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Base admite que deputados podem trair Michel Temer em votação na Câmara

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Agência Estado

Os partidos que formam o chamado “Centrão” – PP, PR, PRB, PSD e PTB – conseguiram dar 100% de seus votos na última quinta-feira, 13, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra a admissibilidade da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) que acusa o presidente Michel Temer de corrupção passiva, mas dificilmente o mesmo cenário se repetirá no plenário da Câmara. Aliados do governo admitem focos de resistência em suas bancadas para votar a favor do governo, inclusive no PMDB, mas esperam que a dissidência seja mínima na votação que definirá o futuro de Temer em agosto.

Juntos, PMDB, PR, PTB, PSD, PRB e PP admitem que aproximadamente 30 parlamentares podem votar contra o governo. O PSD tem o maior número de votos contra o governo até o momento (7), PMDB e PR contabilizam seis votos. Nesse grupo de dissidentes estão os excluídos da CCJ Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Delegado Waldir (PR-GO), Esperidião Amin (PP-SC), João Campos (PRB-GO), além dos deputados Tiririca (PR-SP) e Irajá Abreu (PSD-TO), filho da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). “A oposição grita, mas a maioria é governo”, minimizou o líder do PTB, Jovair Arantes (GO).

No plenário, a oposição acredita que pode conquistar os votos desses partidos que fecharam questão contra a denúncia. Na avaliação dos oposicionistas, metade das bancadas do PSD, PP e PRB é suscetível a traição. O bloco vislumbra que poderia convencer um terço das bancadas do PR e do PTB.

Ainda na contabilidade da oposição, a maioria do PSDB, do PPS e do PSB também devem caminhar para aprovar a denúncia. No PSB, por exemplo, dos 36 deputados da bancada, pelo menos 24 devem apoiar a admissão do pedido da PGR.

No PMDB, partido do presidente Michel Temer, dos 62 parlamentares da bancada, o líder Baleia Rossi (SP), afirma que 90% da bancada seguirá o fechamento de questão determinado pela Executiva nacional e votará contra a denúncia. Baleia sabe que não terá os votos de Jarbas Vasconcelos (PE) e Zveiter. “Vamos trabalhar para que a bancada vote unida”, disse Baleia. A oposição conta com os votos de Pacheco, de deputados ligados ao senador Roberto Requião (PMDB-PR) e de parte da bancada do PMDB fluminense.

A oposição, porém, reconhece que ainda não tem os 342 votos necessários para aprovar a admissão da denúncia em plenário, mas conta com a ampliação do número de dissidentes nos próximos dias. A expectativa é que as possíveis delações do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do corretor Lúcio Funaro tragam fatos novos e capazes de abalar a base governista. “Isso terá peso nas coisas”, avaliou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Os oposicionistas contam também com a pressão das bases sobre os parlamentares, que estarão de férias nos próximos dias e em contato direto com o eleitorado.

Os governistas conseguiram derrotar o parecer do deputado Sérgio Zveiter (PMDB) por 40 votos a 25, houve apenas uma abstenção do presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG). Após mudanças na composição do colegiado, PRB, PTB, PR, PSD, PP, PSC e PROS votaram em peso contra a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR). PHS e PV, que no plenário devem ter posicionamento diferente, também votaram contra o parecer do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ).

No atual cenário, sem delações bombásticas, os governistas dizem que a oposição está longe de atingir os 342 votos e que não há margem para ampliação do número de traições. O argumento é que, apesar das denúncias, os deputados estão se convencendo de que as acusações contra Temer são inconsistentes e que os indicadores econômicos são positivos. “Há um crescimento de votos à favor do presidente”, comentou o líder do PSD, Marcos Montes (MG).

Os governistas não querem sequer traçar um cenário com as denúncias de Cunha e Funaro. “Cada dia com sua agonia”, resumiu o líder do PR, Zé Rocha (BA).

Carteirada e lava jato

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SOBRE OS ACLAMADOS TÍTULOS ACADÊMICOS DE MORO E DALLAGNOL
Nunca, nunca os títulos do juiz Sergio Moro, que condenou Lula, e do chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, foram tão publicizados. Procuradores, juízes e outros simpatizantes do revés sofrido pelo ex-presidente estão espalhando os Lattes de Moro e Dallagnol.

Beleza. Já entendi. Um fez um curso em Havard e o outro mestrado por lá. Sinal de esforço, é verdade. Isto, porém, não impediu que a descrição, tecida pelo Dallagnol em seu livro sobre os EUA, fosse de um paraíso ingênuo. Uma espécie de Disney do direito. Será que é assim mesmo? Com todo o debate sobre a super população carcerária americana?
Bem, já disse aqui que uma das bases da lava jato contra o sistema político é o da defesa imbecilizante de um bacharelismo rasteiro. Como se diplomas fossem garantidores da defesa de interesses imediatamente altruístas e universais. Levando em conta nossa história, talvez faça mais sentido pensar de modo inverso.
Outra coisa é falar sobre aprovação em concurso público. Sim, eles passaram. Palmas, mas e daí? Desde quando superar exames e seleções foi porta de entrada para o acesso à verdade e cidadania?
As pessoas, sejam elas doutoras ou sem qualquer instrução formal, têm sim o direito de questionarem qualquer ação do estado, inclusive o iluminado ramo da justiça.
E o judiciário deve, ao mesmo tempo também, prestar contas. Não pra se render a um senso comum ou pressão momentânea, mas para proporcionar o aprendizado cívico necessário que deve surgir desta legítima interação.
A gabolagem ancorada em títulos é sintoma da carência de argumentos. É preciso cuidado, pois no caso da justiça pode significar falta de provas também.

JERN´s e esportes nas escolas negligenciados ajudaram a criar uma geração Nutella

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Até início dos anos 2000, a abertura dos jogos escolares do RN era realizada no machadão, dada a importância do evento para a cidade.

Na década de 1990, lá por volta do mês de Outubro/Novembro, os colégios públicos e privados paravam por cerca de duas semanas para a competição dos Jogos Escolares do RN. A abertura reunia tanto aluno, que era realizada no finado Machadão.

