Sobre as pesquisas de opinião em torno da compra de armas e o efeito de imposição de problemática

SOBRE AS PESQUISAS DE OPINIÃO EM TORNO DA COMPRA DE ARMAS E O EFEITO DE IMPOSIÇÃO DE PROBLEMÁTICA

Pesquisas de opinião vêm dizendo que a grande maior parte dos brasileiros é contra a flexibilização do porte de armas. Como então Bolsonaro foi eleito, se facilitar a compra de arma era um dos seus principais projetos?

Além de outras questões em jogo, óbvio. Há um dado que os levantamentos, quando feitos apenas de forma direta, desconsideram. A aplicação de uma pergunta força a pessoa a ter uma opinião sobre o assunto. Às vezes, uma avaliação fechada.

O problema é que, muitas vezes, aquilo não se constitui de fato como uma preocupação de relevo para o respondente. Pode ocorrer também que sua resposta, entre o sim e o não, esconda uma oposição fraca ao tema em que ele foi inquirido. O sociólogo Pierre Bourdieu chamava tais situações de efeito de imposição de problemática.

Suspeito que há um grande número de pessoas que respondem a esses questionários se opondo à flexibilização, mas sequer isto representa uma preocupação de relevo para elas. O respondente só se posiciona porque foi provocado pela imposição de problema: você é a favor ou contra?

Enquanto isso, o 1/3 favorável, advindo da base bolsonarista mais forte e que fez campanha para ele, responde com mais convicção ideológica em torno do tema. Daí o governo de Bolsonaro agir estrategicamente considerando este 1/3 e não os 2/3 contrários.

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