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O dia 12 e o salto alto contra Bolsonaro

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Não cabe negar a existência de muitos e justificados ressentimentos. O Movimento Brasil Livre trabalhou pelo bolsonarismo antes da existência concreta de Jair Bolsonaro. Eles invadiram museus, universidades e hospitais e criminalizaram, entre outras áreas, a docência no país.

Mas o que está em questão de fato nessa divisão sobre o dia 12 de Setembro em relação ao ato contra Bolsonaro puxado pelo MBL, e que as esquerdas já disseram que não vão, é que a bandeira do antibolsonarismo será provavelmente muito forte em 2022. Desta forma, ninguém quer correr o risco de dividir tal espólio, ainda mais com ex-apoiadores de Jair Bolsonaro como o MBL.

À oposição mais viável hoje contra Bolsonaro – o PT – também não interessa um processo de impeachment, já que ele, possivelmente, abriria caminho para a tão sonhada “terceira via”, hoje cantada em verso e prosa pela imprensa, partidos de centro direita e setores dos mercados. Prefere manter Bolsonaro sangrando no cargo.

O problema é que há salto alto nessa visão. A reeleição de Jair Bolsonaro é muito difícil. Porém, é preciso ponderar que 2022 ainda não é prego batido, ponta virada. O presidente continuará na sua incursão pelo desgaste das instituições e não se sabe exatamente em que cenário nós iremos chegar.

As esquerdas têm protagonismo e pessoal para sobrepujar qualquer movimento, pois as ruas estão aí para todos. Há um erro de concepção – intencional? – ao aceitar que o protesto é de propriedade de A, B ou C. Não faz sentido.

Um ato posterior e menos consistente do que o de 7 de Setembro pode funcionar como discurso de revitalização para Jair Bolsonaro. Pode não, vai. Seria hora de fazer aquilo que se chama em eleição de interior de “apagar o rastro” – uma manifestação maior e mais organizada. Com o titubeio, Bolsonaro ganha tempo como um precioso recurso para o seu projeto de arregaçar as instituições e brincar de pequeno Trump. Um presidente que ficou mais de um ano, mandando os seus eleitores para a morte numa pandemia, através da falsa promessa de cura a partir da prescrição de remédios ineficazes, não deveria receber uma colher de chá como essa.

Como Bolsonaro fez sua base de idiota no dia 7 de setembro e, diante da crise contratada, sacou o inimigo imaginário para manter a seita coesa

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O presidente Jair Bolsonaro passou semanas, agitando sua base em prol da apresentação do Supremo Tribunal Federal como problema do Brasil. Comícios quase que diários com tal perspectiva.

A base atendeu e pediu o fechamento do STF e/ou a retirada de ministros.

Muito foi gasto em tempo, recurso e organização e o dia 7 de setembro saiu do papel. Manifestantes queriam as cabeças de ministros. Jair Bolsonaro alegou, em discurso em São Paulo, que não mais iria obedecer ao que viesse do STF. Agora é a hora, bradou o presidente. A galera foi ao delírio.

Mercados reagiram mal diante de uma economia cambaliante e abandonada. O presidente do supremo Luiz Fux alegou que existia crime de responsabilidade. A imprensa chamou os atos pelo nome – antidemocráticos. O congresso também não deixou por menos e Bolsonaro perdeu alguns partidos, que saíram de vez da base.

Dois dias depois, Jair Bolsonaro assina uma carta redigida pelo ex-presidente Michel Temer, um dos expoentes do sistema que ele diz combater, e pede desculpas aos ministros do supremo.

O militante se sente lesado. Afinal, foi, se engajou e esperava a prometida reciprocidade.

A oposição endossa o sentimento do bolsonarista com chacota – sim, você foi idiotizado.

A base cobra satisfação do presidente.

E Jair Bolsonaro e seus influencers sentenciam – foi um recuo estratégico para deixar a esquerda com raiva, que queria o presidente fizesse o que ele ficou semanas prometendo e o que vocês endossaram, mas ele não fez.

TRÊS CAMINHOS

Existiam três possibilidades:

  1. Tanto o militante, como Bolsonaro, entenderem que essas movimentações são infrutíferas no sentido de construir qualquer coisa de positiva e passarem a jogar dentro do sistema. Afinal, a crise é muito grande e do, jeito que vai, Bolsonaro caminha para uma derrota em 2022;
  2. O militante abandona o presidente por se sentir traído. Afinal, os caras foram feitos de bobos;
  3. A base bolsonarista adere a estratégia do inimigo imaginário sempre lançada pelo presidente, para continuar com o seu jogo guerra cultural, ameaças e recuos (e posterior renovação do ciclo).

