Sobre os gastos com passagens em busca de novos mercados pelo governo e a miséria do debate público potiguar

Foi ideia do então governador Cortez Pereira viajar em busca de novos mercados para o nosso estado. Aplicando gestão inovadora, logrou êxito nessa e em outras áreas. Numa sociedade cada vez mais globalizada, a ação tornou-se cotidiana. Com ela, a oposição ao ato banalizou-se completamente na mesma medida.

Desde que este modesto blogueiro acompanha a política potiguar que o besteirol – me desculpe, mas não há outra palavra mais adequada – é pincelado com um tom de crítica objetiva. O gestor da vez trabalha para vender as potencialidades do RN lá fora e é logo atacado por “querer passear”.

A falsa fiscalização, pois que na verdade erguida para embalar insinuações menores, ocorre com uma reprovação aos supostos gastos exorbitantes. Na prática, porém, uma pauta sem base factual. As diárias são tabeladas e as comitivas, diante da perspectiva de crítica, cada vez mais enxutas. Só que pouco importa. É a pequena política que está em jogo e a arena de debate das terras de poti se alimenta do que é secundário.

Vale lembrar alguns dos muitos casos em que a lorota virou algo digno de nota. Todos os últimos governadores e prefeitos de Natal foram acusados a partir desse balão empinado por fumaça. Às vezes, o crítico da oposição da vez virou o criticado de amanhã, na medida em que este chegou a condição de governo.

Até hoje falam, por exemplo, que Micarla possuiria um hotel em Portugal, notícia falsa devidamente plantada pela oposição no então nascente mundo do twitter por ela ter organizado uma comitiva de negócios para lá.

Em viagem para alardear Natal como ponto turístico, Carlos Eduardo Alves, depois prefeito, foi atacado pelo mesmo motivo em que agiu como algoz.

O governador Robinson Faria não foi esquecido por querer conhecer exemplos bem sucedidos de combate à violência em outros países e por ter ido até a China atrás de investimentos.

Agora a mesma bobagem serve de ponta de lança contra a atual governadora Fátima Bezerra, que está agindo a partir do papel que também lhe cabe: vender nossas potencialidades lá fora. Diante da crise fiscal estadual e nacional, em que a arrecadação sequer serve para pagar os salários dos servidores, há outra saída para gerar emprego e renda e forjar novas vias de investimento?!

O Rio Grande do Norte tem tanta coisa relevante para debater: reforma da previdência, os desafios no âmbito da violência, a necessidade de melhorar nossa governança e ambiente de negócios, etc. Por que continuar com um ponto de pauta tão juvenil?

Primeiro porque as áreas citadas dão trabalho. Elas envolvem muita leitura, pesquisa e escrita. E, segundo, porque, diante dessa dificuldade, o melhor a fazer é atuar na perspectiva do fuxico típico de política interiorana. Notinhas maldosas são rápidas e de fácil digestão. Existe um preço a ser pago.

Muito do que construímos se alicerça naquilo que discutimos. Não é de admirar, portanto, que o RN ocupe a rabeira da pujança econômica em relação aos demais estados do nordeste. Não há como conceber algo de diferente só refletindo (sic) sobre ninharias políticas. A qualidade do debate importa e, no nosso caso, ajuda explicar como chegamos até aqui.

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