Por uma quarentena contra as aspirações eleitorais: com os hospitais super lotados, o RN entrará em colapso se as elites locais não deixarem 2022 pra depois e articularem ações pela mitigação da pandemia

Já está claro como a luz do sol. As elites locais apostam tudo no prefeito de Natal Álvaro Dias para 2022 contra o PT. Mas a questão não é esta obviedade e sim os efeitos perversos da antecipação de um debate completamente inoportuno diante de uma pandemia.

Natal tem a pior situação do RN em termos de casos e óbitos. Porém, além da carência integral de crítica, o que ajudaria o poder público a agir, não há pressão pra prefeitura aderir a qualquer ação de mitigação.
Não é possível deixar essa polarização de lado até a pandemia de covid-19 passar?

Os demais estados, alguns em situação até mais confortável que a nossa, estão aderindo a medidas que nem de longe podem ser chamadas de radicais. Só diminuirão um pouco a mobilidade em prol da menor circulação do vírus. Os hospitais públicos e privados já estão lotados. Mesmo com mais leitos anunciados pelo Governo do RN (39) e também pela prefeitura do Natal (10), o colapso virá se o contágio não arrefecer. A tragédia já está anunciada. Ficaremos inertes?

Natal representa 1/4 do Rio Grande do Norte. Será trágico o RN fazer alguma coisa e a capital, em que suas ações irradiam para a região metropolitana, o centro da pandemia hoje em terras potiguares, não.
É fundamental deixar eleição de lado agora e parar de defender falsas saídas. Porém, o prefeito Álvaro Dias falta as reuniões de trabalho com os demais prefeitos, governo e Ministérios Públicos e, ao contrário do que fora consensuado em debate com diversas autoridades, anuncia que tudo funcionará normalmente.

Apesar de todo o marketing estrondoso dos apoiadores e o silêncio de muitos que têm discernimento sobre a verdade, o fato é que na primeira onda Natal representou quase metade dos óbitos pela covid-19 no RN e a super lotação dos hospitais ocorreu principalmente por aqui. Algo histórico se processou naquela situação. Pacientes da capital foram enviados ao interior, também inchando as unidades hospitalares dos grotões potiguares.

Por que apostar agora no que já não deu certo no passado?

Com a variante de Manaus já entre nós, conforme anunciaram pesquisadores da UFRN, a eleição de 2022 é o menor dos nossos problemas agora. Deixem esse debate – e ações – para o ano que vem.

Precisamos de uma quarentena contra aspirações eleitorais. Fala-se tanto na união da classe política do RN. Nos outros estados prefeitos, poderes e governo se uniram. Isto terá efeito concreto sobre as mortes. É o mais sensato a fazer. Urge iniciar.

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