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Reprovação de Bolsonaro chega a 53%, diz pesquisa; avaliação positiva é de 22%

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Do Estadão – A reprovação ao presidente Jair Bolsonaro oscilou de 51% a 53% entre julho e setembro, segundo pesquisa Datafolha publicada nesta quinta-feira, 16. Embora esteja dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais, o número, em tendência de alta desde dezembro do ano passado, de acordo com o instituto, representa o maior porcentual absoluto de avaliação negativa do presidente desde o início do mandato.

No mesmo intervalo, a avaliação positiva de Bolsonaro oscilou de 24% a 22% em termos absolutos, também o pior índice desde a posse. Já a avaliação regular se manteve em 24%.

O Datafolha ouviu de forma presencial 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 190 municípios do País, entre os dias 13 e 15 de setembro – ou seja, após a “declaração à nação” publicada pelo chefe do Planalto para tentar amenizar a crise entre os poderes, ampliada após as ameaças feitas por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos de 7 de Setembro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Entre as pessoas com mais de 60 anos, a reprovação virou maioria absoluta – 51% deles agora reprovam a gestão Bolsonaro (aumento de 45% a 51%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o presidente conquistou importantes vitórias na eleição presidencial de 2018, a rejeição subiu de 41% para 48%, mas ainda está abaixo da média nacional.

Para os evangélicos, houve outro resultado ruim ao presidente. Nesta pesquisa, a rejeição de 41% supera a aprovação de 29%, diferente do empate técnico (34% a 37%, respectivamente) da consulta anterior.

Por outro lado, a reprovação dos mais ricos caiu de 58% para 46% em comparação com julho. Os empresários ainda são os mais fiéis bolsonaristas, com 47% de aprovação.

Alinhado com a Anvisa, Governo do RN orienta pela manutenção da vacinação de adolescentes; mais próxima do bolsonarismo, Prefeitura do Natal cancela imunização do público entre 12 e 17 anos

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Volta aquela disputa sobre enfrentamento da Pandemia no RN com o governo mais alinhado aos ditames estabelecidos pelas autoridades sanitárias, enquanto que a prefeitura do Natal caminha colada no bolsonarismo sanitário.

De um lado, o Governo do RN orientou, conforme a Anvisa, Conass e PNI, a manter a vacinação dos adolescentes.

Prefeitura do Natal, no entanto, acatou a nota do MS e cancelou por enquanto a vacinação, gerando transtornos e dúvidas nas filas da cidade.

A separação já havia acontecido durante os pontos altos da pandemia, com a Prefeitura do Natal a favor da distribuição em massa de Ivermectina, remédio ineficaz contra Covid, e com uma concepção mais flexível sobre o isolamento social.

Veja a matéria abaixo.

RN orienta municípios a vacinarem adolescentes sem comorbidades e Natal mantém público suspenso

Do Saiba Mais

Por Isabela Santos

Após o Ministério da Saúde recomendar que a vacinação contra a covid-19 de adolescentes sem comorbidades seja suspensa, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) do Rio Grande do Norte publicou nota no começo da tarde desta quinta-feira (16) anunciando que vai manter a deliberação tomada anteriormente em conjunto com os municípios. A orientação continua sendo imunizar aqueles de 12 a 17 anos de idade, com ou sem comorbidades.

Diante da discordância, Natal, que já suspendeu pela manhã a vacinação nesse público, decidiu seguir a orientação do governo federal.

A Sesap esclarece ainda que vai aguardar um posicionamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), requisitado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), a respeito de eventuais mudanças com relação à aplicação dos imunizantes nos menores de idade, como sinalizou o Ministério da Saúde.

“A Sesap mantém seu apoio ao processo de vacinação, a confiança na segurança dos imunizantes disponíveis e nas experiências científicas que garantem a eficácia para esse público. É público e notório que o avanço da vacinação vem trazendo resultados substanciais no RN, salvando diversas vidas e evitando internações na rede de saúde.”, diz comunicado.

O próprio Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que participa das decisões sobre os rumos do Plano Nacional de Imunizações, divulgou nota na quarta-feira (15) afirmando que a “vacinação de todos os adolescentes é segura e será necessária”.

