Início imediato.”

A justificativa é viabilizar o isolamento dos pacientes, mas a alteração do CID, segundo a médica, faz com que o diagnóstico de Covid desapareça de um eventual registro de óbito.

GloboNews conseguiu comprovar dois casos em que a Covid foi omitida da declaração de óbito dos pacientes. O primeiro deles é de um homem que foi internado em novembro de 2020 na unidade da Prevent Senior do Itaim, Zona Sul da capital paulista. Ao dar entrada no hospital, o exame PCR deu positivo para Covid.

Os médicos, então, prescreveram as medicações do chamado kit Covid, como cloroquina, ivermectina e azitromicina. Ele já havia ingerido essas medicações antes mesmo de ser internado e voltou a recebê-las no hospital. Também foi submetido a cerca de 20 sessões de ozonioterapia.

Segundo a Conep, a ozonioterapia só pode ser feita em pesquisas experimentais por instituições credenciadas. O órgão informou que a Prevent não está credenciada.

O paciente ficou dois meses internado e morreu após ter uma hemorragia digestiva. A Covid, doença que desencadeou a morte, foi omitida da declaração de óbito

O outro caso é de uma paciente que também morreu após ficar internada na Prevent Senior para tratar um quadro de Covid. Ela recebeu as medicações do kit Covid, mas o quadro não melhorou. Na declaração de óbito, a Covid também foi omitida.

Investigações

Prevent Senior é investigada desde março pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu um inquérito civil após uma reportagem da GloboNews mostrar 12 relatos de associados do plano que estavam recebendo o kit covid. Parte deles nem sequer tinha diagnóstico confirmado de Covid-19.

Em abril, outra reportagem da GloboNews trouxe relatos de médicos que trabalharam na operadora. Eles disseram que foram coagidos a prescrever os remédios do kit covid e que foram forçados a trabalhar enquanto estavam infectados com o novo coronavírus. Tudo isso foi incluído na investigação da promotoria.

O MP também investiga o uso de medicações sem eficácia comprovada, como flutamida, etanercepte, heparina inalatória e ozonioterapia. DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo) e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também abriram investigações.

A reportagem teve acesso a uma página usada como guia por médicos da área de telemedicina da Prevent. A página contém uma planilha atualizada com os nomes dos pacientes e as medicações recebidas.

É possível ver que a cloroquina e a ivermectina continuam sendo prescritas mesmo após o Ministério da Saúde ter declarado que o medicamento não funciona, o próprio ministro Marcelo Queiroga ter desaconselhado o uso das medicações e depois de estudos amplos de meta-análise indicarem que a cloroquina pode provocar um aumento das mortes de pacientes, e não a redução.

O mesmo guia ainda mostra que a Prevent Senior continua testando outras duas medicações nos pacientes. A bicalutamida, um inibidor de hormônios masculinos, contraindicado para mulheres, e a chamada “Pílula do Açaí”.

Irregularidades

A CPI da Covid recebeu já denúncias formais que afirmam que a operadora de saúde e o governo federal fizeram um acordo, no início da pandemia do coronavírus, para testar e disseminar as medicações do kit covid.

O documento cita uma série de irregularidades que, segundo os médicos, foram praticadas pela empresa, e reveladas pela GloboNews e o G1 em abril deste anoO Ministério Público abriu investigação.

A Prevent Senior afirmou, por meio de nota, que sempre atuou “dentro dos parâmetros éticos” (leia mais abaixo).

O primeiro desdobramento do acordo entre a Prevent e governo federal, segundo a denúncia, foi a pesquisa feita com mais de 600 pacientes para testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19, realizada entre março e abril do ano passado. O resultado teria sido manipulado para que os resultados fossem favoráveis ao uso da cloroquina contra a doença.

A denúncia afirma ainda que a Prevent realizou uma série de tratamentos experimentais em seus pacientes, muitas vezes sem que houvesse consentimento deles. O texto diz que pacientes foram usados como “cobaias humanas” para testar medicações contra a Covid.

