Sobre a CPI da covid no RN, a indústria das fake news e 2022

Há uma comissão parlamentar de inquérito aprovada na assembleia legislativa do RN, a que vai investigar os contratos para a construção da arena das dunas. Conforme o tribunal de contas, a relação foi deletéria para o RN. Como tem o potencial de pegar meio mundo, da Assembleia e de gestões anteriores, foi encostada sob o argumento de que a pandemia não permitiria encontros presenciais.

Agora há quem queira investigar os contratos da covid-19 no RN. Nao se sabe ao certo o objeto, apenas que as ações já foram fiscalizadas pelo ministério público, auditadas e aprovadas pelo tribunal de contas e, hoje (26), a controladoria geral da união publicou uma lista com os estados em que há contratos com suspeitos. O RN não se encontra na lista.

No caso da empresa que deu calote junto ao consórcio nordeste na aquisição dos respiradores, foi o próprio governo quem fez a denúncia e o processo segue no STJ.

Parêntese. Por que se fala em consórcio nordeste como sinônimo de executivo e não falam que o ingresso nele gerou resultados positivos e, além disso, tudo foi avalizado pelo próprio legislativo estadual?

Voltando. Dizer que a CPI é uma ação política é chover no molhado. Tudo é política. Mas qual o embasamento? Ele também deve existir. O objeto precisa ser devidamente apresentado, mas se conseguir as assinaturas, a oposição tem o direito de fazer a investigação.

Fátima é favorita para 2022. Apesar da fumaça, a oposição não tem um nome competitivo para o governo. A prova disso é que o grupo briga pela vaga ao senado e não pela do executivo estadual. Com os salários sendo postos em dia e a máquina rodando melhor, o cenário poderá ficar ainda pior para quem é da oposição. A CPI é o tiro de reversão para aqueles que querem voltar ao poder.

Há, além disso, a tentativa da base bolsonarista local de buscar desviar o foco do verdadeiro problema nacional na pandemia, a gestão desastrosa do presidente Jair Bolsonaro. Para não alongar demais, basta dizer que ele conseguiu recusar o principal insumo de saúde, econômico e diplomático da contemporaneidade – a vacina. Na tentativa de manter a economia em funcionamento numa crise sanitária, sem debelá-la, derrubou as duas áreas, gerando o pior dos mundos.

A base bolsonarista local tem recursos, deputados estaduais alinhados, poder; falta um pequeno detalhe – voto. E, adianto, não há tempo hábil para recuperar a imagem do presidente nas terras de poti. Isto representa um problema para qualquer postulação majoritária colada no capitão.

Objetivamente, os membros da fizeram parte das gestões anteriores que deixaram o Estado em situação conhecida. A comparação entre as administrações será ruim para eles. A CPI pode ser um alento na busca pela alteração do contexto narrado.

Integrantes do governo estadual alegam tranquilidade, pois dizem que todas as contas foram auditadas e aprovadas pelos órgãos de controle estaduais e nacionais. Sim, é verdade.

Só que há um pequeno detalhe. Os governistas precisam ficar atentos. Não aos fatos. Mas prestar bastante atenção na indústria das fake news devidamente instalada no RN. Se autorizada, a CPI será a ponta de lança para a maior campanha de desinformação da nossa história. Não há menor margem para dúvida. O campo de atuação dos parlamentares não será no conhecido endereço da assembleia, mas nos grupos de whatsapp, blogs e páginas de extrema direita com parcos compromissos com a realidade.

Esta tem sido a estratégia dos que querem voltar a comandar o governo estadual e a comissão será o palco exatamente para isso. Basta ver o discurso dos proponentes e perceber, aliás, que a tática alinhada à CPI já iniciou. Se for protocolada, só irá aumentar.

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