Em entrevista coletiva, o ministro Marcelo Queiroga reclamou da velocidade da vacinação: “Estados e municípios iniciaram antes, até no mês de agosto. A vacina que era pra começar ontem nos adolescentes, sabe quantos adolescentes vacinados já tem? Quase 3 milhões e 500 mil. Como é que nós conseguimos coordenar uma campanha nacional de imunização dessa forma?”.

Segundo ele, os vacinadores aplicaram outros tipos de imunizantes disponíveis, enquanto apenas a Pfizer está autorizada pela Anvisa para esse público. Para Queiroga, deve continuar apenas a vacinação dos jovens com deficiência permanente, com comorbidades e os que estão cumprindo medida socioeducativa de privação de liberdade.

De acordo com a plataforma RN + Vacina, 8.149 adolescentes já se vacinaram no Rio Grande do Norte.

Com a ameaça de impeachment, Bolsonaro abandona temporariamente os ataques contra o STF e direciona sua guerra cultural contra a vacinação

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O ministério da saúde nos lembrou hoje, mais uma vez, qual a concepção sobre vacinas do governo federal. Os membros do MS criaram uma bagunça nacional com uma nota, que passou por cima de estudos científicos, da autorização da Anvisa para aplicação da vacina da pfizer entre adolescentes etc.

Com um pedido de impeachment fungando no cangote de Jair Bolsonaro, ele recuou de seus ataques contra as instituições. Porém, é a guerra cultural que sustenta a relação com sua base. Sem o cavalo de batalha contra o Supremo Tribunal Federal, a construção de inimigos imaginários retorna para a pandemia.

Coincidentemente, influencers bolsonaristas passaram a semana espalhando notícias falsas sobre vacinação de adolescentes. E, hoje, o ministro da saúde Marcelo Queiroga foi porta voz do negacionismo governamental. O Pazuello com grife médica lançou dúvidas sobre a vacinação entre adolescentes e embalou teorias conspiratórias. Diversos especialistas criticaram, tanto a paralisação, como o discurso do ministro.

A guerra cultural bolsonarista também retorna com a oposição entre governo federal e estados. Alguns já vieram a público criticar o conduta da União, que não tem base científica e colide com o que diz o plano nacional de imunização e parecer técnico da Agência Nacional Vigilância Sanitária – Anvisa.

Em tempo. A Anvisa acaba de emitir nota mantendo a vacinação de adolescentes com pfizer. Segundo a autoridade sanitária do país, não há nada que contrarie tal recomendação já aprovada pela agência e também seguida por EUA, França, Chile, Inglaterra, entre outros.

Ministério da Saúde orienta suspensão de vacinação de adolescentes sem comorbidades e causa dúvida e confusão no país

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Do Estadão – O Ministério da Saúde tirou adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades da lista de grupos cuja vacinação contra a covid-19 é recomendada. Por meio de nota informativa divulgada na noite desta quarta-feira, 15, a pasta pede que sejam vacinados só os adolescentes com comorbidades ou privados de liberdade. O uso da vacina da Pfizer nesta faixa etária foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Parte das cidades, como Salvador e Natal, já mandou parar a imunização nessa faixa etária. Já a capital paulista, por exemplo, informou que não vai suspender. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou, em entrevista coletiva, que os adolescentes sem comorbidades que tomaram a 1.ª dose, por ora, não voltem para a 2.ª aplicação. Já aqueles com comorbidade devem concluir o esquema vacinal.A pasta pede que sejam vacinados apenas os adolescentes com comorbidades ou privados de liberdade © Dida Sampaio/Estadão A pasta pede que sejam vacinados apenas os adolescentes com comorbidades ou privados de liberdade

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, informou que 1.578 efeitos adversos foram registrados em adolescentes vacinados contra a covid-19. Destes, 1.378 foram erros de imunização – nestes casos, as pessoas receberam uma vacina ainda não recomendada para a sua faixa etária: AstraZeneca, CoronaVac e Janssen.

Medeiros citou ainda um efeito adverso grave, em investigação, registrado pelo Estado de São Paulo. Um adolescente de 16 anos teria morrido depois de ser vacinado. A ligação entre o óbito e o imunizante não está comprovada. “Não sabemos se o paciente tinha outras comorbidades ou não, por isso está em investigação”, disse.