Era uma alegria. Joguei os Jern’s em três oportunidades. Para tanto, treinavamos o ano inteiro entre três e cinco vezes por semana. Os colégios promoviam viagens em que jogávamos contra outros estados. A resenha era enorme. Fiz amigos e o ambiente do esporte sempre foi de muito ensinamento, perseverança e respeito. O treinador era um exemplo e autoridade para nós, então meros garotos.
É uma experiência e tanto, que infelizmente se perdeu. Não faz pouco tempo que os Jern’s se tornaram um torneio qualquer. As instituições de ensino não valorizam mais o esporte. Os discentes treinam, no máximo, duas vezes por semana, me relatou um professor de basquete das antigas. Tudo se volta para o ENEM, como se esta inesquecível passagem pela prática esportiva no tempo de formação da nossa adolescência fosse menos relevante. Não é.
Já é possível perceber a consequência disso. Surge uma geração Nutella, preguiçosa, sedentária, mimada e doente, presa ao mundo atomizado das redes sociais.
Nas peladas de basquete da cidade a maior parte dos jogadores tem entre trinta e quarenta anos. Sem talento, os poucos jovens parecem não se interessar, carecem daquela “tara”, da confiança e jogo de cintura que o esporte pode proporcionar. Eles não sabem o que estão perdendo, mas seus pais têm pleno conhecimento e deveriam alterar este estado de coisas. A saúde física e mental da próxima geração depende, em parte, disto.

A lista de Eduardo Cunha

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Por Ricardo Noblat – O Globo

Parte da delação do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba desde outubro do ano passado, já foi aceita pelo Ministério Público Federal. E é nela que reside a revelação que mais assombra seus ex-colegas da Câmara: a lista dos que receberam dinheiro para votar a favor da abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff.

Cunha não se limitou a dar os nomes – a maioria deles do PMDB. Citou as fontes pagadoras e implicou o presidente Michel Temer. Reconheceu que ele mesmo em alguns casos atuou para que os pagamentos fossem feitos. Contou o que viu e acompanhou de perto e o que ficou sabendo depois. Não poupou nem aqueles deputados considerados mais próximos dele. Teve uma razão especial para isso.

É o troco que dá aos que antes satisfizeram suas vontades e depois o abandonaram quando mais precisou da ajuda deles.  Cunha foi do céu ao inferno num período de 17 meses. Eleito presidente da Câmara em primeiro turno no dia 1 de fevereiro de 2015 com 267 votos de um total de 513, acabou cassado no dia 12 de setembro do ano seguinte por 450 votos. Somente 10 deputados votaram por sua absolvição.

Tanto Cunha quanto o Ministério Público têm pressa em fechar acordo em torno do restante da delação. Se isso ocorrer, ela poderá servir de base para uma nova denúncia contra Temer. Ou, no mínimo, para provocar um terremoto na base de sustentação do governo no Congresso, fragilizando-o ainda mais. Temer já foi informado a respeito e reagiu com tranquilidade.

 

Propina da Odebrecht leva ex-presidente do Peru e mulher à prisão

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O ex-presidente peruano Ollanta Humala (segundo, à direita) e sua mulher, Nadine Heredia, se entregam em Lima (Foto: Luka Gonzales / AFP Photo)

O ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, chegaram na noite desta quinta-feira (13) ao Tribunal Penal Nacional, em Lima, para se entregar, após um juiz decretar 18 meses de prisão preventiva para o casal por lavagem de dinheiro relacionada a doações irregulares de campanha da Odebrecht.

Humala e sua mulher deixaram a residência da família no distrito de Surco, depois de ouvirem a decisão do juiz, e se dirigiram em um comboio acompanhados por seus militantes e pela polícia.

O juiz Richar Concepción determinou a prisão preventiva do ex-presidente e sua esposa por um período de 18 meses, enquanto procuradores preparam acusações formais de lavagem de dinheiro contra os dois.

Richard Concepción, que analisa as denúncias de pagamento de propinas e contribuições irregulares no Peru pela Odebrecht, atendeu ao requerimento do promotor Germán Juárez, que argumentou que o casal deveria ser preso antes do jugamento para evitar que eles fugissem ou interferissem na investigação.

“Uma ordem internacional de captura imediata foi emitida”, explicou o juiz ao anunciar sua decisão.

O ex-presidente escreveu na sua conta no Twitter que a prisão preventiva é “a confirmação do abuso do poder, que nós faremos frente, em defesa dos nossos direitos e dos direitos de todos”.

Já sua esposa escreveu: “agradeço aos quem não condenam antes do tempo e que acreditam na inocência até que existam provas, que hoje não foram apresentadas”. Nadine Heredia acrescentou que “apesar da arbitrariedade estamos aqui, confiamos em que esta decisão será revertida por justiça. Confiamos no nosso país”.

O advogado do casal, Wilfredo Pedraza, antecipou que, apesar de negar as acusações, Humala e Nadine se apresentariam às autoridades. “Eles não estão fugindo. Nunca tiveram a intenção de fugir”, garantiu.

Em fevereiro, o mesmo juiz ordenou a prisão preventiva do ex-presidente Alejandro Toledo pelos supostos subornos da Odebrecht.

O pedido do procurador Germán Juárez, que investiga o casal há mais de dois anos, é fundamentado nas declarações do empresário Marcelo Odebrecht, diretor da empreiteira Odebrecht, que afirmou que entregou US$ 3 milhões para a campanha presidencial que levou Humala ao poder em 2011. Humala governou o país até 2016.

Em abril, Odebrecht declarou em Curitiba que apoiou Humala a pedido do PT. Humala nega qualquer contribuição econômica da Odebrecht.

Um dos advogados de Humala, Julio César Espinoza, disse à emissora de rádio “RPP Noticias” que só soube do pedido do promotor “pela imprensa”. “Não fomos notificados oficialmente, nem sabemos o conteúdo do requerimento. Estamos atentos para que isso ocorra para analisá-lo e discuti-lo como corresponde na audiência”, afirmou.

O advogado disse que seus clientes pedem ao juiz “que atue de maneira imparcial e não influenciado por qualquer pressão” e lembrou que em novembro do ano passado também foi expedido um pedido de prisão preventiva para Heredia, mas o mesmo magistrado o rejeitou.

