Sim, aqui se politiza a morte

O filósofo Jacques Ranciere diz que a política é a arte de tomar parte. O governo tomou parte contra a vida em plena pandemia.

Não fez campanha pelo uso de máscara, de distanciamento.

No Brasil, após quase 15 meses de coronavírus, ainda não há protocolo de tratamento, de intubação, de nada. Por isso a chance de morrer por erro médico é maior aqui do que em outros países. Só há incentivo para remédios ineficazes.

Trata-se de uma administração que recusa vacinas. Aliás, 11 vezes para ser mais preciso. O vírus tem base política no Brasil.

É fundamental tomar parte contra a morte, pois falecer de Covid não é um ato natural. A ciência já deixou escancarado tal afirmação. Compreenda, caro leitor, para alguém vir a óbito pelo novo coronavírus, é preciso que tenha estabelecido com alguém infectado, portanto não submetido a testagem, sem máscara e ambiente de aglomeração, que possivelmente não agiria assim caso estivesse plenamente consciente da gravidade da doença.

A morte do ator Paulo Gustavo era evitável. O Brasil sempre foi exemplo mundial de vacinação. Isto até o atual presidente assumir. Nações sem o nosso histórico de sucesso em campanhas de imunização e sem a nossa capacidade de vacinar muita gente em pouco tempo, já imuniza faixas etárias abaixo dos 40 anos. O ator falecido se foi com 42.

Se você apoia este governo, você não politiza a morte, não torna este ato como um problema a ser enfrentado. Politiza, isto sim, a vida, endossando o necroprojeto que nos coloca nos piores índices de morte pelas mãos da covid-19 no mundo.

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