O ministério elenca outros pontos para justificar a decisão. O primeiro item diz que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a imunização de crianças e adolescentes com ou sem comorbidades. Na verdade, não há orientação contrária da entidade internacional para a vacinação dessa faixa etária. A recomendação da OMS é para que os menores de idade só sejam imunizados depois que todas as pessoas dos grupos de maior risco estejam vacinadas. No Brasil, a vacina já foi ofertada a pessoas mais vulneráveis à covid, como idosos, profissionais de saúde e pessoas com doenças crônicas, como transplantados, pacientes de câncer, diabéticos, entre outros.

O documento do ministério, assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, afirma que a maioria dos adolescentes sem comorbidades são assintomáticos ou apresentam poucos sintomas. No entanto, especialistas dizem que vacinar os mais jovens é uma estratégia importante para frear a transmissão do vírus.

Outro trecho da nota do ministério diz que “os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos”. A vacina da Pfizer, único imunizante autorizado no Brasil para uso em adolescentes, já foi amplamente testada nessa faixa etária. Outros países como Estados Unidos, Chile, Canadá, França e Israel também usam a Pfizer em adolescentes.

Rosana Leite de Melo assumiu a pasta de Enfrentamento à Covid-19 após a saída de Luana Araújo, que ficou poucos dias no cargo. Ela era defensora da vacinação em massa, crítica do uso da cloroquina (remédio sem eficácia contra o coronavírus) e chegou a falar em pressão política do governo Jair Bolsonaro. Nesta quarta-feira, 15, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que há “excesso de vacinas” no Brasil, após uma série de Estados enfrentarem crise de abastecimento do imunizante da AstraZeneca.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta, Queiroga criticou os Estados que vacinaram adolescentes antes da autorização oficial do ministério. “Essa vacina só deveria ter sido aplicada após o dia 15 de setembro”, disse. A recomendação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 era para vacinar primeiramente os adolescentes com comorbidades e os privados de liberdade.

“A vacinação (dos adolescentes) deveria ter começado ontem (quarta-feira). Sabe quantos (vacinados) já tem? Quase 3,5 milhões”, disse. Dados apresentados na coletiva mostram que 3.538.528 pessoas de 12 a 17 anos já foram imunizadas contra a covid-19. O número tende a ser ainda maior porque há uma demora entre a aplicação da vacina e o registro no sistema.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, afirmou que está em investigação um efeito adverso grave, registrado pelo Estado de São Paulo. Um adolescente de 16 anos teria morrido depois de ser vacinado. A ligação entre o óbito e o imunizante não está comprovada. “Não sabemos se o paciente tinha outras comorbidades ou não, por isso está em investigação”, afirmou.

Estados criticam decisão

Nésio Fernandes, secretário de Saúde do Espírito Santo e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) na região Sudeste, disse, no Twitter, que a nota é “vaga” porque não suspende nem contra-indica a vacinação de adolescentes. Ele falou também que a competência para autorizar ou não o uso de imunobiológicos é da Anvisa.

De acordo com Fernandes, o Conass e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) enviaram uma nota conjunta ao presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, pedindo um posicionamento ao órgão. Ele afirmou que o Conass não pediu a suspensão da vacinação de adolescentes ao ministério, mas a priorização da dose de reforço aos idosos.

Em nota, o governo de São Paulo disse lamentar a decisão do Ministério da Saúde, “que vai na contramão de autoridades sanitárias de outros países”. “A vacinação nessa faixa etária já é realizada nos EUA, Chile, Canadá, Israel, França, Itália, dentre outras nações. A medida cria insegurança e causa apreensão em milhões de adolescentes e famílias que esperam ver os seus filhos imunizados, além de professores que convivem com eles”, declarou a gestão do governador João Doria (PSDB).

O Estado disse ainda que “coibir a vacinação integral dos jovens de 12 a 17 anos é menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público”. “Três a cada dez adolescentes que morreram com covid-19 não tinham comorbidades em São Paulo. Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais.”

Em São Paulo, a vacinação de adolescentes começou no dia 18 de agosto. De lá para cá, foram imunizadas 2,4 milhões de pessoas, 72% do público, informou o Estado. “Infelizmente, e mais uma vez, as diretrizes do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde chegaram com atraso e descompassadas com a realidade dos estados, que em sua maioria já estão com a vacinação em curso.”