Propina em 12 países

Em acordo de leniência firmado com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, derivado das investigações da Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago em propina US$ 788 milhões entre 2001 e 2016 e a Braskem, US$ 250 milhões entre 2006 e 2014, a funcionários do governo, representantes desses funcionários e partidos políticos do Brasil e de outros 11 países. Para o órgão dos EUA, é o “maior caso de suborno internacional na história”.

A construtora brasileira pagou propina para garantir contratos em mais de 100 projetos em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela, segundo o Departamento de Justiça dos EUA.

G1

 

CCJ aprova novo relatório e recomenda ao plenário rejeitar denúncia contra Temer

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Do g1 – Após rejeitar o relatório do deputado Sergio Zveiter(PMDB-RJ), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quinta-feira (13) um novo parecer, de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), recomendando a rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer.

O relatório de Abi-Ackel, aprovado 41 votos a 24, será submetido ao plenário da Câmara, a quem cabe a palavra final sobre autorizar ou não o STF a analisar a denúncia contra o presidente.

Com a rejeição do parecer de Zveiter, o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), designou Abi-Ackel como novo relator, responsável por elaborar documento alternativo com a recomendação de que a denúncia contra Temer não tenha prosseguimento no Supremo Tribunal Federal (STF).

O novo relator da denúncia contra Temer, deputado Abi-Ackel (PSDB) (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)O novo relator da denúncia contra Temer, deputado Abi-Ackel (PSDB) (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

O novo relator da denúncia contra Temer, deputado Abi-Ackel (PSDB) (Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados)

O novo parecer

Entre os argumentos apresentados à CCJ, o novo relator afirma que as acusações contra Temer foram resultado de ação “suspeitíssima” do empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

Abi-Ackel afirmou também que a denúncia “peca por omissão”, ao argumentar que a suposta conduta criminosa deveria ter sido descrita objetivamente.

“Inexistindo na denúncia sequer a tentativa de demonstrar o nexo causal entre o presidente da República e o ilícito que menciona, torna-se impossível instaurar contra ele a ação penal”, disse, na denúncia.

>> Relembre no vídeo abaixo como foi a rejeição do parecer de Zveiter:

CCJ: Rodrigo Pacheco lê resultado de votação da denúncia contra Michel Temer

CCJ: Rodrigo Pacheco lê resultado de votação da denúncia contra Michel Temer

Trocas na CCJ

Com o objetivo de derrotar o parecer de Zveiter na comissão, partidos aliados ao Palácio do Planalto fizeram, desde que a denúncia chegou à Câmara, 26 remanejamentos entre os integrantes do colegiado, substituindo deputados que haviam indicado voto contra Michel Temer.

O troca-troca gerou protestos e críticas por parte da oposição e de parlamentares dissidentes da base.

Nessa estratégia, vários deputados da base aliada que tinham se inscrito para discursar na CCJ durante as sessões destas quarta e quinta não se pronunciaram ou usaram menos tempo a que tinham direito.

 (Foto: Arte/G1) (Foto: Arte/G1)

(Foto: Arte/G1)

Oposição reage

Para a oposição, o resultado da primeira votação, quando a CCJ analisou o relatório de Zveiter, desta quinta foi “artificial” e “fabricado”. Alessandro Molon (Rede-RJ), afirmou:

“Dos 40 deputados que votaram contra, 12 entraram na comissão após a chegada da denúncia.”

Pelos cálculos de Molon, se a base do governo não tivesse feito as mudanças na CCJ, o resultado seria de 37 a 28, a favor do parecer de Zveiter.

Beto Mansur (PRB-SP), então, avaliou que o resultado foi uma vitória, mas é preciso pensar na votação do plenário.

“Precisamos preservar o presidente contra qualquer tipo de denúncia. Para isso, precisamos de quórum qualificado.”

Advogado de Temer

Após a sessão da CCJ, o advogado de Temer, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, avaliou que os deputados fizeram justiça ao não aprovar o relatório de Zveiter, chamado de “peça de ficção”.

Mariz, em seguida, decidou a Câmara em direção ao Planalto para se reunir com o presidente.

“No momento desta decisão [da CCJ], os deputados se transvestiram de juízes e julgaram com as suas consciências e com base naquilo que leram e ouviram”, defendeu.

Questionado sobre se o troca-troca na comissão influenciou o resultado, Mariz disse não conhece “esses mecanismos políticos”.

Sobre a votação em plenário, concluiu: “Gostaria de resolver amanhã essa questão, até sob o aspecto pessoal, preciso ir pra o escritório, tenho outros clientes”.

A denúncia da PGR

Com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou Temer ao Supremo Tribunal Federal pelo crime de corrupção passiva.

Além da condenação, Janot pediu a perda do mandato de Temer, “principalmente por ter agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade”.

Esta é a primeira vez que um presidente da República é denunciado ao STF no exercício do mandato.

Por se tratar do presidente da República, a denúncia só terá continuidade no Supremo Tribunal Federal (STF) se tiver autorização da Câmara.

Segundo a defesa, Temer não cometeu crime a acusação do Ministério Público é baseada em suposições. Além disso, o próprio presidente já afirmou avaliar a denúncia da PGR como uma “injustiça que se faz com o Brasil“.

Plenário

O parecer aprovado na comissão nesta quinta será incluído na pauta de votações do plenário na sessão seguinte ao recebimento pela Mesa Diretora.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fará uma reunião com os líderes partidários para definir o dia da votação.

Após discussão em plenário, a denúncia será submetida a votação nominal, pelo processo de chamada dos deputados.

O regimento define que a chamada dos nomes deve ser feita alternadamente, dos estados da região Norte para os da região Sul e vice-versa.

Os nomes serão enunciados, em voz alta, por um dos secretários da Casa. Os deputados levantarão de suas cadeiras e responderão ‘sim’ ou ‘não’, no mesmo formato da votação do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Prosseguimento da denúncia

A denúncia contra Temer seguirá para o Supremo se pelo menos 342 deputados votarem contra o relatório de Abi-Ackel.

