Por que Zenaide votou contra a MP 871, medida cavalo de tróia contra o trabalhador rural

A justificativa direta é aparentemente inquestionável: combater fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ora, ninguém seria contra a MP 871 se fosse apenas isto.

Mas trata-se de um cavalo de Tróia. Uma mera auditoria não precisa de uma medida provisória. Então por qual razão o governo teve todo o trabalho de aprovar uma? É porque dentro dela consta também a retirada dos sindicatos rurais a possibilidade de auxiliar, por exemplo, na comprovação do tempo de serviço do trabalhador do campo.

Em não poucos casos, era o único meio que o trabalhador tinha para chegar até o benefício. Não haverá uma regra bem estabelecida de transição. O negócio é bruto. A partir de agora, esse trabalhador terá de frequentar perícias mais rígidas, pois foram criados entraves para que os segurados acessem benefícios como a pensão por morte, o auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, o salário-maternidade e o auxílio-reclusão.

A proposta deveria ter recebido um debate mais sereno porque, independente da forma como cada um se situa diante dela, o trabalho legislativo pacificaria pontos polêmicos.

Não ocorreu. Ela foi mantida por 55 votos a 12.

Eleita também com o voto do trabalhador do campo, não fazia sentido a senadora Zenaide Maia votar pela aprovação da proposta.

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