Brasil mais uma vez vira chacota mundial

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A Organização das Nações Unidas poderá pedir passaporte de vacinação para os presentes em sua próxima reunião. Como o presidente Jair Bolsonaro ainda não se vacinou e colocou sob sigilo sua caderneta de vacinação por 100 anos, caso a obrigatoriedade seja aprovada, ficará de fora. O assunto virou chacota internacional.

O debate sobre segurança pública no RN precisa sair do rame-rame de sempre

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Cabe a oposição bater no poder. Nas democracias liberais funciona assim, através também de tal controle político. Inicialmente, a oposição ao governo Fátima apostou no atraso das folhas e não aconteceu. E, com o pagamento de três folhas em aberto da gestão anterior, o tema da violência retorna.

Trata-se de pauta antiga do RN. Porém, o debate tem assentamento precário. Primeiro, apesar de contarmos com grandes especialistas na UFRN e fora dela, eles não existem na esfera pública potiguar – são sumidos. Como este blogueiro não é especialista no assunto, portanto, fica curioso para saber sobre uma real comparação e análise evolutiva – com fundamentos – a respeito do tema.

É óbvio que a violência não será zerada. Para que o debate seja sério, nos últimos anos, deveríamos saber se tivemos uma melhora ou piora nas estatísticas. Os investimentos aumentaram ou diminuíram? Quais os gargalos?

Porém, nada disto é devidamente confrontado e caímos no rame-rame de sempre. A oposição e a imprensa antipetista começam a citar casos de violência, dando publicidade a eles como sinônimo de incremento da criminalidade. Com o discurso alarmante e não resolutivo de sempre – a gente não tem paz, é preciso endurecer, a culpa é dos direitos humanos, etc -, eles servem sobretudo para circular nas redes sociais. Aí o governo reage, enviando releases sobre operações policiais e mostrando que a polícia está trabalhando como maneira de fazer frente na guerra de opinião. E uma visão de conjunto sobre o assunto nem sequer chega a ser tangenciada.

Como o debate é imprescindível para o despertar da sociedade sobre o problema e a posterior geração de políticas públicas, a questão da violência vai ficando, na prática, como uma agenda que todo mundo fala, mas que não é refletida de fato.

Governo revisa inflação no ano de 6,2% para 8,4%, e conta deve estrangular Orçamento de 2022

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(FOLHAPRESS) – O Ministério da Economia revisou nesta quinta-feira (16) a projeção oficial para o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no encerramento de 2021 de 6,2% para 8,4%. A piora no indicador pressiona o teto de gastos, que limita as despesas do governo, e deve provocar um estrangulamento nas contas de 2022.

O relatório da pasta mantém a estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano em uma alta de 5,3%.Publicidadex

Para formular o projeto de Orçamento do próximo ano, enviado ao Congresso no fim de agosto, o governo estimou que INPC seria de 6,2% em 2021. A projeção era considerada defasada por integrantes do Ministério da Economia e também pelo mercado, que já esperava um resultado mais elevado, superior a 8%.

Para cada 0,1 ponto percentual adicional de INPC, o governo estima que seus gastos seriam ampliados em R$ 790 milhões no ano. Isso porque despesas públicas, como aposentadorias e pensões, são corrigidas pela inflação.

Portanto, a atualização das projeções deve representar um gasto adicional de R$ 17,4 bilhões em 2022.

O problema é que Orçamento do ano que vem foi elaborado ocupando todo o espaço do teto de gastos. Por isso, aumentos na projeção de gastos precisam ser compensados com cortes em outras áreas.

O presidente Jair Bolsonaro quer um novo programa social, chamado de Auxílio Brasil, com verba de aproximadamente R$ 18 bilhões acima do que o Bolsa Família tem atualmente. O programa ampliado não foi previsto no Orçamento por falta de espaço.

O aperto nas contas foi impulsionado pela explosão da conta de precatórios –dívidas do governo reconhecidas pela Justiça e sem possibilidade de recurso. Esse gasto saltou de R$ 54 bilhões neste ano para R$ 89 bilhões em 2022.

