Por que as orlas de Natal são mais feias e desorganizadas do que as de João Pessoa

A comparação chega até ser injusta. A orla urbana de João Pessoa é bonita, cheia de espaços públicas e organizada. As daqui, pelo contrário, estão entregues ao descaso há décadas. Por que isto ocorre? Tenho uma hipótese.

Enquanto na capital vizinha apostou nas orlas como locais de convívio e lazer, em Natal elas deixaram de ser frequentadas pelos setores médios e mais abastados e isto produz menor pressão sobre a autoridade local em prol de transformações positivas. Em Natal, o movimento não foi de equipar a orla, mas de procurar outros espaços de privilégio, tais como praias mais distantes, condomínios em lagoas etc. Nossa saída foi privatista e segregadora. Lá, o poder público agiu contra tal tendência.

Ainda sou do tempo em que o natalense ia passear na praia do meio. Hoje isto não acontece mais. A promessa de revitalização, engorda ou outro nome que se queira a mudança de ponta negra vem desde os tempos de Micarla. O atual prefeito Álvaro Dias anunciou obras na região. Só que mais um ano sem passou sem nada vir a ser oficialmente iniciado.

Agora, mais uma vez, Natal apostou na via privatista como ocupação das orlas do município. Com o novo plano diretor, elas serão preenchidas com edifícios. Ledo engano. No máximo, teremos uma segregação ainda mais afirmada, ao invés de contexto de convívio entre as classes sociais da cidade. Apesar do viés aparentemente modernizante, reafirmamos o que fora recusado por João Pessoa, que não permite prédios em sua orla. É difícil imaginar que teremos resultados melhores por aqui.

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