Em nota, a Prevent diz que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários. Todas as dúvidas e questionamentos formulados pela CPI foram devidamente esclarecidos junto às autoridades competentes”.

O que diz a Prevent Senior

Em nota, a operadora negou e repudiou as denúncias, e disse que está tomando medidas para investigar quem, segundo a empresa, “está tentando desgastar a imagem da Prevent Senior”.

Disse ainda que os médicos sempre tiveram a autonomia respeitada, e que atuam com afinco para salvar milhares de vidas.

A empresa reiterou que os números à disposição da CPI demonstram que a taxa de mortalidade entre pacientes de Covid-19 atendidos por seus profissionais de saúde é inferior as demais.

Governo do RN paga mais uma folha em aberto da gestão anterior

/

O anúncio foi feito pela própria governadora Fátima Bezerra em suas redes sociais.

Das quatro folhas de servidores recebidas da gestão anterior, resta apenas mais uma em aberto.

Senado aprova relatório de Zenaide Maia sobre garantia de absorvente a mulheres presas e de baixa renda

/

O Senado aprovou nesta terça-feira, relatório da senadora Zenaide Maia, no projeto de lei que institui o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual.

“Esse projeto de lei é de grande alcance social. Ele prevê a distribuição gratuita de absorventes e outros itens de higiene para meninas e mulheres de baixa renda, e também para as encarceradas. Uma em cada quatro meninas já faltou aula por não ter condições de comprar absorventes higiênicos. Isso se chama pobreza menstrual!”, explicou a senadora.

Como o projeto de autoria da deputada Marília Arraes (PT – PE), já tinha sido aprovado na Câmara, agora só falta a sanção presidencial para o texto virar lei.

No Senado o PL foi analisado em conjunto com outros três que tratavam do mesmo tema, entre eles, o PL 2.992/21, que nasceu de uma sugestão legislativa enviada ao portal E-cidadania por uma internauta de Pernambuco.

O Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual integrará as áreas de saúde, assistência social, educação e segurança pública. Serão beneficiadas as estudantes de baixa renda matriculadas em escolas da rede pública de ensino, mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade social extrema, presidiárias e adolescentes internadas em unidades para cumprimento de medida socioeducativa.

Bolsonaristas: é o mundo que vocês criaram

/

Após a repercussão do acontecimento de que um cidadão de Portalegre (RN) amarrou um quilombola e o arrastou pelas ruas, logo veio o esperado enquadramento – tratava-se de um árduo defensor do bolsonarismo. Além disso, já com histórico de acusação de crime por injúria racial.

O bolsonarismo é uma ideologia que existe antes do presidente Jair Bolsonaro, mas que vicejava no submundo da sociedade brasileira. Com a vitória de JB, eles se agruparam e impuseram suas ideias, inclusive ao arrepio da lei e da nossa condição civilizatória. Os retrocessos vieram.

Ora, quem é que defende fazer justiça com as próprias mãos? Que bandido bom é bandido morto? Quem comemora feito maluco de auditório, gritando – CPF cancelado, CPF cancelado? Projetos políticos são materializados pelos seguidores.

Não adianta dizer que o presidente Jair Bolsonaro nada tem relação com o acontecimento, pois o caso é a perfeita realização de um discurso autorizativo de ódio cantado em verso e prosa a partir da principal cadeira política e administrativa do país.

Por exemplo: exatamente o mesmo processo se desenrolou durante a pandemia. Foi o presidente que colocou em xeque a política de enfrentamento ao coronavírus, negou a gravidade da situação, defendeu remédios ineficazes e até hoje fala que as vacinas são experimentais. Ora, quem adere a tais ideias, inclusive morrendo pelas mãos delas? Bolsonaristas.

