Só restou a CPI da Covid na Assembleia o silêncio

Os membros da CPI da Covid entraram em modo off. Críticos de última hora do modo como o governo enfrentou a pandemia, permaneceram durante todo o período calados, ainda que o presidente da CPI, Kelps Lima, tivesse ocupado a presidência da comissão de acompanhamento das ações de enfrentamento à pandemia na Assembleia no decorrer da chegada e alastramento do coronavírus no RN.

Apesar do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público de Contas não encontrarem irregularidades nos contratos celebrados pelo governo do RN, a CPI foi aberta para tentar achar o que os órgãos de controle não encontraram e o que os próprios deputados estaduais se furtaram de fazer durante a pandemia. Por qual razão bater em contratos e não debater as ações? Ora, porque a própria assembleia foi palco de negacionismo, defesa de remédios ineficazes, espaço para o Sinmed/RN defender o ineficaz tratamento precoce e que o calor iria matar o vírus, carência de qualquer proposição concreta e, por fim, promover uma abertura do legislativo estadual em pleno pico da pandemia. Com a ação estapafúrdia em que deputados e servidores foram contaminados. O poder teve servidores que vieram a óbito pelas mãos da covid.

Após mais de 120 dias de Comissão permitidos apenas para ela, já que a procuradoria da casa só autorizou 60 para a CPI da Arena das Dunas, o pedido de indiciamento do secretário de saúde e da governadora Fátima Bezerra. Com base em que? Improbidade administrativa naquilo que o TCE e o MP de Contas não viram. A solicitação ainda aguarda decisão sobre acolhimento (ou não) da justiça.

Toda a CPI é política e não há problema nisso. Mas faltou de fato averiguar questões técnicas relacionadas ao tema. O presidente da comissão e alguns de seus membros falaram de tudo, mas não encontraram nada. Ainda assim, sentenciaram: o governo não irá mais reaver o dinheiro perdido após calote dado por empresa junto ao consórcio nordeste, meio através do qual o RN pagou cerca de 4,9 milhões em respiradores.

Os mesmos deputados estaduais que aprovaram o ingresso do Rio Grande do Norte no consórcio nordeste à unanimidade e sabiam como compras consorciadas são feitas, averiguadas e organizadas pelo consórcio e não por membros isolados, acusavam o governo de leniência. Não bastou o governo ser o autor da denúncia contra a empresa e atuar, através de sua procuradoria, para resgatar o dinheiro. O histrionismo gravitou por meses. Agora a operação ficou nua, as acusações perderam amparo factual de vez e, no lugar de alguma contribuição, ficou o vazio escancarado por quem nunca teve como objetivo estabelecer qualquer reflexão, crítica ou ajuda. O silêncio é a denúncia final contra a CPI da Covid na assembleia.

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