Pelo direito de errar dos que votaram em Bolsonaro

PELO DIREITO DE ERRAR DOS QUE VOTARAM EM BOLSONARO

Já escrevi dezenas de vezes sobre as chamadas revoltas de junho de 2013 por aqui, li quase tudo sobre o assunto e produzi alguns artigos com uma tentativa mais acadêmica de explicação sobre o que foi aquilo. Acho que há aí duas motivações. Primeiro, penso que o Brasil de hoje só pode ser entendido se revisitarmos o que ocorreu em 2013. Segundo, porque errei feio na análise naquele momento.

Fiquei com a vaidade pessoal ferida por ter inicialmente apoiado um evento que tanto mal fez ao país. Foi ali que explodiu a antipolítica e a extrema direita encontrou terreno para se organizar e mobilizar outras pessoas. Demorei até um pouco para admitir meu erro de avaliação por puro ego. Bem, ficou o aprendizado.

Falo a respeito porque vejo isto se repetir com alguns conhecidos, que chegam no privado e falam: “poxa, votei no Bolsonaro, mas ele só faz e fala bobagem. Não esperava que seria assim”. Você escuta e bate aquela vontade de criticar, de falar que ele poderia ter votado em vários outros candidatos disponíveis, de direita ou de esquerda, mas que estava desenhado que Bolsonaro seria Bolsonaro na presidência.

Só que acho que a coisa não pode ir por aí. Retirar o peso das pessoas arrependidas pode ser, na conturbação social, uma boa maneira de fazer militância em favor de uma política racional e democrática.

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