No passo seguinte, os 11 ministros do STF analisarão a denúncia e, se a aceitarem, Temer se tornará réu e será afastado do mandato por até 180 dias.

O presidente só perderá o cargo definitivamente se for condenado pelo Supremo.

Durante o período de afastamento, assumirá o comando do país o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Se Temer for condenado pelo STF, Rodrigo Maia, à frente da Presidência da República, terá de convocar eleições indiretas no prazo de um mês.

Segundo a Constituição, o novo presidente da República será escolhido pelo voto de deputados e senadores.

Rejeição da denúncia

No caso de rejeição da denúncia pelo plenário da Câmara, o Supremo ficará impedido de dar andamento à ação, que será suspensa, não arquivada.

O processo poderá ser retomado somente após o fim do mandato do presidente.

Recessão no Brasil está perto do fim, mas crise política é risco para economia, diz FMI

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Do G1 – Aprofunda recessão econômica no Brasil parece estar perto do fim. A avaliação é do Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou nesta quinta-feira (13) um relatório sobre a economia do país. No entanto, o fundo ressalva que a crise política agravou a recessão causada por desequilíbrios macroeconômicos. “Enquanto o fim da recessão parece estar à vista, um aumento recente da incerteza política lançou uma sombra sobre as perspectivas. ”

O FMI também melhorou levemente sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, de 0,2% para 0,3%. Para 2018, no entanto, o Fundo piorou suas expectativas em relação ao Brasil – de um crescimento esperado de 1,7% para 1,3%. O Fundo ressalva que fez as projeções considerando que a reforma da Previdência será aprovada.

As estimativas do FMI são piores do que a previsão do governo brasileiro, que prevê elevação de 0,5% do PIB em 2017 e 2,5% em 2018.

O consumo das famílias, segundo o FMI, só deve ser retomado em 2018. A previsão para este ano é de queda de 0,2% e, para o ano seguinte, de alta de 0,4%. “O consumo também sofreu uma grande contração, em meio a uma grave deterioração nas condições do mercado de trabalho, queda do crescimento da renda real e aperto das condições financeiras. ”

Já os investimentos, que caíram cerca de 30% desde o início de 2014, segundo o FMI, devem crescer 0,8% neste ano e 4% em 2018, de acordo com as projeções do Fundo.

Reformas e a crise política

O FMI aponta que, com apoio do Congresso e do mercado financeiro, o governo de Michel Temer vem apostando em uma agenda de reformas considerada “ambiciosa”, citando a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos gastos, que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior, e o avanço das discussões sobre a reforma da Previdência. “Indicadores recentes sugerem que a economia do Brasil está perto de um ponto de inflexão”, diz o Fundo em nota.

No entanto, o FMI aponta que as incertezas em relação à crise política têm aumentado, o que gera dúvidas quanto às perspectivas de recuperação da economia brasileira se soma a outras de bancos, consultorias e agências internacionais de risco que também mudaram suas projeções para a economia após a piora no cenário político, especialmente após as delações da JBS envolvendo o governo de Michel Temer.

Para o FMI, o principal questionamento originado da crise política é a capacidade do governo Temer de aprovar a reforma da Previdência, que, segundo o relatório, é “um passo necessário para a sustentabilidade fiscal do país”. Os resultados fiscais do Brasil, segundo o FMI, têm sido “decepcionantes”, enquanto os índices da dívida pública continuam crescendo.

O fundo aponta que a instabilidade política em meio às investigações de corrupção é a principal “fonte de risco que poderia ameaçar a agenda de reformas e a recuperação”. O FMI acrescenta ainda que, “com as eleições nacionais agendadas para 2018, a janela para a ação do Legislativo está se fechando”.

Apesar do impacto na economia, o FMI destaca que esse efeito das investigações da Lava Jato é compensado pelas melhorias na transparência e governança no país.

“A luta contra a corrupção atinge os níveis superiores da classe política. A investigação do Lava Jato, que começou em 2014, revelou décadas de práticas de corrupção. Um judiciário forte e independente prosseguiu com sucesso em investigações e processos judiciais, embora algumas das suas táticas tenham sido controversas às vezes.”

Além da crise política, sobre os fatores externos que poderiam influenciar a economia do Brasil, o FMI cita os aumentos nas taxas de juros em outros países e, “com menor probabilidade”, uma desaceleração chinesa.

Inflação

As projeções do para a inflação também mudaram, e seguem abaixo do centro da meta do Banco Central (BC), de 4,5% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A previsão do Fundo para a inflação de 2017 passou de 4,4% para 4% e a de 2018, de 4,3% também para 4%. Com a desaceleração da taxa de inflação nos últimos meses, o FMI aponta que há mais espaço para a queda dos juros no Brasil.

Para os anos seguintes, a estimativa é que a inflação fique acima do centro da meta do BC e feche os anos de 2019 e 2020 em 4,5%. Recentemente, o BC estabeleceu a meta de 4,25% para 2019 e 4% em 2020. Segundo o FMI, isso “aproxima o Brasil das metas de inflação de outros países”.

Analisando os motivos pelos quais a inflação está baixa atualmente, o FMI aponta que o efeito das fortes altas em 2015 dos preços administrados (ou seja, aqueles controlados pelo governo, como energia elétrica) já se dissipou. O relatório cita ainda uma baixa na produção, além da queda do dólar em relação ao real, redução das expectativas de inflação e ajuda dos preços dos alimentos.