Para solucionar o problema e encontrar espaço para o novo Bolsa Família, o governo espera que o Congresso autorize o parcelamento de uma parte de seus débitos judiciais. Com a medida, o Executivo pretende reduzir em R$ 33,5 bilhões a previsão de gastos em 2022.

Estimativas de pesquisadores apontam, porém, que o governo pode ter dificuldade em encontrar recursos para o programa social mesmo que consiga cortar gastos com precatórios.

O Ibre FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) calcula que o INPC encerrará o ano em 9,1%. Nesse cenário, o projeto de Orçamento precisa ser ajustado, prevendo um aumento nos gastos do governo de quase R$ 23 bilhões.

Ou seja, da folga no Orçamento após o adiamento de precatórios, sobrariam R$ 10,5 bilhões –menos do que o plano do governo para o novo programa social.

Além dos gastos na área social, Bolsonaro espera usar o espaço nas contas para outras medidas populares em ano eleitoral, como reajuste para servidores e obras públicas.

Portanto, a aceleração da inflação compromete a expectativa do governo para conseguir um alívio no Orçamento cujo objetivo é conseguir dinheiro para gastos com viés eleitoral.

E ficamos assim

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O cenário político gerado pela condição de pós-verdade é impressionante. Um órgão do próprio governo – a CGU – atesta superfaturamento nos contratos das emendas secretas, mas os membros da base da própria agem como se o problema fosse mera invenção da mídia e, portanto, não existisse. E ficamos assim.

Leia aqui.

Investigada na CPI da Covid, Prevent Senior ocultou mortes em estudo sobre cloroquina apoiado por Bolsonaro

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Da Globo News – G1 – O plano de saúde Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram de um estudo realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19, aponta um dossiê ao qual a GloboNews teve acesso.

A pesquisa foi apoiada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e é usada pelos defensores da cloroquina para justificar a prescrição do medicamento.

A CPI da Covid recebeu um dossiê com uma série de denúncias de irregularidades, elaborado por médicos e ex-médicos da Prevent. O documento informa que a disseminação da cloroquina e outras medicações foi resultado de um acordo entre o governo Bolsonaro e a Prevent. Segundo o dossiê, o estudo foi um desdobramento do acordo.

A CPI ouviria nesta quinta-feira depoimento do diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, mas ele informou que não vai comparecer.

O vídeo abaixo, de abril deste ano, mostra denúncias de irregularidades feitas por ex-médicos da Prevent Senior. Eles contaram ter sido obrigados a trabalhar mesmo infectados com Covid-19 e a testar “kit Covid” em “cobaias humanas”.

Médicos denunciam irregularidades na Prevent Senior

Médicos denunciam irregularidades na Prevent Senior

A reportagem da Globonews teve acesso à planilha com os nomes e as informações de saúde de todos os participantes do estudo. Nove deles morreram durante a pesquisa, mas os autores só mencionaram duas mortes.

Um médico que trabalhava na Prevent e mantinha contato próximo e frequente com os diretores da operadora na época afirmou à GloboNews que o estudo foi manipulado para demonstrar a eficácia da cloroquina. Segundo ele, o resultado já estava pronto bem antes da conclusão do estudo.

Áudios, conversas em aplicativos de mensagens e dados contraditórios relativos à pesquisa – divulgados pela própria Prevent e apoiadores do estudo, como Bolsonaro – reforçam a suspeita de fraude.

A operadora informou, por nota, que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários” (leia mais abaixo).

Mortes escondidas

A pesquisa começou a ser feita em 25 de março. Em uma mensagem publicada em grupos de aplicativos de mensagem, o diretor da Prevent, Fernando Oikawa, fala pela primeira vez do estudo e orienta os subordinados a não avisar os pacientes e familiares sobre a medicação.

“Iremos iniciar o protocolo de HIDROXICLOROQUINA + AZITROMICINA. Por favor, NÃO INFORMAR O PACIENTE ou FAMILIAR, (sic) sobre a medicação e nem sobre o programa”, dizia mensagem do diretor da Prevent.

Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina. Dois estavam no grupo que não ingeriu as medicações. Há um paciente cuja tabela não informa se ingeriu ou não a medicação.

Houve, portanto, pelo menos o dobro de mortes entre os participantes que tomaram cloroquina. Para preservar as identidades, a reportagem vai mencionar apenas as iniciais, o sexo e a idade dos que morreram.

