Por que o número de curados na pandemia não importa

Porque, desde março, já se sabe qual é a margem de curados, a taxa de letalidade, das pessoas que ficarão assintomáticas, com sintomas leves e precisarão de hospitalização. Há estudos sobre a força do coronavírus e eles estão na imprensa.

Conforme estudo feito na Coreia do Sul, que testou amplamente sua população e se tornou modelo para o mundo:

  • 80% dos que pegam o coronavírus não precisam de tratamento. Ou ficarão assintomáticos (40%) ou terão sintomas semelhantes aos de uma gripe (40%);
  • Cerca de 15% dos acometidos precisarão de algum tipo de cuidado clínico;
  • 5% chegarão até uma Unidade de Terapia Intensiva e, entre estes, 1% falecerá.

Ter muitos curados, portanto, significa que a incidência aqui no Brasil é grande e não que estamos bem no combate ao coronavírus.

Caso não confie na pesquisa, procure sobre o que diz levantamento feito entre Ibope, Universidade Federal de Pelotes e Ministério da Saúde. Conforme sondagem feita em São Paulo, após mapeamento dos assintomáticos ou daqueles que tiveram os sintomas e são portadores do vírus, mas não chegaram a fazer o teste em hospital, a taxa de letalidade no referido estado é de 0,7%.

Se não fosse assim, poderíamos afirmar que os EUA seriam exemplo para o mundo, pois têm o maior número de curados do mundo. E a Nova Zelândia, que teve apenas um punhado de infectados, seria a expressão do desastre. Ou o Vietnã, que fechou suas fronteiras com a China, testou, mapeou e isolou os doentes, tendo apenas 300 infectados e nenhum óbito, representaria modelo a ser condenado.

Como o Brasil ignorou diversas ações e, entre as muitas, o ato de testar e isolar os doentes, além da sua rede de contato passível de infecção, o único dado mais ou menos seguro que temos é o de mortos. Daí o foco no número.

Se as pessoas que se preocupam com o número de curados fossem atrás de saber e informar a respeito da evolução da pandemia, poderiam inclusive demonstrar que a porcentagem de 95% de curados no Brasil, além de irreal, é mais alta do que a de fato ocorre. Isto porque, como só testamos os casos graves, a taxa de letalidade registrada tende a ser maior.

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