As pesquisas já abundantes são insofismáveis. Quando o cidadão morre de amores peloo presidente, ele acredita em curas milagrosas sem base na ciência, diminui a relevância da pandemia e pode até recusar os imunizantes. Resultado: pelas pesquisas, se a pessoa for eleitora de Bolsonaro, tem maiores chances de pegar e morrer de covid do que quem estabelece distância das ideias bolsonaristas.

Portanto, bolsonaristas, assumam o que é de vocês. O que ocorreu em Portalegre é aquilo que seu líder e vocês ficam defendendo diuturnamente tornado ato.

Além da mentira em si embalada na versão, cortar ICMS dos combustíveis seria o mesmo que fechar hospitais e escolas para preservar o lucro de acionistas privados da Petrobras

/

Além da mentira em si embalada na versão – o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços está congelado desde 2015; o que aumenta é o preço na Petrobras -, essa defesa de cortar ICMS para não mexer na política de preços dos combustíveis no Brasil seria grande uma injustiça. Trata-se de cortar a arrecadação estadual sustentáculo de serviços públicos, para manter o lucro de acionistas privados. O nosso país produz em real de forma mais barata e auto-suficiente, mas desde 2016 passou a cobrar em dólar a partir da cotação internacional.

Os que defendem isto no reino das ideias, que falem abertamente sobre as consequências objetivas – é para fechar hospitais, escolas e correr o risco de atrasar salários dos servidores, para que o lucro dos acionistas privados da empresa de maioria seja preservado.

Do Blog: a última vez que o ICMS sofreu reajuste foi em 2015. A alegação – fundamentada e correta – era de que seria necessário para manter serviços públicos e salários dos servidores. Votaram a favor os que hoje se dizem contrários: Tomba, Gustavo Carvalho, José Dias, etc, leia aqui.

Se o último reajuste em 2015 foi proposto, votado e aprovado sob a alegação de sustentação de serviços públicos e salários dos servidores, os que agora defendem a queda do ICMS para sustentar a política de preços da Petrobras, querem que a prestação destes serviços e os vencimentos dos servidores corram riscos?

As CPIs floparam

/

Você ainda escuta alguém falar em comissão parlamentar de inquérito? Não, né?!

Elas floparam. A CPI da covid no senado despertou interesse porque tocou numa questão concreta – o atraso da vacinação. Depois que a imunização começou a andar, o tema perdeu concretude.

A CPI da covid na assembleia sequer chegou a tanto. Sem um assunto objetivo para tratar, que de fato venha a desgastar o governo, virou assunto encostado, inclusive na imprensa de oposição.

Tirando a pequena bolha dos profissionais e de quem acompanha a política por dever de ofício, o que angustia o brasileiro médio é escancaradamente a ida ao supermercado.

Presidente da Câmara, Paulinho Freire, elogia Fátima e critica Álvaro Dias

/

O presidente da câmara de Natal, Paulinho Freire, elogiou em declaração recente os programas de apoio ao esporte da governadora Fátima Bezerra e criticou o prefeito de Natal, Álvaro Dias, por não o mesmo programa.

A fala ficou com cara de demonstração de insatisfação com o prefeito de Natal.

Fusão PSL-DEM cria maior força de direita na Câmara em 20 anos

/

Do Estadão – Prestes a ser oficializada, a fusão entre DEM e PSL deve criar uma megapotência partidária. A nova legenda deve nascer com 81 deputados federais e conquistar o posto de maior bancada na Câmara, com força para decidir votações importantes e ter peso significativo num eventual processo de impeachment de Jair Bolsonaro. Será a primeira vez em vinte anos que a direita reúne tantos parlamentares em uma única agremiação. A última vez foi no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando o PFL (atual DEM) elegeu 105 representantes.

Caso a nova sigla seja concretizada, vai desbancar o PT, que desde 2010 lidera o ranking de maiores bancadas na Câmara. Em 2018, foram 54 petistas eleitos. Hoje, o partido tem 53 deputados, empatado com o PSL. Mesmo que com a fusão parlamentares bolsonaristas deixem o novo partido, como esperado, a sigla ainda sem nome seguirá com o maior número de deputados.