Presidente interino da CMN trata projeto do parque tecnológico em reunião do Comcit

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O presidente interino da Câmara Municipal de Natal, vereador Sueldo Medeiros (PHS), esteve nesta quinta-feira (13) com os representantes do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia (Comcit) durante reunião extraordinária que teve como pauta o Parque Tecnológico de Natal.
O diretor do Instituto Metrópole Digital (IMD), ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ivonildo Rego, explicou que o Conselho vem trabalhando para a regulamentação da Lei para funcionamento do Parque Tecnológico de Natal. “Além disso, vamos mandar também para a UFRN aprovar este mesmo pleito na Universidade”, disse.
Ele ressaltou que é muito importante o debate e o envolvimento dos representantes pelo Parque Tecnológico. “É o que chamamos da economia do conhecimento”, disse.
O chefe interino do Poder Legislativo da capital disse que, após audiências e reuniões, é aguardada a sanção do projeto por parte do prefeito de Natal. “A Procuradoria-Geral do Município mandou a documentação par análise do Conselho”, informou.
Vale lembrar que o vereador Sueldo Medeiros é integrante da Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa e também propôs, em junho deste ano, audiência pública para tratar do projeto do Parque Tecnológico de Natal, equipamento apontado, segundo ele, como trampolim para o desenvolvimento da capital potiguar.
A titular da Secretaria Municipal do Planejamento (Sempla), Glenda Dantas Ferreira, o projeto do Parque Tecnológico de Natla é “a implementação da política de inovação no município”.
O encontro contou com participação de integrantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Rio Grande do Norte (IFRN), Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Secretaria Municipal de Planejamento (Sempla), de Educação (SME), de Saúde (SMS), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do RN (Fecomercio), Federação das Indústrias do RN (Fiern) e Fundação de Apoio à Pesquisa do RN (FAPERN).

Lula, o triplex e o cenário não republicano das delações

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Pelo que foi possível ler até agora, o juiz Sergio Moro encontrou indícios de que o triplex era de Lula e outros indícios sobre pedido de propina pelo PT em contratos da OAS na refinaria Abreu e Lima/Petrobrás.

O juiz Moro ligou os dois extremos a partir da colaboração de Leo Pinheiro (OAS), em especial em seu segundo depoimento. O primeiro depoimento foi desmentido pelo posterior em que ele passou a estabelecer o nexo entre o Triplex, Lula e vantagens obtidas pela Oas.

No momento em que processos baseados apenas em delações foram suspensos por falta de provas para além dos depoimentos, especulo que o instituto da delação seguirá sob fogo cruzado, ainda que o STF tenha aparentemente pacificado sobre o assunto.

Me parece existir um vício político de origem na falta de separação de poderes na regulação do instituto da colaboração. O Ministério Público, que no Brasil já tinha um poder ímpar de liderar a investigação e acusar sem regulação externa (apenas pela suas corregedorias e seu conselho), algo que não ocorre em outros países, acumula agora também a liderança no processo de fechamento do acordo de colaboração, que é no final homologado por um juiz.

As delações foram fundamentais para a gente saber o modo como o mercado aprisiona o mundo da política, uma das poucas instâncias com a capacidade de contrariá lo. Mas é bastante preocupante imaginar que exista um poder que lhe investiga, lhe acusa e ainda tem instrumentos para atribuir verniz sobre quem está falando a verdade, quem merece perdão de penas, etc.

O envolvimento na investigação e no processo de acusação, com o instituto da delação a ser averiguado por um ente externo apenas em sua fase final, criou ações que se materializaram em benefícios para delatados, exposição de acusados na opinião pública, sem que os depoimentos tenham se materializado em condenações. Algo não fecha nessa conta.

Como um liberal que acredita que toda a ação do poder público deve contar com uma regulação interna e externa como elementos limitadores, acho preocupante que um braço do Estado contenha tamanho poder com parca regulação. O desequilíbrio institucional gerado é pai de disfunções e crises, como bem narraram os federalistas, além de uma total assimetria entre a ação do Estado e a capacidade do indivíduo de se proteger contra ataques possivelmente ilegítimos.

Como alguém que não acredita em superioridade moral de quem quer que seja e tem uma visão negativa do homem, imagino que um braço do Estado, sem contrafreio, cometerá atos ilícitos para a obtenção de seus interesses sem que saibamos. Há mais políticos pegos em ações de corrupção do que outras carreiras estatais, não porque eles apresentam maior propensão para o roubo, mas pela razão de serem, de longe, os mais vigiados.

Com os políticos sem controle da política e com um poder assimétrico e belicoso que se sente constantemente ameaçado pelo “sistema”, muitas vezes munido de boas razões, não vejo saída para a crise. Continuaremos patinando.

PMDB só virou governo por causa da Lava Jato, diz filósofo Marcos Nobre

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Agência Pública.Org – Nesta entrevista à Pública, o filósofo da Unicamp e pesquisador do Cebrap Marcos Nobre, autor do conceito de “pemedebismo” – que, para além do PMDB, explicaria o jeito de funcionar dos partidos que se ligam ao governo conferindo estabilidade em troca de poder –, afirma que o partido do presidente Michel Temer não tem capacidade para coordenar governos. “Ele tem capacidade para ser o líder do cartel de venda de apoio parlamentar. Então, por que diabos o PMDB virou governo se, obviamente, só tem consequências ruins para ele? Por causa da Lava Jato.”

Para Nobre, a operação é o fator que fez o sistema político perder o controle da política. “A Lava Jato, toda vez que a mesa se coloca sobre quatro pés, chuta um. É uma característica da operação desestabilizar permanentemente o sistema político. Para quê? Para ela poder continuar”, afirma. “Se a minha lógica estiver certa sobre a Lava Jato, no momento em que Maia virar presidente, vem o pedido para ele se tornar réu. O que não resolve o problema do ponto de vista do sistema político, que é o que importa”, avalia.

“A Lava Jato virou uma espécie de substituta do movimento de rua”, diz Marcos Nobre (Foto: CPFL Cultura /Tatiana Ferro)

O pemedebismo vai muito além do PMDB, segundo sua tese. Mas o PMDB é a maior expressão desse modo “estabilidade em troca de poder” de funcionar do sistema político brasileiro. Qual é, dentro dessa lógica da crise política, o PMDB que está no poder?

O pemedebismo é essa maneira de estruturar a política dos políticos. A política institucional. Então, você constrói dois pequenos polos que são os que vão competir pela Presidência da República ou pelos governos do estado, prefeituras etc., e esses dois polos, no momento em que eles ganham, levam toda uma massa que está entre eles. É uma massa de partidos, grupos que estão sempre à venda. É por isso que se constrói uma lógica das supermaiorias. Então, uma pessoa pode apoiar um candidato a governador que é derrotado e, no dia seguinte, está na base de apoio do candidato que venceu.

