Quem faz a UFRN precisa construir uma autocrítica

Os últimos dias na UFRN foram de muito debate sobre os ataques sofridos pela instituição e apoiados por uma parte da população. Todo mundo coloca a fatura de tudo o que acontece integralmente na conta de Bolsonaro. Com alguns professores que conversei, falei sobre a necessidade de se refletir sobre como a UFRN não cuidou de sua imagem nos últimos anos. Foi a senha para eu ser chamado de ingênuo (ou parcial) por não perceber a gravidade do cenário. Compreensível. Os ânimos estão acirrados. Porém, fico com a impressão ruim de que não há qualquer autocrítica interna na comunidade acadêmica.

Claro, o debate bolsonarista é desonesto, pois esconde tudo o que a universidade faz, espalha notícias falsas e generaliza casos isolados, como se eles fossem uma rotina da instituição. Não há qualquer intenção de desconsiderar tais aspectos, que estão sendo incansavelmente combatidos por aqui, justamente por compreender o que atravessamos.

Só que a UFRN nunca ligou muito para apresentar à sociedade o que ela fez e faz até hoje. Deram de barato de que isto era desnecessário ou que era “óbvio”. Viceja um intelectualismo cego de fundo expresso na imaginação – falsa – de que, por ser uma universidade produtora de conhecimento, os cidadãos terão uma atitude de reverência automática. Ora, quem trabalha com comunicação sabe que não é assim e a atual conjuntura deixa escancarado. As ações precisam ser divulgadas constantemente. Do contrário, as pessoas esquecem e os serviços prestados, as conquistas geradas são significados como do “governo”, assim no genérico. O RN tem o direito de saber a contribuição inestimável que a UFRN gera para o nosso Estado.

Além de ter de repensar sua comunicação com a sociedade, a UFRN precisa enfrentar de frente as situações – isoladas, repito, mas existentes – negativas que ganham o mundo da esfera pública.

Vou citar um único caso para não me alongar. No mundo da internet, mais de dez linhas tornam um texto intransponível. Há alguns meses atrás, um ônibus da UFRN foi utilizado para levar membros do MST para uma atividade de extensão. De lá, porém, em seu retorno, eles desviaram o percurso e picharam o porto de Natal. Após uma nota evasiva, quem faz a UFRN nunca mais tocou no assunto. A notícia foi amplamente explorada em todo o RN. Quem acompanha o mundo do WhatsApp agora sabe que as matérias e fotos sobre o acontecimento voltaram a circular. Sem qualquer anteparo.

Um professor que faz parte da administração com quem conversei, me disse que está muito mais difícil conseguir um ônibus na UFRN. Ou seja, providências foram tomadas. Nenhuma instituição acerta em 100% dos casos. Mas deve aprender com seus erros. A UFRN agiu de forma correta. Qual é o problema de trabalhar com clareza diante dessa situação e mostrar que fez do limão uma limonada?

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