Por que Rogério Marinho é alçado a condição de principal player da disputa estadual?

Em 2018, na disputa pelo senado, algo estava completamente fora de rota no debate público estadual – Garibaldi Alves e depois Geraldo Melo eram colocados como grandes favoritos e principais articuladores do pleito. Tratava-se de puro desejo e não de realidade concreta. A abertura da urna estabeleceu, no fim das contas, a verdade. Agora em 2022 estamos vivenciando algo parecido nas terras de poti. O hype de momento está sobre o ex-deputado federal Rogério Marinho.

Sim, Rogério Marinho é ministro do governo federal. Portanto, dotado de poder significativo. Porém, ele não tem superado Fábio Faria, também ministro do mesmo governo, na disputa para ser candidato ao senado pelo seu grupo. A grande maioria das pesquisas o estabelece atrás de Fábio. Rogério faz parte de uma gestão reprovada no Rio Grande do Norte, o que lhe colocará em situação de dificuldade caso seja candidato em qualquer pleito majoritário. Não será fácil carregar o nome de Bolsonaro pelo RN. Por fim, RM sequer conseguiu renovar o mandato de deputado federal em 2018 e arrasta resistência dos potiguares por ter sido o relator da reforma trabalhista. Simplesmente não faz sentido levá-lo em consideração como o principal articulador da oposição. Além disso, pelas pesquisas, o senador Styvenson Valentim é o mais bem pontuado. A cobertura sobre Rogério é completamente desproporcional ao que se avizinha como tendência para 2022.

E, se assim fosse, por qual razão perguntas óbvias não são feitas, para além do jornalismo declaratório? Ele alegou que o governo Fátima Bezerra é mediocre. É um direito dele achar isto. Mas se há uma gestão tão ruim assim e, se o grande sonho inicial dele era lutar pelo governo – lembre-se do discurso dele e de seus aliados em 2020 e 2021 -, por que então ele não se candidata? Como o grupo dele irá superar, não Fátima, mas Styvenson? Como vai convencer o eleitor do Rio Grande do Norte a votar em seu grupo, com a avaliação que Bolsonaro tem no estado?

Mais uma vez a cobertura sobre o pleito de 2022 toma contornos que, comparado com o que vai ocorrer nas urnas, se estabelecerá uma dissonância cognitiva tal como em 2018. E esta dissonância, ao que se desenha, está no seguinte distanciamento – uma coisa é o que expressa o eleitor e outra o que sonha a opinião publicada.

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