Radical, eu?

Um rico bolsonarista me chama de radical.

Ri e perguntei:

Quem apoia o ataque às vacinas, aos centros de excelência universitários e de pensamento e à ciência todos os dias?

Quem relativiza pedidos de fechamento do STF e do Congresso?

Quem acha natural a defesa cotidiana da tortura?

Quem ataca a imprensa e convive com o desrespeito diário contra jornalistas em suas atividades de trabalho?

Quem expressa ódio contra agenda liberal pluralista?

Quem endossa militares na política com ameaças na possibilidade de uma derrota eleitoral, algo desconhecido em democracias maduras?

Quem naturaliza espalhar Fake news sobre pandemia, situação que pode matar?

Quem encostou no canto da parede qualquer análise realista do mundo e a substituiu por loucuras conspiracionistas, moinhos de vento e inimigos imaginários?

Não mudei uma vírgula. Defendi a reforma da previdência – federal e estadual -, sou a favor da reforma do estado com participação de todos os atores e aguardo uma reforma tributária progressiva, coisa que este governo, apesar das promessas, nunca apresentou um projeto objetivo sequer.

Sou um saudoso da velha política. Tipo: um presidente vem ao estado e convida a mandatária maior para sua agenda administrativa, não importando suas diferenças políticas. Sem o uso de linguagem chula.

Queria um governo federal que dialoga com os outros entes, ao invés de tentar destrui-los.

E quero políticas públicas baseadas em evidências. E não a cloroquinização das ações do governo, o que significa na prática jogar dinheiro pelo ralo. Se isso é ser radical. Aceito com orgulho.

Mas não são essas as questões. Há simplesmente quem analisa o mundo diante da própria imagem refletida no espelho. Algumas pessoas já eram radicais e esse modus operandi veio à tona com o bolsonarismo. O contexto esvaziou a vergonha. Outras foram se perdendo no decorrer do tempo.

Falo munido por uma certa ingenuidade: que elas reflitam. Não tem como ser defensor da guerra, da morte e da conduta destrambelhada e imaginar que isto é o normal numa democracia.

O Brasil tá de ponta cabeça. Só que irá passar. E, não tenha dúvida, a fatura de quem incentivou o caos irá chegar.

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