Uma narrativa contra governadores e prefeitos em construção

O ex-ministro da cidadania, Osmar Terra, tem utilizado da sua condição de médico, para espalhar desinformação contra as medidas de isolamento. Segundo ele, o coronavírus é como uma virose qualquer e a quarentena só levou o vírus para a casa das pessoas. Mesmo desacreditado pelas suas próprias previsões – disse que não morreriam mais de 730 pessoas durante a pandemia no Brasil e já passamos dos 1300 óbitos -, ele dobra a aposta como forma de se manter alinhado com o negacionismo do presidente. E mais: como possível nome a ser indicado por Bolsonaro para o lugar de Luiz Henrique Mandetta, já fritado no governo.

A versão – falsa – de Terra não é apenas uma mentira sem maiores consequências. O Potiguar faz um prognóstico: como os governadores, prefeitos, congresso e o ainda hoje ministro Mandetta se colocam a favor do isolamento, que não vem sendo efetivamente cumprido por cerca de metade dos brasileiros, conforme pesquisas pela análise de geolocalização de smartphones; com a elevação de óbitos, Bolsonaro usará de tal narrativa para responsabilizar tais agentes e poderes pela situação. Alegará: o isolamento, não apenas não funcionou, como ceifou a economia e levou a morte para a casa das pessoas. Este será o ataque de Jair Bolsonaro contra o “sistema”.

É verdade? As evidências mostram que não. Países que saíram mais rapidamente da quarentena, com baixo número de mortes e menos danos econômicos, foram os radicais no fechamento das cidades, na manutenção das pessoas em casa e na ampla testagem e isolamento dos doentes e pessoas próximas. Tudo que não estamos fazendo.

Mas verdade é detalhe para o atual governo. O dado concreto é que a narrativa vem sendo modulada pelo presidente e seus apoiadores. E será por aí, após a pandemia estourar de vez no Brasil, que Bolsonaro construirá bodes expiatórios para as suas (ir)responsabilidades.

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