Terceira via e suas fórmulas desejosas

Um dito especialista diz ao jornal Correio Braziliense (leia aqui) que o ex-juiz Sergio Moro, que se filiará ao Podemos para concorrer à presidência, pode chegar ao patamar de 30% se as candidaturas de terceira via diminuírem.

Trata-se de um cálculo fajuto comum em campanhas eleitorais. Não é raro ler, quando da fusão de dois candidatos, a soma interessada feita por ambos das pontuações que gozam nas pesquisas, como se o eleitor fosse acompanhar bovinamente a junção dos grupos políticos.

O mesmo ocorre com a tal de terceira via. Basta não ser eleitor atual do ex-presidente Lula e do atual Jair Bolsonaro, para que o postulante seja alçado a um grupo que cabe do PCO ao PSL.

Aí, após a unificação completamente sem sentido, o cara acha em seguida que, quem vota em Dória ou outro qualquer, está automaticamente preocupado em recusar Lula e Bolsonaro. Depois é só somar tudo e sair alardeando uma competitividade inexistente.

Há muita gente de grosso calibre interessada nesse discurso, mas a realidade é teimosa e o eleitor tem sua forma de pensar. Ele não costuma aderir a essas fórmulas desejosas. Por exemplo: o simpatizante de Ciro Gomes, com um viés de esquerda, votaria em Sérgio Moro? Ou o eleitor de Datena é o mesmo de Eduardo Leite? São simples perguntas que apontam para o revés de juntar todo mundo num mesmo pacote.

Na prática, o problema factual ganha corpo quando a dita terceira via veste rosto específico, pois que, obviamente, um objeto antes inanimado irá sofrer agora com a rejeição e com ataques em relação aos seus pontos vulneráveis.

A questão é mais simples do que parece – a complicação e suas equações são interessadas – e a história nos mostra que uma candidatura correndo por fora apresenta parcas chances de se viabilizar. Porém, aqueles que erraram ao estabelecer um patamar idêntico para civilização e barbárie se veem obrigados a dobrar a aposta. Como contam com dorsais avantajados, irão patinar feio e não serão cobrados pela análise portadora de consequências concretas. De novo.

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