Sobre a instrumentalização da morte de Marielle

SOBRE A INSTRUMENTALIZAÇÃO DA MORTE DE MARIELLE

A morte da vereadora Marielle Franco foi uma tragédia, não apenas para ela e seus entes queridos, mas para todo o estado do Rio de Janeiro. Foi um atentado à democracia.

Preocupados com a repercussão política do caso, a direita radical passou a fazer, através de fake news, uma tentativa de desconstrução da figura combativa que Marielle já virou símbolo. A ação mostra que na política não se pode imaginar que há, digamos assim, limites morais de atuação.

Mas há algo que incomoda e, diante de toda a comoção, era difícil de falar abertamente. Com a poeira um pouco menos espalhada, é possível racionalizar. Há uma desonestidade sem tamanho, alimentada até por gente séria, que utilizou seu assassinato para o desejo de decretar, antes de ocorrer, o insucesso da intervenção no RJ. Teve quem, inclusive, estabelecesse uma ligação direta entre sua morte e à intervenção.

Ora, é mais lógico supor que, quem cometeu o crime, queria enfraquecer a perspectiva traçada pela intervenção e não fortalecê la. Isto se existir alguma ligação entre os dois eventos.

No entanto, contra a boa suposição lógica e não fechamento das investigações, correram para instrumentalizar o acontecimento contra uma tentativa de conter à violência. Juntaram a morte de Marielle com um já decretado ataque aos pobres a ser gerado pela intervenção.

Há fatos que corroboram tais afirmações? Não. A insuspeita antropóloga especialista em segurança pública, Alba Zaluar, uma crítica da intervenção no RJ, disse em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que vem se surpreendendo com a ação do exército e que, até o presente momento, não há sinal de excessos cometidos. Zaluar elogiou o modo ponderado com que até agora o general que lidera a ação atua. Ela lembrou também que não faz sentido conceber que os assassinos de Marielle queriam o fortalecimento da intervenção, mas o contrário.

(A especialista também critica outros chavões repetidos por aí sobre a questão da segurança pública. Vale a pena ler)

A vereadora Marielle Franco era uma crítica da ideia de intervenção. Porém, será que aceitaria ver sua morte ser assim utilizada para embalar um discurso tão contra factual? Para reflexão.

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