Tentativa do TSE de regular “fake news” na internet será porta aberta para trapalhada

O TSE diz que pretende regular as notícias falsas que circulam na internet, o chamado fake news. Aparentemente a proposição é legal. Afinal, quem quer ler notícia falsa na Net? O problema tem relação com o potencial de trapalhada embutido na operação. Cabe algumas perguntas básicas: quem vai classificar o que é fake news? A partir de quais pontos de vista? Não são questões pacíficas.

Ora, é normal, digamos assim, militantes dos candidatos esticarem a narrativa sobre os acontecimentos para que eles se encaixem em seus desejos. Isto será fake news? Outra: a possibilidade dos candidatos entrarem com processos só para dizer que estão processando tal informação porque seria fake news é enorme. Ao invés de responder um salutar ataque do oponente contra possíveis furos em sua plataforma eleitoral, ele dirá que irá entrar na justiça contra uma notícia falsa. E tome judicialização com o combate deixando o terreno eleitoral e ingressando ainda mais pelos tribunais.

A tentativa de regular a circulação de informação na internet será sinônimo de novas intervenções por parte da justiça eleitoral, já bastante intrometida. Não é improvável que guerras judiciais, constantes minutos de resposta e possível censura dêem o ar da paisagem. Os juízes irão aparecer mais do que o jogo. Mais do que já aparecem. É porteira escancarada para uma tentativa inútil e ruim de higienização da política.

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