Grupo que tomou cloroquina:

– H. S., 79 anos, sexo feminino;
– H. M. P., 85 anos, sexo masculino;
– J. A. L., 62 anos, sexo masculino;
– R. A. V., 83 anos, sexo masculino;
– M. C. O., 70 anos, sexo feminino;
– F. S., 82 anos, sexo masculino.

Grupo que não tomou cloroquina:


– H. H. K., 68 anos, sexo masculino;
– L. F. R. A., 82 anos, sexo feminino,

Sem informações se ingeriu ou não cloroquina:

– D. L., 66 anos, sexo masculino.

Bolsonaro postou sobre estudo

O primeiro documento relativo ao estudo foi um pré-print divulgado em 15 de abril de 2020. Os pré-prints são a primeira versão de uma pesquisa e precisam ser revisados por outros cientistas independentes.

No artigo, o coordenador do estudo, o cardiologista Rodrigo Esper, diretor da Prevent Senior, menciona a ocorrência de apenas duas mortes no grupo que usou as medicações. Os óbitos, segundo o artigo, foram provocados por outras doenças, sem relação com o coronavírus ou com as medicações.

“Não houve efeitos colaterais graves em pacientes tratados com hidroxicloroquina mais azitromicina. Dois pacientes do grupo de tratamento morreram durante o acompanhamento; a primeira morte foi devido à síndrome coronariana aguda e a segunda morte devido a câncer metastático.”

Não há, no entanto, entre as vítimas ninguém com as doenças mencionadas pelos coordenadores.

Três dias depois, em 18 de abril, o presidente Jair Bolsonaro fez uma postagem no Twitter sobre o estudo. Citando a Prevent Senior, menciona a ocorrência de cinco mortes entre os pacientes do estudo que não tomaram cloroquina e nenhum óbito entre os que ingeriram as medicações.

Segundo o CEO Fernando Parrillo, a Prevent Senior reduziu de 14 para 7 dias o tempo de uso de respiradores e divulgou hoje, às 1h40 da manhã, o complemento de um levantamento clínico feito: de um grupo de 636 pacientes acompanhados pelos médicos, 224 NÃO fizeram uso da HIDROXICLOROQUINA. Destes, 12 foram hospitalizados e 5 faleceram. Já dos 412 que optaram pelo medicamento, somente 8 foram internados e, além de não serem entubados, o número de óbitos foi ZERO. O estudo completo será publicado em breve!”, escreveu Bolsonaro.

Orientação dada a pesquisadores

No mesmo dia 19 de abril, Esper postou uma mensagem de áudio no grupo de pesquisadores do estudo para orientá-los quanto à revisão dos dados dos pacientes. Ou seja, quatro dias depois da publicação do artigo científico com os resultados, estes mesmos resultados ainda não haviam sido revisados.

No áudio, Esper cita a mensagem do presidente sobre o estudo. Acrescenta, ainda, que os dados precisam ser “assertivos”, “perfeitos”, para que não haja contestação. E finaliza, argumentando que esse estudo vai “mudar o curso da medicina”.

“Oi pessoal, tudo bem? É o Esper falando, tá, eu tô aqui com o (Fernando) Oikawa. Seguinte, a gente precisa revisar esses dados no máximo até amanhã, de todos os pacientes, então botei mais força aqui no grupo. Esses dados, são os dados… a gente tá revisando todos os 636 pacientes do estudo. Já tem mais ou menos uns 140 revisados, mas a gente precisa fazer a força-tarefa pra acabar isso amanhã. Só que a gente precisa olhar tudo. Se teve eletro (eletrocardiograma) ou não, se teve alteração no intervalo QT ou não, se fez swab pra Covid sim ou não. Então vamos programar uma live hoje, às 17h, com todos aqui desse grupo… O Fernandão (Oikawa) vai mandar o link aqui e aí a gente vai estabelecer os critérios e a gente vai pensar na tabela, estabelecer os critérios, e todos vão coletar os dados, e aí com umas seis pessoas, aí dá tipo 100 pacientes pra cada um, nem que a gente coloque mais gente aqui. O Fernando vai recrutar pelo menos mais dois colegas para colocar, pode ser essa colega aí do pronto-socorro, mas o dado precisa ser assertivo e perfeito porque o mundo tá olhando pra gente, tá? Esses dados vão mudar a trajetória da medicina nos próximos meses aí no mundo, tá bom? O (microbiologista francês) Didier Raoult, eu entrei em contato com ele ontem, ele citou o nosso trabalho no Twitter, eu respondi ele, e então a gente precisa ser perfeito, o dado, tá? Até o presidente da República citou a gente. Esse áudio tem que ficar aqui, não pode sair. Então, vamos reunir às cinco horas hoje, numa videoconferência, todos, pra gente ajustar os parafusos e todo mundo falar a mesma língua e ter um levantamento perfeito do dado.

