Sobre a politização da pandemia no RN e os hospitais de campanha

A vã ingenuidade deste blogueiro achava que teríamos um consenso político mínimo a respeito do enfrentamento da pandemia no RN, a exemplo do que ocorre em outros estados. Errado.

FAKE NEWS

O meu telefone está abarrotado de notícias falsas sobre o hospital de campanha em São Paulo e em Natal. Comparam, por exemplo, o valor do contrato global do hospital de campanha por aqui com o valor apenas da estrutura física do equipamento por lá. Comparam o valor de um leito de retaguarda em São Paulo, com o valor de um leito de UTI em Natal. São incompreensões normais e, não raro, irresponsabilidades anônimas e interessadas possivelmente por quem está pensando em eleição já este ano.

PERIGO REAL

Agora, há de fato um perigo real quando o Ministério Público, conforme é possível ler na imprensa, defende um trâmite de concorrência normal, quando os hospitais de campanha por aqui já deveriam se encontrar em funcionamento. É preocupante quando os defensores do interesse da sociedade pedem alegações técnicas sobre a expansão via hospitais de campanha. Ainda mais com a linguagem pouco reflexiva e engessadora do combate à corrupção. Averiguem, recomendem, acompanhem, mas pelo amor de Deus, acelerem.

INSENSATEZ ANTI-CIENTÍFICA

O Governo do RN, a Prefeitura do Natal e outros municípios estão tentando, ao máximo, reativar leitos que não estão em funcionamento. De casa e em quarentena, é possível tomar conhecimento de tal fato.

É possível também saber que os leitos atuais não serão suficientes. No cenário mais otimista, está no jornal Folha de SP e também foi veiculado no Potiguar de hoje (03), o sistema de saúde brasileiro não apresenta vagas necessárias para enfrentar a pandemia. As estimativas vieram de estudos feitos pela UFMG, USP e Havard e tomam como base a evolução do coronavírus na China, na Europa e nos EUA. Insinuar que nós não precisaremos dos hospitais de campanha no RN não passa de insensatez anti-científica. Agir contra eles deveria representar um crime.

OS INTERESSES DE MERCADO DEVERIAM FICAR EM SEGUNDO PLANO

Por fim, vale perceber que os interesses de mercado não sumiram, mas devem ficar em segundo plano. Tem gente querendo enriquecer com a venda de máscaras, álcool em gel ou equipamentos de proteção individual, em falta no mundo inteiro.

Há quem defenda que o poder público alugue os leitos disponíveis do setor privado. Ora, seria uma insanidade em favor do benefício de um punhado de donos de hospital. O poder público deve ampliar sua rede, até porque os leitos privados também serão aproveitados. Só lá na frente, se for o caso, fazer a integração.

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