Isso tem uma consequência importante: esses dois pequenos polos que durante 20 anos foram o PT e o PSDB têm função de coordenar toda essa massa informe, vamos dizer, de venda de apoio parlamentar.

Seriam os síndicos deste condomínio político nos últimos 20 anos? 

Isso. Qual a consequência desse modelo? É que o PMDB nunca pode tomar o poder. O PMDB não tem capacidade para coordenar governos. Ele tem capacidade para ser o líder do cartel de venda de apoio parlamentar, mas não para coordenar um governo. Então, por que diabos o PMDB virou governo se, obviamente, só tem consequências ruins para ele?

Uma das características do pemedebismo é que não importa qual é a decisão nacional do partido, estadual ou municipal, para apoiar quem for o candidato. Se você faz parte dessa massa peemedebista, você apoia quem você bem entender. Não tem nenhuma centralização partidária. Se é assim, quando você toma o governo, se cria um problema, porque obriga a tua base a te apoiar necessariamente. Então por que isso aconteceu? Por causa da Lava Jato.

O sistema político precisa de garantias. A massa peemedebista que apoia o governo, seja qual for o governo, precisa, primeiro, de acesso ao fundo público e, segundo, de defesa contra investidas da Justiça. O governo Dilma Rousseff não estava conseguindo garantir nenhuma das duas coisas. Quer dizer, tinha um acesso muito precário ao fundo público, os recursos eram cada vez mais escassos porque, diga-se o que se disser, o ajuste fiscal do primeiro ano do governo Dilma foi duríssimo. Não era um governo que demonstrava ser capaz de proteger a classe política da investida da Justiça.

Isso produziu o impeachment. Claro que para que isso acontecesse foi preciso mobilizar um sentimento de uma parte da população contra uma situação de crise, especialmente contra anos muitos seguidos de governos petistas. Mas do ponto de vista do sistema político foi um movimento de autodefesa. O problema é o seguinte: o governo Temer, de fato, entregou o que prometeu em termos de cargos. Ou seja, aquilo que existia no governo FHC, Lula e Dilma: você entrega os cargos, mas preserva algumas áreas; Saúde, não, Educação, não, Ministério do Desenvolvimento Social, não, reforma agrária, não. Isso acabou no governo Temer. Você entrega tudo. Tudo está à venda. É uma característica do PMDB, porque não consegue coordenar, então não consegue decidir quais são as áreas estratégicas que têm que ser preservadas desse troca-troca generalizado. É um governo que não tem coordenação nem é capaz de ter coordenação. A única coisa que esse governo tem de organizado é a equipe econômica, que é justamente aquela que não foi entregue para os partidos. Entregou isso, mas não entregou a proteção contra a Lava Jato. O que significa basicamente crise permanente.

Quando houve o impeachment da Dilma, você comentou em uma entrevista que isso não estancaria a crise. Ali você já tinha essa análise desse papel da Lava Jato?

É imparável. Agora, o sistema político achou que iria conseguir. Quer dizer, primeiro achou que ia conseguir fazer parar só no PT a Lava Jato. E, em segundo lugar, achou que iria conseguir parar a Lava Jato do ponto de vista do controle superior, da Polícia Federal, do Ministério Público, do sistema judiciário de maneira geral. E não conseguiu.

Se a gente for discutir Lava Jato, são muitas instâncias, muitas visões, dentro da própria operação.

Além de mais de 40 fases…

E instâncias diferentes, tanto da PF quanto do MP, do Judiciário. Então, Lava Jato é muito complicada. A visão que tem o Moro não é a mesma do Fachin, que não é a mesma do Janot, que não é a mesma do Deltan Dallagnol, que não é a mesma do Leandro Daiello, tá certo? São visões diferentes, e eles vão se acotovelando e vão vendo para que rumo pode ir.

Quando você tem uma situação como essa, você não pode falar de unidade. Na verdade, é cada um puxando para um lado, e o resultado é um pouco o resultado desses vetores. Mas tem uma coisa que a gente pode observar que é um padrão. A Lava Jato, toda vez que a mesa se coloca sobre quatro pés, chuta um. É uma característica dela desestabilizar permanentemente o sistema político. Pra quê? Para ela poder continuar.

A ideia é que, se o sistema político conseguir se estabilizar, ele mata a Lava Jato. Só que tem um problema: se o sistema político não se estabilizar, a economia não vai se estabilizar. Então nós temos um círculo, que eu não diria que é vicioso, porque não tem vício no fato de você revelar uma rede de corrupção desse tamanho e nem de combatê-la… Então, não é um círculo vicioso no sentido ruim, mas vamos dizer que uma coisa alimenta a outra. A tentativa do sistema político de retomar o controle da política…

Se a gente for resumir essa crise numa frase, é: a política perdeu o controle da política. O sistema político perdeu o controle da política. Ele não está na mão de ninguém. Ele não está na mão do Judiciário, ele não está na mão do Ministério Público, ele não está na mão do Congresso, ele não está na mão da Presidência. A política não está no controle de ninguém. Então, existe uma disputa que a cada momento vai mudando. A tática da Lava Jato é um pouco essa, de impedir que o sistema político se estabilize. O que significa retomar o controle da política? Significa retomar a capacidade de agenda, de impor uma agenda, de perseguir essa agenda com sucesso, quer dizer, o que o governo Temer tem até agora é discurso.

Segundo as pesquisas, ele não tem apoio popular. O PSDB não sabe se sai ou se fica. A esquerda brasileira não parece ter uma agenda muito clara de como atuar. O que os mantém no poder? O mercado ainda não visualizou um nome legítimo a substituí-lo? Se o mercado aceitasse o Rodrigo Maia, digamos, você acha que o Temer cairia?

Tem dois lados a pergunta. É claro que o Temer só fica porque não existe uma alternativa a ele que seja palatável para esse programa, para essa agenda política que ele não consegue implementar. Essa história tem um outro lado que é um pouco mais complicado, que não é só não ter alternativa.

