Haverá justiça sobre o crime da ivermectina contra a cidade do Natal?

Um ano e, apesar das demolidoras evidências desse crime contra a coletividade de Natal, até agora ninguém foi responsabilizado. Ocorrerá justiça, nem que seja histórica?

Convém lembrar que a prefeitura do Natal distribuiu 1 milhão de comprimidos de ivermectina, com grande publicidade como ação de enfrentamento à covid. Especialistas (sic) do comitê científico local tiveram amplo espaço na prefeitura e na arena pública local e alardearam a fake news, um crime contra a saúde pública.

Foram incontáveis os comunicados sobre a recomendação: tome ivermectina e viva em paz na pandemia. O prefeito Álvaro Dias chegou a dizer numa rádio de massa: “é só tomar 1 comprimido de ivermectina a cada 30 kgs de peso corporal, que você estará protegido ou terá sintomas leves”.

Apesar da leniência, mesmo para o conselho federal de medicina, a prescrição do vermífugo fora da bula só poderia acontecer após o consentimento do paciente. Jamais como política de saúde em massa. A regra era quebrada pela manhã, a tarde e, não raro, no período noturno durante a pandemia em Natal.

Agências de saúde do Brasil e do mundo emitiram comunicados, alegando que esta saída era anticientífica e perigosa, pois carente de qualquer comprovação e capaz de gerar julgamento deletério de maior exposição ao vírus. A crença nesse errado caminho levou milhares à morte, conforme diversos estudos no Brasil e no mundo. Quem se achava protegido saia às ruas, se contaminava e morria.

A base de pesquisa Lais/UFRN fez amplo levantamento em todo o mês de março de 2021 e foi mais uma instituição a constatar o dado. No RN, 71% dos internados graves usaram ivermerctina.

Natal teve média de casos e óbitos acima do RN e do Brasil. Foi uma das maiores irresponsabilidades criminosas da história da cidade.

O estrago gerado pela fake news da ivermectina no mundo ainda não cessou. Os movimentos antivacina defendem o uso do vermífugo, alicerçados em teorias conspiratórias, e criticam os imunizantes.

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