A ideia dos dirigentes de PSL e DEM é usar esta megaestrutura que está sendo formada para atrair uma candidatura à Presidência em 2022 capaz de rivalizar com Bolsonaro e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de maior partido da Câmara, a nova legenda deve controlar três Estados, favorecendo a formação de palanques regionais nas disputas eleitorais. Hoje, o PSL governa Tocantins, com Mauro Carlesse, e o DEM administra Goiás, com Ronaldo Caiado, e Mato Grosso, com Mauro Mendes. Até recentemente, o PSL também administrava Santa Catarina, com Carlos Moisés, mas o governador, eleito com apoio de Bolsonaro, saiu da legenda e segue sem partido. Hoje, a sigla com maior número de governadores é o PT, com quatro representantes (BA, CE, PI e RN).

O presidente do DEM Acm Neto e o presidente do PSL Luciano Bivar. © Werther Santana/Estadão e Dida Sampaio/Estadão O presidente do DEM Acm Neto e o presidente do PSL Luciano Bivar.

O novo partido, que ainda não tem nome definido, também deve ser o mais rico de todos. Terá perto de R$ 158 milhões por ano de fundo partidário, dinheiro público que abastece as legendas para gastos que vão de aluguel de sede, pagamento de salários, aluguel de jatinhos, entre outros. Em comparação, o PT ganhou R$ 94 milhões dessa verba pública este ano.

A sigla que sairá da fusão DEM-PSL receberá ainda, no que ano vem, a maior fatia do fundo eleitoral, cujo valor ainda deve ser fixado pelo Congresso, mas, provavelmente, será superior a R$ 2,1 bilhões. Se considerada a soma dos valores de 2020 dos fundos eleitoral e partidário, o novo partido teria R$ 478,2 milhões, à frente do PT, que ficou com R$ 295,7 milhões somando as duas fontes de dinheiro público.

A união é vantajosa para o DEM por causa do aumento do fundo partidário. Para o PSL, os principais atrativos são a capilaridade regional e estrutura que a outra sigla pode oferecer.

No Senado, a alteração não seria significativa, pois o PSL acrescentaria apenas mais uma parlamentar – a senadora Soraya Thronicke (MS) – à bancada de seis senadores do DEM.

O partido resultante da fusão terá ainda 554 prefeitos, 130 deputados estaduais e 5.546 vereadores, segundo o número de eleitos nos últimos pleitos para os respectivos cargos.

Seguidores de Bolsonaro vão desembarcar

Apesar da perspectiva de crescimento e de ser o maior partido do País, os articuladores da fusão já esperam dissidências. Pela legislação, o político pode sair de uma legenda sem perder o mandato em caso de fusão. A previsão é de que 25 dos atuais 53 deputados do PSL, ligados ao presidente Jair Bolsonaro, devem desembarcar na nova legenda. Também são esperadas as saídas de aliados de Bolsonaro no DEM. É o caso do ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni.

O processo que pode levar à fusão dos dois partidos tem avançado. Dentro do PSL a união já é dada como certa e esperam anunciá-la em 21 de setembro. Mas a possibilidade de fusão desagrada uma parte do DEM.

Na primeira demonstração pública de atuação conjunta, os dois partidos divulgaram uma nota com críticas a Bolsonaro. Após os ataques do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos governistas de 7 de Setembro, DEM e PSL afirmaram que repudiam “com veemência” o discurso de Bolsonaro “ao insurgir-se contra as instituições de nosso País”.

O texto gerou insatisfação em parte do DEM. Onyx, que é deputado licenciado pelo DEM do Rio Grande do Sul, afirmou, por meio de vídeo divulgado nas redes sociais, que a nota não o representa. Disse ainda que a nova legenda “talvez nasça grande”, mas, “ao final do ano que vem, se não mudarem seu comportamento, serão um partido nanico”.

