RN é o estado do Nordeste com menor taxa de reeleição de governadores

Do Agora RN

Por Adja Brito

A pesquisa do observatório da democracia da Universidade Federal do Rio Grande Norte (UFRN) revelou que o eleitor potiguar não tem costume de reeleger governadores. O levantamento feito pelo estudante do mestrado em Ciência Sociais, Renan Pessoa, e revisado pelo conselho da base de pesquisa do observatório, levou em consideração dados desde 1997, ano em que foi instituída a reeleição aos governos.

Renan Pessoa em seu ensaio percebeu o quanto o eleitor potiguar é exigente e não tem reeleito seus governadores facilmente. “O RN, em comparação com outros Estados do Nordeste, tem tido a mais baixa taxa de sucesso da reeleição de seus governadores, o que implica dizer que ter o peso da máquina estadual para garantir a continuidade de um ciclo político no Rio Grande do Norte é bastante relativo diante de fatores relevantes como os índices de popularidade de um governo e os efeitos negativos da restrição fiscal em tempos de crise”, apontou o estudo.

A pesquisa ainda traz um comparativo com os demais estados do Nordeste brasileiro. “Os resultados das últimas seis eleições estaduais no Rio Grande do Norte, no entanto, colocam dúvidas acerca dos benefícios do instituto para o Governador de plantão. A partir da análise dos resultados eleitorais para o Governo Estadual e do comparativo com outros Estados do Nordeste, nota-se que houve pouca vantagem eleitoral diante da presença da máquina do Governo do Estado. Consequentemente, a taxa dos governadores que lograram êxito em obter o segundo mandato foi baixa”, frisou Renan.

Comparando os dados obtidos através do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Renan chegou a conclusão de que no Nordeste a média de reeleger um governo estadual é de até 75%, já no RN este índice chega a 33%. “Se na média, a taxa de sucesso da reeleição dos governadores em outros Estados do Nordeste, situa-se em torno de 60% a 75%, no Rio Grande do Norte isso chega a apenas 33%, com apenas dois governadores reeleitos. Isso implica dizer que tem havido maior rotatividade das elites locais no Governo potiguar e menor continuidade de ciclo político do que em outras localidades da mesma região”, ressaltou o pesquisador.

O cientista ainda quis saber quais as causas que levam ao baixo índice de reeleição dos governadores potiguares em comparação a outros Estados do Nordeste. Para chegar a uma conclusão, ele utilizou a análise dos resultados eleitorais das eleições dos últimos 20 anos e um breve exame da conjuntura política local. “Fazendo um exame aprofundado dos resultados eleitorais de 1998 a 2018, observamos que apenas Garibaldi Filho e Wilma de Faria obtiveram êxito na empreitada da reeleição. Se Garibaldi se reelegeu no limite da maioria absoluta no primeiro turno, Wilma de Faria superou seu adversário por uma margem inferior a cinco pontos percentuais na segunda rodada da disputa”, pontuou.

E acrescentou: “Analisando a conjuntura local, dentre as razões que podem explicar o êxito de Garibaldi e Wilma podem se destacar os bons índices de popularidade que ambos gozaram nos seus respectivos primeiros mandatos. Garibaldi teve como importante impulsionador de sua reeleição, a privatização da COSERN, que garantiu para seu governo, vultosos recursos para investimentos em obras públicas a exemplo da construção das adutoras no interior do Estado”.

Em relação a Wilma, Renan diz que ela contou com a importante parceria político-administrativa do Governo Lula, a partir da edição de diversos programas sociais e de infraestrutura e capitalizou fortemente a sua condição de primeira mulher a governar o Rio Grande do Norte. “No ataque a Garibaldi, a então campanha wilmista se utilizou da venda da companhia elétrica, feita no governo do emedebista, cujos questionamentos sobre onde foi parar o dinheiro da privatização, terminaram por desgastar a imagem do então candidato de oposição”.

Ao analisar os que não conseguiram sucessão, Renan afirmou que se Garibaldi teve como marca fundamental, a feitura das adutoras e Wilma, a construção da ponte Newton Navarro, seus sucessores tiveram dificuldades em edificar uma marca estrutural em seus governos, diante da difícil situação das contas públicas, dos altos níveis de criminalidade e no baixo investimento em obras estruturantes para o Estado.

“Quanto a Fernando Freire e Iberê Ferreira, ambos acabaram sucedendo por poucos meses governos que embora terminassem bem avaliados, terminaram desgastados perante a opinião pública, diante dos escândalos de corrupção e da desorganização da base governista. Rosalba e Robinson amargaram fracassos na possibilidade de reeleição face aos baixos índices de popularidade nas pesquisas de opinião pública”, comentou em seu estudo.

Em relação a governadora Fátima Bezerra, Renan diz que o “seu desafio para a reeleição será demonstrar que a grande realização de seu governo é a recuperação do quadro fiscal no Rio Grande do Norte, com a consequente estabilidade do pagamento aos servidores estaduais e a retomada de obras importantes para o desenvolvimento do Estado”.

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