O que acontece é que, quando o sistema político entrou em sistema de autodefesa, ele virou as costas para a economia. Isso daí é uma coisa muito grave. Porque o que o sistema político está dizendo é: a minha sobrevivência vem antes da sobrevivência da economia. Claro que eles não vão dizer isso, eles dizem: “Precisamos fazer reformas para a economia voltar a andar”. Mas, de fato, o que eles fizeram foi virar as costas para a economia.

Então, quando a gente fala “o mercado”, isso aí, na verdade, é um aplique do sistema político pra dizer que ele está conectado com a economia real, quando não está. E uma parte da elite econômica brasileira acreditou nisso. Claro, acreditou porque queria acreditar também. Disse: “Olha, as reformas que a gente quer não podem ser feitas por um governo democraticamente eleito. Nenhuma candidatura se elegerá com um programa desses. Então, vamos aproveitar que esse cara precisa da gente para se legitimar”. Só que, do mesmo jeito que o Temer precisa do mercado, o mercado precisa dele, mas quem tem o poder é Temer, e não o mercado.

A prioridade do Temer é sobreviver. As pessoas dizem: “Ah, o Temer agora vai passar até o final do seu mandato se defendendo…”. Mas isso foi desde o início. Não tem nenhuma diferença. Então, são as pessoas que antes diziam “não, a gente apoia o impeachment por causa do programa de reformas que virá” tentando se justificar. Quer dizer, comprou a conversa fiada quem quis.

Mas agora tem esse elemento probatório que é a denúncia do Janot. Então vai ter esse primeiro escrutínio no Congresso e, provavelmente, virão mais denúncias. A imprensa já noticiou que o Eduardo Cunha e o Lúcio Funaro vão fazer suas delações. A questão é: dentro dessa lógica dessa sustentação política, há como um presidente resistir a todo esse processo?

Veja, são várias teses que estamos discutindo aqui. O sistema político perdeu o controle da política. O sistema político entrou em modo de autodefesa. Isso significa o quê? Que ele virou as costas para a economia. Então, a gente não pode se deixar seduzir por essa história de que o governo tem apoio no mercado, entendeu? Vamos esquecer. Vamos pensar: o que um político quer? Um político quer se salvar. O que é melhor para isso? É melhor ele ter um presidente que está numa situação pior do que ele, ou ele quer uma pessoa que não tem nada a ver com isso? A resposta é óbvia.

Quando o PSDB não tomou a atitude que deveria ter tomado após a denúncia que era romper com o governo Temer e abrir pelo menos um processo interno a respeito do senador Aécio Neves; quando o PSDB, não fez isso ele acabou como partido.

Como assim acabou?

Ele cometeu suicídio político num nível assustador. E por que ele cometeu isso? Simplesmente por também estar no modo de autodefesa. A pergunta é: o que é melhor para o sistema político se autodefender? O Temer ou uma alternativa ao Temer? O Temer fica na mão do Congresso até o final do mandato. O Temer está numa situação crítica o tempo todo, ou seja, tudo que deputados e senadores querem é um presidente nesse estado porque é alguém que vai entender a situação deles melhor do que eles próprios.

Ah, tá bom, então vamos trocar pelo Rodrigo Maia. A escolha do Sérgio Zveiter como relator é decisiva para fortalecer a posição do Rodrigo Maia. São muito próximos, então uma vez mais o Rodrigo Maia está fazendo uma espécie de rédea. Dependendo de para onde for a situação ele fica com um pé em cada canoa. Apoiando o Temer ou abrindo a porta para ele ser o sucessor. Feita a troca pelo Rodrigo Maia, os deputados vão dizer: “Esse aqui é um autêntico representante nosso, esse aqui garante”. Primeiro: você cria um problema para o Senado. Primeiro racha. Segundo, Maia é investigado. Se a minha lógica estiver certa sobre a Lava Jato, no momento em que ele virar presidente, vem o pedido para ele se tornar réu. Não resolve o problema do ponto de vista do sistema político, que é o que importa.

Vamos pensar assim: Temer abre o processo no STF, ele é afastado. Assume o Rodrigo Maia, eleição indireta, e se elege alguém nessa eleição indireta que nada tem a ver com a Lava Jato. O que acontece? É o suicídio do sistema político. Por que eles não podem eleger alguém que não esteja na Lava Jato, porque não os vai defender. Não tem saída. Para o sistema político, a melhor coisa é que fique o Temer.

O que deputados e senadores estão olhando? Para uma coisa que ainda não aconteceu: o movimento de rua para derrubar o Temer. Se isso acontecer, a coisa muda. O instinto de sobrevivência tem dois lados, um lado que é “me defender da Lava Jato”; tem outro que é “para eu conseguir me defender, preciso me reeleger”.

Sobre as ruas. Quando a Dilma estava no poder, a massa que pedia sua saída era grande. Hoje você não vê as pessoas se mobilizarem da mesma maneira. Obviamente, você consegue identificar um sentimento antipetista muito grande lá naquele período, mas agora a população parece calada. Por que as pessoas não estão na rua?

Subiu a desconfiança em relação ao sistema político por causa do impeachment. Primeiro, ali foi produzida uma lógica PT-anti-PT, e tinha uma promessa que era: “tudo vai ficar bem”. E tudo piorou. Então por que a população vai aceitar uma outra lógica do a favor ou contra? Em nome do quê?

Quer dizer, ficou claro por essa experiência do impeachment – você demonizar uma parte do sistema político como sendo a responsável por tudo é só uma ilusão, foi uma farsa, foi um engodo, foi a enganação do século. Essa farsa fez com que ninguém mais fosse pra rua. Vai em nome do quê?

Uma parcela da população, sobretudo os apoiadores do impeachment, se sentiu enganada e hoje está envergonhada? 

Isso tem muito a ver. Você vai olhar, por exemplo, esses movimentos que lideraram, tipo MBL, Vem pra Rua. Eles não têm coragem de mostrar a cara na rua. Eles chamam manifestação e recuam. Eles vão dizer o quê? “Tira esse presidente agora que vai tudo melhorar.” Quer dizer, eles prometeram isso da vez passada e tudo piorou. Não tem nenhum movimento com legitimidade para chamar manifestação de rua a não ser os movimentos que foram derrotados no impeachment da Dilma.