O PSL também está dividido em relação ao governo de Bolsonaro. A ala governista vai desembarcar do partido quando o presidente decidir por qual legenda concorrerá à reeleição em 2022. Bolsonaro está sem partido desde o fim de 2019, quando rompeu com o PSL.

Fusão enfrenta resistências no DEM do Rio e de Pernambuco

Estadão apurou que há também conflitos no DEM do Rio. Lá, o deputado Sóstenes Cavalcante comanda provisoriamente o diretório estadual. Trabalha para ficar com o comando permanente.

O DEM resolveu fazer uma intervenção federal no Estado para retirar o ex-prefeito e vereador Cesar Maia da presidência estadual. O movimento aconteceu após a saída do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, filho de Cesar, da legenda. Se for concretizada a fusão, o controle do diretório do Rio ficará com quem hoje está no PSL. Isso atrapalhará os planos de Sóstenes Ele já avisou a aliados que não aceita a fusão.

Em Pernambuco, o ex-ministro da Educação e presidente do DEM no Estado, Mendonça Filho (DEM), também apresenta resistências.

“A minha preocupação é com a governança, como o partido vai se estabelecer, de que forma vai harmonizar os interesses regionais, nomes históricos do partido em posições regionais”, disse Mendonça ao Estadão.

Na mesma linha do que disse Onyx, o ex-ministro de Michel Temer (MDB) afirmou que a união não necessariamente vai se traduzir em um partido grande.

“Não adianta você compatibilizar excluindo. Em política, muitas vezes a soma de um conjunto de forças significa subtração. O que eu entendo é que a gente tem de ter como objetivo uma soma que de fato adicione”, declarou.

Conterrâneo do presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar, Mendonça ressaltou que “respeita a figura de liderança” do dirigente partidário. Pregou, porém, que a discussão seja feita com calma. “Respeito todos os líderes que têm, com a melhor das intenções, tracionado uma maior celeridade nesse processo. Peço calma, paciência e que sejam cumpridas as etapas de uma discussão amadurecida”, declarou.

Bivar, Rueda e ACM Neto dividirão comando

Detalhes como nome e número da nova sigla ainda não estão definidos. A operação tem como principais articuladores Luciano Bivar, o vice-presidente do PSL, Antonio Rueda, e o presidente do DEM, ACM Neto. Bivar deve ser o presidente do novo partido, Rueda deve ficar com a vice-presidência e Neto, com a secretaria-geral.

Mesmo com o desembarque da ala bolsonarista do PSL, o novo partido nasceria com o maior tempo de rádio e televisão e o maior Fundo Partidário. No entanto, críticos da fusão afirmam que o crescimento só poderia ser dimensionado de verdade após o resultado das eleições de 2022, quando novas bancadas serão eleitas para o Congresso. A composição do fundo pode mudar drasticamente caso o novo partido não consiga manter o tamanho resultante da fusão.

O presidente do DEM, ACM Neto, quer ajustar a união internamente na sigla até o fim deste mês. Aliado do presidente do partido, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) avalia que a fusão deve mesmo acontecer.

“Grandes chances. Está bem avançado”, declarou Nascimento.

Apesar das resistências no DEM, a fusão tem o apoio de Neto e também do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que diz que o processo “leva tempo”, mas é “possível”. Quando lhe foi perguntado sobre a data de 21 de setembro, citada por integrantes do PSL como anúncio da fusão, Mandetta disse: “Talvez um anúncio político, mas leva bem mais tempo (para definir totalmente a fusão)”.

O ex-ministro tem articulado a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Pelo lado do PSL, o pré-candidato é o apresentador José Luiz Datena. Embora não fale sobre o assunto publicamente, outro nome que é citado como opção para 2022 é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). O senador é cobiçado pelo PSD, pode acabar saindo do DEM para ir para a legenda presidida por Gilberto Kassab.

