Sem jornalismo de dados, o debate no RN gira em torno de declarações e mentiras impedindo o desenvolvimento do Estado

Sem jornalismo de dados, as versões pela metade e as mentiras inteiras circulam no RN sem freio, impedindo a devida formulação de políticas públicas com base em evidências. A bola está pingando na pequena área para alguém marcar o gol. Até hoje, por exemplo, não sabemos exatamente o que tornou possível o governo pagar as folhas atrasadas recebidas da gestão anterior. A alegação bolsonarista de que os salários foram pagos com recursos federais é falsa, mas circula sem qualquer vergonha. Até o Tribunal de Contas já se manifestou a respeito.

Percebendo o vácuo, políticos representantes do governo federal jogam números que não fazem nenhum sentido e, não raro, têm pouca verosimilhança com a realidade. Fala-se em 3 bilhões, citando outro exemplo, investidos pelo governo federal no RN. Este dado é maior ou menor do que investimentos de gestões anteriores em valores atualizados pela inflação? Ele existe de fato? Como foi composto? Estou pesquisando a respeito do assunto para tentar entender como esse valor foi construído (ele será objeto de um texto em formação).

Cabe ainda mencionar uma terceira e típica situação que já virou lugar comum nas terras de poti. Toda oposição ao governo do RN de ocasiao alega que o Rio Grande do Norte é uma região em crescimento de desemprego por uma suposta legislação industrial e tributária atrasada e uma atuação injusta dos órgãos de controle, citando como um verdadeiro oásis os estados da Paraíba e de Pernambuco. Tudo é repercutido sem nenhuma checagem como declarações. Só que eis que esta semana saiu o índice de desemprego por Estado e o Rio Grande do Norte tem situação mais confortável do que Pernambuco e a Paraíba (leia aqui). Isto é, ao que tudo indica, trata-se de uma retórica de pressão de empresários por mais isenções fiscais e de membros da oposição que fazem críticas sem lastro na realidade.

Nenhuma sociedade se desenvolve sem uma esfera pública pujante. É através do debate aberto que nós conseguimos encaminhar nossos problemas. Ora, se ele é construído a partir de versões e mentiras, é óbvio que ficaremos rodando em torno de um oito.

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