Sim, todos sabemos o resultado. Pelo que é possível acompanhar nas redes sociais, a maioria foi pelo ponto três. E, não importa o que ocorra, crise, enganações, erros, corrupção, mortos na pandemia, etc, o nucleo duro bolsonarista, tão ou mais radical do que o seu presidente, irá com ele até o fim.

É a já bem mapeada roda do populismo que gira entre um líder e seu militante, que se consideram o povo por excelência e qualquer postura diante disso é encarado como excrescência. Bolsonarismo é seita, isto é, uma comunidade autorreferida que se informa apenas entre eles e nada do que vem de fora é aceito como real, verdade ou humano. A criação de moinhos de vento e de inimigos servem para blindar o movimento.

Em resumo, Bolsonaro utilizará esses seus 20%, 25% para ameaçar o sistema, tentar melar as eleições e salvar a família dos processos que já começam a chegar. Outros 7 de setembro virão.

Anúncio pelo governo Fátima do calendário de quitação das folhas em aberto deixa oposição sem discurso objetivo para 2022

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Conforme é possível ver na postagem do secretário de planejamento abaixo, Aldemir Freire, o governo do Estado anunciou a quitação das folhas dos servidores herdadas da administração anterior. Já foram duas efetivamente pagas e as outras duas anunciadas. Com isso, a oposição ficará sem discurso objetivo para 2022.

O governo Fátima Bezerra terá na sua vitrine para apresentar no próximo pleito, o fato de ter recuperado a normalidade administrativa e financeira do Estado do RN, através de reformas no âmbito da previdência, implementação de teto de gastos e outras mudanças, tais como, por exemplo, o Proedi, novo programa de incentivo às indústrias do RN. Quem apostou que a coisa iria degringolar de vez perdeu.

E não adiantará dizer que a organização se deu pelo envio de recursos federais. Durante a campanha, Fátima dirá mais uma vez aquilo que é a verdade do cenário – o congresso aprovou durante a pandemia a reposição de perdas de arrecadação, ou seja, não há recurso extra. Há, isto sim, a manutenção da mesma arrecadação que governos anteriores tiveram. E, com os mesmos recursos, as folhas foram organizadas, fornecedores voltaram a receber e serviços públicos passaram pelos processos de normalização.

Sim, também o RN recebeu recursos diretos para o enfrentamento da covid-19. Porém, se você vive nessa realidade, sabe que eles não foram suficientes para a abertura de hospitais, sendo necessários recursos próprios do governo estadual.

E por qual razão falo numa análise “objetiva”? Pelo fato de que uma parcela do eleitorado simplesmente, ao menos até 2022, não vai se guiar pela realidade concreta. Para cerca de 1/5 do eleitorado, não importa o que o governo faça, eles não votarão no PT. E é um voto que Fátima já não teria. Eles tentarão alegar que tudo que aconteceu até agora de positivo na perspectiva de reorganização estadual da máquina pública ocorreu pela responsabilidade de Jair Bolsonaro. Ora, não faz sentido pelo caminhar dos acontecimentos e nem do ponto de vista político, pois o mesmo presidente que abre uma crise política e econômica ímpar no Brasil, é apontado como o benemérito potiguar. Só que, como já foi deixado claro, cobrar lógica dessa parcela é inócuo.

Diante de sua base e de eleitores médios, aqueles sem militância direta concreta e que premia bons governos com a reeleição e os ruins com derrota, o governo ficará bem na fita. E será com eles que Fátima dialogará, através de uma comparação entre sua gestão e as anteriores que deixará a oposição em situação difícil para 2022.

Os demais candidatos não terão o que alegar, sendo mais provável que se coloquem como independentes em relação a qualquer aproximação com grupos políticos locais. Ainda assim, pela parte da nacionalização da campanha, esses grupos de oposição terão de caminhar colados em Jair Bolsonaro, o que os aproximará também da vinculação com gestões anteriores em alguma medida.

A perspectiva, este blogueiro acredita, será de manutenção do mandato da governadora Fátima Bezerra, pois o raciocínio retrospectivo-comparativo será preponderante em âmbito local.

