Por que a imprensa não solta a mão de Bolsonaro

Os principais veículos de imprensa do país são críticos do presidente Jair Bolsonaro, isto é inegável. Mas nem de longe fazem a campanha desenvolvida, por exemplo, contra a então presidente Dilma. Por mais que ele avance contra as instituições, entregue o orçamento ao congresso com base em práticas geradoras de corrupção, apareça em gravações obstruindo o trabalho da polícia e, não nos esqueçamos, já fez tudo o que fez durante a pandemia, nenhum editorial é lançado pedindo sua saída ou chamado para atos de rua, como nos tempos de Dilma. Até a linguagem é moderada quando os principais jornais do mundo alertam para os perigos que Bolsonaro impõe à democracia. Lá fora ele é devidamente classificado como de extrema direita. Aqui não. A questão está na economia.

Os jornais brasileiros apoiaram e apoiam as mudanças econômicas operadas por Jair Bolsonaro e temem que uma crítica frontal e ampla contra o dito cujo promova uma saída à esquerda via Lula. É o que faz a mídia manter uma moderação em relação a Bolsonaro que notadamente é incapaz de descrever o que ele representa e promove. Toda a pressão é para que, isto sim, Lula gire à direita, o que seria inconcebível até em termos de competitividade eleitoral. Tenha certeza, caro leitor, em eventual vitória de Lula toda aquela pressão do passado retornará. No confronto entre Capital e Trabalho, qualquer capitulação pactuadora mais justa não será perdoada.

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