Sobre o Aeroporto de São Gonçalo e o eterno preconceito contra a Zona Norte de Natal

O aeroporto de São Gonçalo do Amarante é a expressão do ódio de uma elite contra uma região historicamente discriminada de Natal. Em que pese o fato de quase 40% da população da capital lá residir, não é incomum a referência à Zona Norte, colada ao equipamento em debate, como perímetro apartado do município. A ponte que nos liga é o símbolo de um rito de passagem. Na nossa linguagem cotidiana, “atravessar a ponte” apresenta o sentido de “sair de Natal”.

Essa semana, a empresa administradora do assim chamado aeroporto Aluízio Alves, resolveu entregar a concessão do equipamento. Pronto, foi o pé que alguns precisavam para embalar a raiva por não terem mais a curta locomoção para o antigo aeroporto de Parnamirim, que fica na região sul em que os ricos se localizam.

A alegação é que a entrega assinala o fracasso do novo aeroporto. O critério é no mínimo controverso, pois desconsidera que vivemos uma crise econômica desde 2015, com a consequente baixa produção. A culpa colocada no equipamento não se sustenta. Inaugurado em 2014, a expectativa era bastante otimista, já que ainda navegavamos em crescimento econômico. É natural que a empresa queira entregar a administração do dito cujo em face das metas não realizadas. A empresa quer resgatar seu capital. Mas daí embalar como verdade o insucesso de um sonho de décadas da maioria do povo potiguar a distância é enorme. É vender como lógico que os interesses do Estado são os mesmos do consórcio gestor inframérica.

O aeroporto anterior não tinha capacidade de expansão. Quando é que as pessoas irão entender isso? O de SGA apresenta essa possibilidade e pode fazer parte da nossa cadeia de escoamento em momento de posterior crescimento. Não é pouca coisa.

Tal ponto só será devidamente compreendido quando uma parcela de Natal, pequena mas com grande capacidade de pautar o debate, parar de expelir preconceitos contra a zona norte, este sim o aspecto de fato em jogo. Não passa de pura nostalgia elitista, por exemplo, falar em “distância” – para quem? -, parte “feia” da cidade e inventar que o aeroporto de João Pessoa fica mais perto do que São Gonçalo do Amarante.

Parcela de nossas elites dirigentes (políticas e empresariais) precisa sair desse caminho fácil de adular um preconceito contra uma região, como forma de contrair legitimidade, e construir vias de desenvolvimento em torno do equipamento. Sim, é mais difícil. Mas os resultados serão mais satisfatórios para o RN.

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