As reações do bolsonarismo sobre o recuo do presidente vão de traição até a ideia de que Bolsonaro é um gênio da estratégia

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Nos grupos do telegram do bolsonarismo as reações sobre o recuo do presidente Jair Bolsonaro em relação aos seus ataques no último 7 de setembro vão de:

  1. traição por ter feito as pessoas saírem de casa e depois ter voltado atrás. Esses eleitores querem confronto e compraram a versão de que o problema do Brasil é a existência de um Supremo livre. Tais cidadãos Bolsonaro tem forte perspectiva a perder o controle sobre eles;
  2. Passando por conspirações sobre a possível prisão de Bolsonaro. Nessa linha, Bolsonaro recuou porque está sendo chantageado e temendo a prisão de seus filhos;
  3. Chegando até a ideia de que o presidente é um gênio da estratégia e que os militantes são incapazes de compreender os passos do presidente. E só resta confiar no mito. Aqui, a esquerda é mobilizada como inimigo imaginário. Diz o refrão, se a esquerda ficou com raiva pela marcha à ré, logo Bolsonaro acertou. Ora, trata-se de uma inverdade. Ninguém ficou com raiva do recuo do presidente. O que se aponta é a patacoada da operação.

Há um messianismo de fundo que faz do presidente alguém que “escreve certo por linhas tortas” e um simples cristão é “incapaz de alcançar”. Surge daí uma confiança cega.

Na prática, porém, o que ocorre de concreto é que o presidente leva a sua base dura para a defesa de um desgaste paulatino das instituições. Ele sabe que uma vitória eleitoral em 2022 é bastante difícil. A crise econômica é muito grande e presidentes não se reelegem com fome, inflação e desemprego. Simplesmente não ocorre. Será assim até 2022 – esticando, cortando a corda e depois, na medida do possível, tentando reatar laços.

Parte de sua base vai com ele até o fim, dado que é uma comunidade autorreferida. A única informação que vale é que sai deles e circula entre eles. Uma organização semelhante às seitas religiosas extremistas.

Bolsonaro usa teoria conspiratória Qanon dos EUA para atacar ministro Barroso

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O presidente Jair Bolsonaro adaptou a teoria conspiratória Qanon da extrema direita criada nos EUA contra o ministro Barroso. Ontem, em seu suposto recuo na live de quinta feira, ele disse: “Barroso, as urnas são penetráveis, penetráveis”.

A teoria Qanon prega a existência de uma conspiração nos EUA pelo partido democratas em que há a proteção de práticas sexuais e pedófilas desempenhada por políticos e empresários.

Barroso, em duro discurso também na quinta feira, defendeu o sistema eleitoral e disse que as desconfianças contra as urnas foram fabricadas por uma campanha de desinformação advinda de Bolsonaro. E disse que ele era um farsante.

Quem ainda apoia um negócio como esse?

Bolsonaro elogia a China, pede desculpas ao STF e ensaia recuo publicando texto redigido por Michel Temer

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Além da “declaração à nação”, texto redigido pelo ex-presidente Michel Temer em que pede desculpas ao STF, o presidente Jair Bolsonaro também elogiou a China em declarações aos países que compõem os brics. Segundo ele, a China é um importante parceiro comercial e país fundamental na distribuição de insumos para a fabricação de vacinas no país.

Foi um recuo tático, diante da debandada de partidos de sua base e pressão dos demais poderes. Assim como nas vezes anteriores, voltará a carga já já. Apostar em moderação de Bolsonaro é derrota certa.

Do G1 – O presidente Jair Bolsonaro divulgou nesta quinta-feira (9) um texto intitulado “Declaração à Nação” no qual afirma que nunca teve “intenção de agredir quaisquer dos poderes”. Segundo o texto, “as pessoas que exercem o poder não têm o direito de ‘esticar a corda’, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”.

Em ato político na última terça-feira (7), em São Paulo, Bolsonaro afirmou que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. “Dizer a vocês que, qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais”, declarou Bolsonaro a um público de apoiadores. O presidente da República chegou a fazer uma ameaça ao presidente do STF, ministro Luiz Fux: “Ou o chefe desse poder enquadra o seu [Alexandre de Moraes] ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos”.