Para você ter um movimento da amplitude que é necessária para afastar o Temer, você precisa ter alguma coisa que vá além da Lava Jato. As pessoas estão vendo a Lava Jato continuar, então elas não estão preocupadas, até agora, que a Lava Jato vai ser parada. Se acontecer isso, eu acho que a rua encheria…

Se a população identificasse, por exemplo, um acordo em andamento? 

Exato. Não só um acordão. Mas se alguém de dentro da Lava Jato chamasse. “Tão parando a Lava Jato, tão acabando com a Lava Jato.” Tipo Sergio Moro. Isso seria um movimento… No fundo, a sensação que eu tenho é que a Lava Jato virou uma espécie de substituta do movimento de rua. É como se as pessoas se sentissem representadas pela ação judicial. E como se isso fosse suficiente. Para você sair para rua de novo depois do vexame que foi o impeachment, precisa ter uma razão muito boa.

Do ponto de vista de uma manifestação comparável àquelas que nós tivemos pró e contra o impeachment, só mesmo se a Lava Jato estivesse em risco. Eu realmente acho que a Lava Jato está funcionando como uma válvula de escape para uma rejeição generalizada do sistema político.

Voltando um pouco à indicação do Sérgio Zveiter. Ele tem sido identificado como “independente” dentro do PMDB. Que ele seria do grupo do Maia, e não do Temer. E acho uma coisa complicada identificar quais são os grupos do PMDB. Quem são esses grupos?

Nesse processo todo, o Rodrigo Maia foi muito fortalecido. Ele foi fortalecido, em primeiro lugar, pela estupidez do PSDB de dizer que não faria nada sem o DEM, o que transformou o Rodrigo Maia numa figura-chave. E agora ele virou uma figura- chave porque tem todos os pedidos de impeachment na mão, e ele vai ter todas as denúncias. Ele é o cara que vai decidir esse processo. Então, o relator é dele e eles vão trabalhar juntos. O resultado desse relatório vai ser o resultado da avaliação desse grupo em torno do Maia.

Agora, os grupos dos PMDB. As coisas se desarticularam de uma maneira muito acelerada. Teve um processo de fragmentação dentro de um sistema já muito fragmentado. Então, no limite, cada deputado virou um grupo. Cada deputado tem direito a uma cota X de indicações. Claro, se você tiver uma posição dentro da mesa da Câmara, se for líder de partido, sobe a sua cota, mas todo mundo tem a sua cota. E isso é uma herança também da desarticulação do “centrão”, que era o antigo baixo clero, que recebeu upgrade quando o Cunha organizou todo mundo no “centrão”. A desarticulação do “centrão” foi também uma fragmentação que não se reorganizou dentro de partidos. Então, se vai olhar as votações, ou como se comportam os grupos, você não vê mais unidade partidária… Você vê grupos se movendo conforme a situação em torno de determinadas figuras.

Então se cristalizou um certo grupo em torno do Maia. Como se cristalizou um certo grupo do Renan Calheiros, que é um grupo diferente do anterior. Então você tem uma certa aglutinação de figuras políticas muito mais pelas posições estratégicas que elas têm do que por fronteira partidária. Então, falar em grupos dentro do PMDB, para mim, não faz o menor sentido hoje.

Na verdade, as figuras do PMDB mais importantes… Os grupos delas incluem deputados e senadores que não são do PMDB. É como se o “modelo Cunha” tivesse se espalhado por todo o sistema. O Cunha percebeu que dava para organizar o baixo clero em torno do “centrão” e que isso não tinha fronteira partidária. Das quase 600 figuras do Congresso, é como se você tivesse 20 Cunhas, que organizam cada um o seu pequeno “centrão”. São figuras que você tem que acompanhar para entender e que não têm mais a ver com partido. É um grau de fragmentação assustador, e é importante ver isso, porque em última instância o último bastião do Temer é o antigo “centrão”.

Talvez ele seja obrigado a reorganizar o “centrão” que ajudou a desmantelar para poder sobreviver. E nesse momento ele vai precisar muito do Cunha.

Trump foi eleito. Bolsonaro vai bem nas pesquisas de opinião. João Doria ganhou com o discurso do “não político”. Existe uma ascensão de candidatos de direita e extrema direita. Qual a dimensão desse fenômeno, sobretudo no Brasil?

A direita brasileira se colocou em uma enrascada muito séria ao entrar de corpo e alma no impeachment de Dilma Rousseff e, em seguida, ao dar apoio ao governo Temer. Aprofundou de maneira ainda mais dramática as crises, todas as crises: social, econômica, política, moral. E não será nada fácil que consiga se descolar disso tudo e se apresentar como algo novo, que é o que o eleitorado espera em 2018.

Todo o campo da direita se encontra muito desorganizado e desorientado. João Doria será especialmente afetado por essa manobra malsucedida que foi o impeachment e o apoio ao governo Temer.

Não é por outra razão que ele continua a se apresentar como o “anti-PT”, quando a lógica “PT-anti-PT” que presidiu o impeachment já não é mais a que organiza a grande maioria do eleitorado, mas ainda encontra ressonância importante em São Paulo.

Trata-se, acho, de uma estratégia defensiva, uma estratégia que, na verdade, mantém Doria preso a São Paulo. Provavelmente porque já deve estar decidido que ele será candidato ao governo do estado.

O caso de Bolsonaro é de outra ordem. No momento, entendo que sua intenção de voto nas pesquisas expressa uma insatisfação difusa, uma rejeição à política da política que procura uma figura que não esteja comprometida, que se saiba, com investigações da Lava Jato. Não acredito que essa intenção de voto se sustente, especialmente depois que o quadro sucessório ficar mais claro.

Não acredito que Bolsonaro venha a ser candidato a presidente. Como não tem um partido próprio, criado por ele, Bolsonaro depende de partidos existentes. E essa dependência tem se mostrado bastante problemática no caso dele, com episódios graves de desentendimentos e rupturas com os donos desses partidos. De qualquer maneira, o mais importante a reter aqui é: o fato de a insatisfação com a política de a política se expressar em uma candidatura de extrema direita é algo por si só gravíssimo para quem quer que se preocupe com a continuidade da democracia no país.