O cientista francês Didier Raoult coordenou um dos primeiros estudos no mundo sobre a cloroquina. Inicialmente, segundo os autores, a pesquisa teria indicado a eficácia da cloroquina para reduzir internações por Covid, mas o levantamento foi muito questionado pela comunidade científica.

O próprio Raoult, meses depois, veio a público dizer que seu estudo não é capaz de indicar a eficácia da medicação.

O resultado do estudo da Prevent foi divulgado dias depois que outro estudo semelhante, realizado em Manaus, foi suspenso em razão da morte de pacientes que ingeriram cloroquina. A pesquisa também não encontrou evidências da eficácia da medicação.

Outro estudo iniciado na época envolveu algumas das principais instituições de saúde do país, como os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, mas a conclusão também foi de que a cloroquina não é eficaz contra a Covid. Restou, portanto, apenas o estudo da Prevent.

A análise da planilha dos pacientes do estudo mostra que, dos 636 participantes, apenas 266 fizeram eletrocardiograma, que é recomendado para pacientes tratados com cloroquina, pelo risco de problemas cardíacos. Uma das pessoas que morreu, um homem de 83 anos, tomou cloroquina e apresentou arritmia cardíaca, que é um dos efeitos colaterais possíveis da medicação.

Além disso, apenas 93 pacientes (14,7% do total) realizaram teste para saber se estavam com Covid ou não. Foram 62 casos positivos, menos de 10% do total de participantes.

Comissão de ética suspendeu pesquisa

O estudo chegou a ser submetido à Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e aprovado, mas o órgão suspendeu a pesquisa por constatar que a investigação começou a ser feita antes da aprovação legal.

Até hoje, no entanto, o estudo é usado pela própria Prevent Senior para justificar a prescrição da cloroquina aos seus associados. Ao longo da CPI, foram várias as menções.

Subnotificação de mortes por Covid

Além das suspeitas que recaem sobre o estudo, há indícios de que a operadora subnotificou mortes por Covid ocorridas em suas unidades. A GloboNews conversou com outra médica que trabalhou na Prevent e afirmou que essa prática tem ocorrido desde julho de 2020.

Em uma mensagem enviada a grupos de aplicativos, outro diretor da Prevent determina aos coordenadores das unidades que alterem o código de diagnóstico (CID) dos pacientes que deram entrada com Covid-19 após algumas semanas de internação.

“Após 14 dias do início dos sintomas (pacientes de enfermaria/apto) ou 21 dias (pacientes com passagem em UTI/Leito híbrido), o CID deve ser modificado para qualquer outro exceto o B34.2 (código da Covid-19) para que possamos identificar os pacientes que já não tem mais necessidade de isolamento. Início imediato.”

A justificativa é viabilizar o isolamento dos pacientes, mas a alteração do CID, segundo a médica, faz com que o diagnóstico de Covid desapareça de um eventual registro de óbito.

GloboNews conseguiu comprovar dois casos em que a Covid foi omitida da declaração de óbito dos pacientes. O primeiro deles é de um homem que foi internado em novembro de 2020 na unidade da Prevent Senior do Itaim, Zona Sul da capital paulista. Ao dar entrada no hospital, o exame PCR deu positivo para Covid.

Os médicos, então, prescreveram as medicações do chamado kit Covid, como cloroquina, ivermectina e azitromicina. Ele já havia ingerido essas medicações antes mesmo de ser internado e voltou a recebê-las no hospital. Também foi submetido a cerca de 20 sessões de ozonioterapia.