A divulgação da “Declaração à Nação” foi um conselho a Bolsonaro do ex-presidente Michel Temer. Na manhã desta quinta, Bolsonaro mandou um avião para São Paulo, a fim de buscar o ex-presidente para um almoço no qual discutiram a crise institucional. Temer orientou Bolsonaro a divulgar um “manifesto de pacificação”.

No texto, o presidente credita a crise institucional a “discordâncias” em relação a decisões de Alexandre de Moraes e afirma que essas questões “devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”.

Durante o encontro, no Palácio do Planalto, Temer promoveu um contato telefônico entre Bolsonaro e Moraes, ministro da Justiça no governo do ex-presidente e indicado por ele para o Supremo Tribunal Federal. Segundo informou a jornalista Delis Ortiz, da TV Globo, a conversa foi amena e teve caráter institucional.

“Quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”, afirmou Bolsonaro na declaração.

Segundo ele, houve “conflitos de entendimento” com decisões de Alexandre de Moraes no inquérito das fake news, que investiga a difusão de conteúdo falso na internet por militantes bolsonaristas.

“Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia”, afirmou o presidente.

Embora tenha feito ataques ao Supremo, Bolsonaro diz no texto que sempre esteve “disposto a manter diálogo” com os demais poderes da República.

Íntegra

Leia abaixo a íntegra do texto divulgado por Bolsonaro.

Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil

Em mensagem publicada nas redes sociais, Fátima Bezerra anuncia o pagamento de mais uma folha atrasada dos servidores; três já foram quitadas; só resta uma

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Mensagem da governadora Fátima Bezerra.

Meus amigos e minhas amigas,

Me reuni agora com o Fórum dos Servidores e gostaria de dividir com vocês uma boa notícia: nós já temos um calendário definido para o pagamento das folhas que foram deixadas em atraso pela gestão anterior!

Conseguirmos antecipar o pagamento que ocorreria em novembro e no dia 15 deste mês quitaremos a última parcela do décimo terceiro de 2018.

A última folha que restará da gestão anterior, a de dezembro de 2018, será paga em três etapas. Em 31 de janeiro de 2022 receberão os que ganham até R$ 3.500; em 31 de março os que estão na faixa salarial de R$ 3.501 a R$ 6.000; e em 31 de maio, os que ganham acima de R$ 6 mil.

Quanto ao décimo terceiro de 2021, um percentual a ser definido será pago dia 30 de novembro a todos os servidores e servidoras. Dia 23 de dezembro será concluído para os servidores que ganham até uma faixa salarial também a ser definida, e dia 04 de janeiro de 2022 concluímos para os demais.

Como vocês sabem, quatro folhas estavam atrasadas. Desde o começo do nosso Governo nós estabelecemos como principal prioridade a regularização do pagamento dos servidores, instituindo o calendário de pagamento e quitando as folhas atrasadas. É isso que estamos fazendo. Nunca atrasamos salários dentro da nossa gestão e estamos quitando as folhas herdadas da gestão anterior dentro do nosso mandato. Compromisso assumido e cumprido.

Isso é gestão que tem planejamento, foco, sensibilidade e respeito para com os servidores.

Vídeo de caminhoneiros comemorando estado de sítio no Brasil é só mais um exemplo de que a militância bolsonarista virou uma seita

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Os vídeos que viralizaram dos caminhoneiros em greve comemorando estado de sítio, uma fake news, só espanta se você ainda não viu gente defendendo mata piolho como proteção contra covid, que o aumento da gasolina ocorre por conta do ICMS ou que o STF não deixou Bolsonaro fazer nada na pandemia. Não há nada aí fora da curva. É o cotidiano de tais grupos políticos.

O bolsonarismo se transformou numa comunidade autorreferida, ou seja, só há comunicação entre eles e qualquer ação, informação ou alegação que venha de fora é logo desqualificada. O patinado brasileiro é invenção da mídia, a pandemia idem e tudo de ruim no Brasil é de responsabilidade de terceiros. O bolsonarismo tem lógica de seita.

O Brasil vive uma crise significativa e o presidente, razão de grande parte do revés, apaga o fogo com gasolina. Com o 7 de setembro, ele ultrapassou uma faixa de ataque às instituições que não tem como retornar. O que isto quer dizer: que ele chegou a um processo de radicalização em que ou vai ou racha. E o problema? É que seu núcleo mais extremista quer um nível de golpismo que o presidente tem vontade, mas não tem força para executar.

