Se a preocupação bolsonarista fosse com a economia, o passaporte vacinal já teria sido implementado no país

As pesquisas são unânimes. Vacinados transmitem menos o coronavirus por portarem menor carga viral, por um período menor, hospitalizam menos e vem menos a óbito quando comparados a não vacinados. Os pacientes covid em hospitais vêm basicamente daqueles que não quiseram se imunizar. Daí que, diante de tais fatos, o passaporte vacinal vira uma obviedade.

A cobrança de vacinação em espaços fechados, não apenas criará ambientes menos propícios ao alastramento do vírus, como gerará uma ambiência para que as pessoas procurem se imunizar, cerceando o dano proporcionado pela pandemia.

A preocupação bolsonarista não é com a economia, até porque o passaporte vacinal é uma garantia que nada venha a ser fechado. Trata-se de continuar mantendo a guerra cultural em alta, um modo de segurar a militância raiz ativa concentrada no (falso) debate enquanto a crise econômica e a pandemia são secundarizadas.

O ataque ao passaporte vacinal traz em seu seio uma hesitação contra os imunizantes. Isto porque, se a verdade for contada – a vacina tem efeitos colaterais mínimos e os benefícios individuais e coletivos são incontestáveis -, não haverá discussão sobre se é necessário se vacinar ou não. E, também por esse caminho, tomar quantas doses forem necessárias vira outra obviedade.

A guerra contra o passaporte vacinal e a defesa de uma falsa liberdade de se expor ao vírus de peito aberto são meios de agir politicamente de forma antissistêmica e questionar as instituições, a ciência. Foi com isso que Bolsonaro se elegeu e é desse modo que ele vem mantendo seu núcleo duro. Para sustentar a blindagem desta base, irá com tal discurso até o fim, mesmo que implique mais crise econômica e permanência da pandemia.

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