A fusão também é usada como uma estratégia para manter Pacheco no DEM. O presidente do Senado participou de algumas reuniões para tratar da união dos partidos.

Em carta, Léo Pinheiro volta atrás em delação contra Lula; o seu depoimento foi o que justificou a condenação de Lula pela Lava Jato

/

Sobre o depoimento do empreiteiro Leo Pinheiro, que alterou sua versão mais uma vez (leia a matéria abaixo), agora inocentando Lula, cabe lembrar: 1. Era a ligação entre o Triplex e Lula; 2. Era a justificativa pra alegar que o dinheiro do Triplex era de propina da Petrobras, o que permitiu o processo de Lula ir para as mãos de Sérgio Moro.

Leo Pinheiro, que a princípio não citou Lula, mudou sua versão na perspectiva de tentar acordo com a Lava Jato. Ele tinha recebido uma pena superior a 20 anos de prisão. Agora ele altera sua versão novamente, a partir de carta de próprio punho, voltando ao que disse inicialmente.

Em carta, Léo Pinheiro volta atrás em delação contra Lula

Do Metrópoles

Ex-presidente da construtora OAS e uma das figuras centrais da Operação Lava-JatoLéo Pinheiro escreveu carta em que nega as acusações feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Firmada em 2019, a delação de Léo Pinheiro apontou que Lula atuou pessoalmente para que o Brasil conquistasse um espaço maior no Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) e beneficiasse a empreiteira.

Agora, o empresário mudou a versão. Na carta, escrita a mão em maio e anexada ao processo em junho, Pinheiro afirma desconhecer o pagamento de propina a autoridades investigadas no caso e que não sabe se houve intercessão de Lula.

A carta foi usada pela defesa do ex-presidente petista para solicitar o arquivamento da acusação de corrupção e tráfico de influência internacional.

“Não tenho conhecimento, nem autorizei nenhum pagamento ou oferta de vantagens indevidas ou me foi solicitado ou exigida pelas pessoas (autoridades) citadas no questionamento (a)… Não houve nenhuma menção direta ou indireta sobre vantagens indevida…”, destaca Léo Pinheiro em trechos do manuscrito.

Na delação, agora desmentida, o empresário cita uma viagem à Costa Rica, em que teria pedido a Lula que realizasse uma audiência com Nick Rischbieth, presidente do BCIE.

Dois anos depois a história mudou de rumo. “A empresa OAS não obteve nenhuma vantagem, pois inclusive não foi beneficiada por empréstimos do BCIE”, concluiu.

A delação afirmava, segundo Pinheiro, que Lula agiria para aumentar a participação do Brasil na estrutura societária da instituição financeira, “bem como credenciar a OAS a realizar parceria com tal banco”.

À época, empreiteiro detalhou o encontro, que teria ocorrido na suíte onde Lula estava hospedado e que contou com a presença dele de outro executivo da OAS, o diretor Augusto Uzeda. Em depoimento às autoridades, Uzeda negou a realização dessa reunião.

Novas cartas

Segundo interlocutores do ex-presidente da OAS, ele pretende fazer outras cartas voltando atrás em trechos de seu acordo envolvendo Lula.

Um depoimento do empreiteiro dado antes de ele assinar sua delação foi usado para condenar Lula no Caso do Triplex, que neste ano foi anulado.

Dois apoiadores de Bolsonaro criticam política de tarifa da Petrobras

/

O presidente da câmara, Arthur Lira, e o presidente do banco central, Roberto Campos Neto, criticaram nos últimos dias a política de reajuste dos combustíveis da Petrobras, se alinhando a política pública chateada com alto preço da gasolina.

Há, caro leitor, um movimento articulando vindo do governo em prol da alteração da política de reajuste, preparando o terreno para amansar o “mercado”. Anote: o presidente Jair Bolsonaro irá rever a política. O cenário está sangrando a avaliação do presidente.