Não adianta esperar algo distinto. Bolsonaro continuará em sua jornada para tentar melar o processo eleitoral e é possível que sua militância alojada em realidade alternativa o deixe, não por decepção com os resultados das suas incursões, mas por esperar dele uma postura ainda mais radical que ele não é capaz de desempenhar.

Caminhoneiros bolsonaristas choram acreditando em fake news sobre estado de sítio

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Apoiador de Bolsonaro se emocionou ao comemorar falso
Apoiador de Bolsonaro se emocionou ao comemorar falso “estado de sitio” no Brasil (Foto: Reprodução)
  • Em vídeo, bolsonaristas comemoram suposta instalação de um “estado de sítio” no Brasil
  • Não houve implementação do estado de sítio após o 7 de setembro
  • Vídeos de apoiadores de Bolsonaro viraram motivo de piada nas redes sociais

Do Yahoo Notícias – Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgaram vídeos nas redes sociais comemorando a suposta instalação de um estado de sítio no país. As gravações foram feitas no final dos atos de 7 de setembro em Brasília.

Na quarta-feira (8), os vídeos viralizaram e viraram motivo de deboche nas redes sociais, isto porque nunca houve um estado de sítio no país.

Em um dos vídeos, um homem chora e, emocionado, comemora o suposto estado de sítio e agradece o presidente Jair Bolsonaro.

“Meus amigos, minhas amigas, de todo o Brasil, desculpem pela emoção, mas a nossa luta, a nossa garra, valeu a pena. Ficamos sabendo agora que o presidente da República Jair Messias Bolsonaro resolveu agir, e a partir de agora o Brasil está em estado de sítio. Desculpa”. Assista: 0:05 0:38   Bolsonarista se emociona com fake news sobre estado de sítio

Em outro, dois outros manifestantes se abraçam e, em meio a buzinaços, celebram a conquista do “estado de sítio”.

“Boa noite pessoal, estamos aqui direto de Brasília, com meu amigo lá de Lages, e conseguimos, fizemos parte, estado de sítio, vamos tirar os vagabundos de lá, conseguimos tirar os 11, fizemos nossa parte, viemos para Brasília, levantemos o cu da cadeira para Brasília fazer nossa parte, estamos aqui na concentração, participemos da história do Brasil, nós conseguimos gente, e trago essas notícias para vocês”. 

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter dito que convocaria o Conselho da República, que tem como prerrogativa deliberar sobre uma possível intervenção federal, o encontro não chegou nem sequer a acontecer. Não houve estado de sítio no Brasil.

A narrativa tentou ser implementada nas redes bolsonaristas, como grupos em aplicativos de mensagens. Mesmo sem qualquer veracidade, alguns acreditaram e comemorar em vídeos.

Veja os vídeos aqui.

Nas redes, apoiadores reagem mal à mensagem de Bolsonaro para caminhoneiros encerrarem bloqueios

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Do Estadão – “O povo pedia pelos caminhoneiros. Está aí a resposta”, disse um blogueiro bolsonarista em transmissão ao vivo da paralisação da categoria, na cidade de Poços de Caldas, divisa de Minas Gerais com São Paulo, por volta das 23h desta quarta-feira, 8. “Eles provavelmente estão seguindo orientações do Zé Trovão, que tem contato com essa turma”, completa. Caminhoneiros realizam protestos e bloqueios em estradas de ao menos 14 Estados do Brasil desde o fim da tarde de quarta-feira.

Entre grupos bolsonaristas, confusão e negação sucederam os momentos após a divulgação do áudio do presidente Jair Bolsonaro no fim da noite desta quarta-feira pedindo para que caminhoneiros não fechassem as rodovias — um indicativo de que, apontam especialistas, há uma descrença do próprio bolsonarismo radical sobre a ausência de ações mais concretas do líder. A mensagem do presidente circulou, mas teve rejeição entre apoiadores e lideranças do movimento, como o caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão.

“Presidente, o povo precisa do senhor. Estivemos na rua em maio, no dia 1º de maio, 15 maio, 1º de agosto. O senhor é nossa última salvação, porque estamos do lado do senhor. Vamos trancar todo o Brasil porque estamos do lado do senhor”, argumentou, em vídeo publicado minutos após o áudio de Bolsonaro, já na madrugada da quinta-feira, 9. Antes, Zé Trovão convocou os caminhoneiros para “fecharem tudo” a partir das 6h, na quinta-feira.

