Protestos fortalecem Lula, a necessidade de ampliação nos gastos públicos e geram temor na imprensa

As manifestações de ontem (29) foram as maiores desde que a pandemia começou. Elas representam a crise em que o governo Bolsonaro se enfiou.

Ao contrário dos atos pró-governo e contra as instituições, existiu todo um cuidado com questões sanitárias. Não foram vistas pessoas sem máscara. A ida às ruas, mesmo com a covid-19 por aí, é sinal também do que as pessoas estão dispostas a enfrentar. O maior perigo hoje no Brasil vem do seu poder central.

O presidente Jair Bolsonaro poderia ingressar tranquilo em sua reeleição em 2022, caso tivesse comprado as propostas de vacina que recebeu e utilizado a rede invejável de postos de saúde que o Brasil tem pra imunizar e sair da crise pandêmica. Outros erros seriam esquecidos. Mas aí não seria Bolsonaro. Ele fez tudo o que não devia. Hoje, somos referência sobre o que não fazer contra o novo coronavírus e a nossa economia é uma das que menos se recupera.

Quem foram os principais vencedores de ontem? Primeiro o nome que antagoniza com Bolsonaro – Lula. Na polarização, o enfraquecimento de um gera a força em prol do outro.

O centrão e os militares também se fortalecem. Como base de apoio do presidente, tornarão a “fatura” mais cara. Com a popularidade despencando e a eleição se aproximando, Jair Bolsonaro ampliará inevitavelmente os gastos públicos e os dois grupos agirão para ser mola de transmissão.

E é a combinação Lula mais forte com o fim da perspectiva de qualquer reforma fiscal que deixou a imprensa na defensiva. As críticas contra a falta de cobertura devida dos protestos têm procedência. Principais jornais do país não trouxeram o evento de ontem em suas capas.

Mas não adianta esconder. Outros atos virão. E se continuar com tal perspectiva, a mídia só encontrará a irrelevância.

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