Segundo a Conep, a ozonioterapia só pode ser feita em pesquisas experimentais por instituições credenciadas. O órgão informou que a Prevent não está credenciada.

O paciente ficou dois meses internado e morreu após ter uma hemorragia digestiva. A Covid, doença que desencadeou a morte, foi omitida da declaração de óbito

O outro caso é de uma paciente que também morreu após ficar internada na Prevent Senior para tratar um quadro de Covid. Ela recebeu as medicações do kit Covid, mas o quadro não melhorou. Na declaração de óbito, a Covid também foi omitida.

Investigações

Prevent Senior é investigada desde março pelo Ministério Público de São Paulo, que abriu um inquérito civil após uma reportagem da GloboNews mostrar 12 relatos de associados do plano que estavam recebendo o kit covid. Parte deles nem sequer tinha diagnóstico confirmado de Covid-19.

Em abril, outra reportagem da GloboNews trouxe relatos de médicos que trabalharam na operadora. Eles disseram que foram coagidos a prescrever os remédios do kit covid e que foram forçados a trabalhar enquanto estavam infectados com o novo coronavírus. Tudo isso foi incluído na investigação da promotoria.

O MP também investiga o uso de medicações sem eficácia comprovada, como flutamida, etanercepte, heparina inalatória e ozonioterapia. DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo) e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também abriram investigações.

A reportagem teve acesso a uma página usada como guia por médicos da área de telemedicina da Prevent. A página contém uma planilha atualizada com os nomes dos pacientes e as medicações recebidas.

É possível ver que a cloroquina e a ivermectina continuam sendo prescritas mesmo após o Ministério da Saúde ter declarado que o medicamento não funciona, o próprio ministro Marcelo Queiroga ter desaconselhado o uso das medicações e depois de estudos amplos de meta-análise indicarem que a cloroquina pode provocar um aumento das mortes de pacientes, e não a redução.

O mesmo guia ainda mostra que a Prevent Senior continua testando outras duas medicações nos pacientes. A bicalutamida, um inibidor de hormônios masculinos, contraindicado para mulheres, e a chamada “Pílula do Açaí”.

Irregularidades

A CPI da Covid recebeu já denúncias formais que afirmam que a operadora de saúde e o governo federal fizeram um acordo, no início da pandemia do coronavírus, para testar e disseminar as medicações do kit covid.

O documento cita uma série de irregularidades que, segundo os médicos, foram praticadas pela empresa, e reveladas pela GloboNews e o G1 em abril deste anoO Ministério Público abriu investigação.

A Prevent Senior afirmou, por meio de nota, que sempre atuou “dentro dos parâmetros éticos” (leia mais abaixo).

O primeiro desdobramento do acordo entre a Prevent e governo federal, segundo a denúncia, foi a pesquisa feita com mais de 600 pacientes para testar a eficácia da hidroxicloroquina contra a Covid-19, realizada entre março e abril do ano passado. O resultado teria sido manipulado para que os resultados fossem favoráveis ao uso da cloroquina contra a doença.

A denúncia afirma ainda que a Prevent realizou uma série de tratamentos experimentais em seus pacientes, muitas vezes sem que houvesse consentimento deles. O texto diz que pacientes foram usados como “cobaias humanas” para testar medicações contra a Covid.

Em nota, a Prevent diz que “sempre atuou dentro dos parâmetros éticos e legais e, sobretudo, com muito respeito aos beneficiários. Todas as dúvidas e questionamentos formulados pela CPI foram devidamente esclarecidos junto às autoridades competentes”.

O que diz a Prevent Senior

Em nota, a operadora negou e repudiou as denúncias, e disse que está tomando medidas para investigar quem, segundo a empresa, “está tentando desgastar a imagem da Prevent Senior”.

Disse ainda que os médicos sempre tiveram a autonomia respeitada, e que atuam com afinco para salvar milhares de vidas.

A empresa reiterou que os números à disposição da CPI demonstram que a taxa de mortalidade entre pacientes de Covid-19 atendidos por seus profissionais de saúde é inferior as demais.

Governo do RN paga mais uma folha em aberto da gestão anterior

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O anúncio foi feito pela própria governadora Fátima Bezerra em suas redes sociais.

Das quatro folhas de servidores recebidas da gestão anterior, resta apenas mais uma em aberto.