Ainda que, poucos minutos após a divulgação do áudio do presidente, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, tenha confirmado a veridicidade da mensagem, apoiadores ainda não acreditavam no recuo do presidente.

“Circula uma história que o presidente da República estaria pedindo para acabar a mobilização dos caminhoneiros. Eu afirmo a vocês que é mentira”, disse o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) a manifestantes em Brasília na madrugada desta quinta-feira. “Quem entra numa guerra, precisa ter várias armas. A paciência eu sei que já se esgotou. Mas presta atenção: o presidente da República é um estrategista. Ele sabe o que faz.”

A confusão em torno da mensagem foi motivo de piada para o humorista Marcelo AdnetEm uma sátira publicada nesta madrugada, o artista postou um áudio em que pede para os caminhoneiros saírem da boleia dos caminhões e dançarem Macarena, o hit espanhol, até “aquele outro pedir para sair”, numa alusão ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, principal alvo das críticas do presidente.

Em conversas em aplicativos de mensagens instantâneas obtidas pelo Broadcast Político, integrantes de grupos bolsonaristas que ajudaram na mobilização para os atos do dia 7 de Setembro avaliam que Bolsonaro deve apoiar a continuidade do movimento dos caminhoneiros e não desestimular.

“Precisamos cobrar o presidente para que ele não recue e abandone nossos irmãos”, diz uma mensagem em um dos grupos de aliados. “Mesmo que tenhamos um desabastecimento momentâneo, a causa é muito maior”, diz outro apoiador.

Em Poços de Caldas, os manifestantes seguiram irredutíveis. Ruas fechadas, bloqueio apenas para caminhões. A partir das 6h, nada mais passaria. “Eu acho que Bolsonaro deu essa informação para não ocorrer num crime de responsabilidade”, comentou o blogueiro após receber a notícia de que o presidente pediu para os apoiadores recuarem do fechamento das rodovias.

Nos comentários da transmissão ao vivo, mensagens de frustração. “Era só ele ficar quieto e não desmobilizar o comando”, comentou um usuário. “Bolsonaro decepcionou”, lamentou outro. “Eu assisti ao vídeo do Tarcísio. Ele falando que não é hora. Qual é a hora?” questionou o blogueiro na live. “As pessoas pediram pelos caminhoneiros. Eu lembro que ficava incansavelmente no canal falando sobre manifestação, sobre paralisação e lembro que as pessoas diziam para chamar os caminhoneiros.”

Para João Guilherme, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), o movimento recente de bolsonaristas nas redes sociais mostra que há uma “saturação” do movimento com Bolsonaro. “Esses radicais aguardam uma ação mais concreta do próprio presidente contra as instituições. A crítica da Cristiane Brasil (filha de Roberto Jefferson) foi nesse sentido, e não à toa. Quando ela diz ‘Cadê o acabou, porra?’, ela reforça esse sentimento”, completa o pesquisador.

Como noticiou o Estadão na madrugada desta quinta-feira, após mais de três horas de negociação, policiais militares, agentes do Detran, da Secretaria de Segurança Pública e de fiscalização do DF legal não conseguiram desobstruir a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, bloqueada ao trânsito e ocupada por manifestantes bolsonaristas que invadiram a área para o ato de 7 de Setembro.

O deputado Otoni de Paula depois voltou atrás e pediu para que os caminhoneiros recuassem em Brasília. “Ou a gente confia no presidente que elegeu, ou a gente acha que ele é moleque e não vamos ficar do lado dele”.

Os manifestantes querem entregar ao presidente Jair Bolsonaro uma denúncia contra ministros do Supremo. O presidente irá receber os manifestantes, segundo Otoni de Paula.

“Muito da base radical bolsonarista age em movimentação de proteção ao seu líder, em um sistema de proteção a Bolsonaro. É uma reação à destruição de Bolsonaro”, avalia Esther Solano, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Complutense de Madri e pesquisadora do bolsonarismo.

De acordo com ela, um saldo do 7 de Setembro é a energização dos grupos de apoiadores radicais. “Bolsonaro esperava enviar uma mensagem de mobilização e dinamismo de sua base mais fiel e ele conseguiu uma certa mobilização. As pessoas mais radicais que entrevistamos que estiveram na manifestação apoiam totalmente o discurso antidemocrático dele porque a narrativa que compartilham é a de que Bolsonaro está sendo uma vítima do sistema e portanto o sistema deve ser combatido”, conclui.