Sobra triunfalismo

A proximidade do Carnaval trouxe a mistura irracional entre moralismo antifesta pagã com claro alvo de classe. Isto é: o que era gratuito foi fechado. O pago permaneceu. E sabemos quem fica de fora quando tal lógica se impõe. E se somou ao populismo do tipo: cancelar o carnaval aberto gerou uma satisfação abstrata sobre o cuidar da pandemia e justifica inação concreta – não há sequer uma ampla campanha de adesão à vacinação e os imunizantes sobram nos postos de saúde.

Agora, depois que o pico gerado pela Omicron passou após pegar todo mundo, sobra triunfalismo no sentido sobre quem decreta primeiro o fim da pandemia. O que a Prefeitura do Natal fez, liberando a máscara de vez na cidade, além de ilegal por ir de encontro ao decreto mais restritivo do governo, conforme jurisprudência pacificada pelo Supremo Tribunal Federal, nada mais é do que a consagração de uma guerra sobre quem anuncia primeiro o fim da pandemia. Nada há de técnico nessa ação. Dias sequer encenou uma reunião do seu dito comitê científico.

O bolsonarismo de Álvaro Dias se deu e se processa pela via sanitária. Ele se integrou ao bolsonarismo/antipetismo de Natal através da adesão às medidas populistas do governo federal. Remédios ineficazes, ataques aos isolamentos e agora fim das máscaras são sinalizações políticas para a base que hoje mais fortemente o sustenta na cidade. Morreu mais gente? Claro. Os números são públicos. Mas ele também não fez isto sozinho. Teve apoio e sustentação para tanto.

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