Sobre a hipocrisia do discurso das jornadas de junho de 2013 e o linchamento das universidades

Apoiei os protestos de 2013 ainda no início. Na época, fazia um site chamado Carta Potiguar, única mídia potiguar a favor das manifestações, desde o começo. Depois, porém, passei a ser ferrenho opositor e crítico. Inclusive, contra meus próprios colegas de portal.

Saquei, após algum tempo, que a pauta nada tinha relação com a propalada melhoria do transporte. Na verdade, o que embalava a todos, com poucas exceções numéricas, era uma visão de que nossos problemas seriam resolvidos se a política acabasse. Prefeituras e assembleias foram atacadas aos gritos de morte aos políticos e fim dos partidos.

Em junho, toda a sociedade passou a apoiar as passeatas. Numa grande manifestação ocorrida em todo o país, era possível ver centenas de pessoas com cartazes – no caso do RN ao som de aviões do forró -, bradando contra a corrupção e pedindo mais saúde e educação.

Era um negócio que não entrava na minha cabeça. As últimas duas décadas tinham sido pródigas para as áreas reclamadas.

Só depois de um tempo cheguei a conclusão de que clamar por mais saúde e educação era também uma forma de esconder interesses não necessariamente politicamente corretos. O discurso era um biombo para outras aspirações.

A extrema direita ali perdeu de vez a vergonha e se desenvolveu. Agora chegou ao poder. As chamadas – com um viés ufanista – jornadas de junho precisam ser revisitadas de forma crítica e responsável. O Brasil caótico de hoje nasceu ali.

Hoje, sinto que tinha razão, pois estou vendo diversos manifestantes do passado, aqueles que falavam que era preciso melhorar a saúde e educação, apoiarem os cortes contra essas mesmas áreas como sinônimo de coisa boa. E não apenas, o que já seria significativo, estou vendo também as mesmas pessoas patrocinarem uma campanha de linchamento das universidades públicas. Belo exemplo sobre como atingir o que tanto foi reclamado num passado não muito distante, não?!

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