Sobre a quebra “soft” do isolamento com parentes e amigos

SOBRE A QUEBRA “SOFT” DO ISOLAMENTO COM PARENTES E AMIGOS

Além de muito preocupado, fico fascinado com a forma como as pessoas dão sentido aos acontecimentos. Isto faz parte de uma obsessão cotidiana: tentar compreender a maneira como os mundos significativos são construídos pelos sujeitos diante das situações em que eles se enredam.

Nesse sentido, algo chama atenção. Tenho notado que algumas pessoas, defensoras do isolamento e que dizem cumprir a regra, encontram amigos e principalmente parentes em suas residências. Analisando os stories do Instagram, vi exemplos assim.

Conversei com alguns conhecidos que estão reproduzindo tal iniciativa. Ouvi relatos sinceros do tipo: não quebrei o isolamento, só recebi meu irmão, meu sobrinho que também se isola na casa dele. A coisa toma a proporção, no máximo, de um pecadilho menor, soft.

Ora, por qual razão o sujeito não percebe a reunião de família como uma quebra da recomendação?

A lógica é parecida com aquela que ocorreu com o surgimento do HIV e que muitas politicas de comunicação foram feitas pra desfazer. Os indivíduos acham que não estão quebrando o isolamento, e exercendo comportamento de risco, quando se encontram com amigos próximos e parentes.

No universo significativo da pessoa, forma-se uma hierarquia de confiança/desconfiança. O de “casa” que não passaria corona/o “de fora” que pode passar. O agente próximo em que supostamente é possível ter a certeza de que também está se isolando x o ser desconhecido em que não é oportuno acreditar. A lógica objetiva é pouco reflexiva, preconceituosa e bastante emocional.

Combater isso é fundamental porque, pela própria perpetuação do contágio, um acometido pode ficar até cinco dias sem os sintomas e já transmitir. Isto é objetivo, nada tendo interação com afeto.

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