Vídeo de caminhoneiros comemorando estado de sítio no Brasil é só mais um exemplo de que a militância bolsonarista virou uma seita

Os vídeos que viralizaram dos caminhoneiros em greve comemorando estado de sítio, uma fake news, só espanta se você ainda não viu gente defendendo mata piolho como proteção contra covid, que o aumento da gasolina ocorre por conta do ICMS ou que o STF não deixou Bolsonaro fazer nada na pandemia. Não há nada aí fora da curva. É o cotidiano de tais grupos políticos.

O bolsonarismo se transformou numa comunidade autorreferida, ou seja, só há comunicação entre eles e qualquer ação, informação ou alegação que venha de fora é logo desqualificada. O patinado brasileiro é invenção da mídia, a pandemia idem e tudo de ruim no Brasil é de responsabilidade de terceiros. O bolsonarismo tem lógica de seita.

O Brasil vive uma crise significativa e o presidente, razão de grande parte do revés, apaga o fogo com gasolina. Com o 7 de setembro, ele ultrapassou uma faixa de ataque às instituições que não tem como retornar. O que isto quer dizer: que ele chegou a um processo de radicalização em que ou vai ou racha. E o problema? É que seu núcleo mais extremista quer um nível de golpismo que o presidente tem vontade, mas não tem força para executar.

Não adianta esperar algo distinto. Bolsonaro continuará em sua jornada para tentar melar o processo eleitoral e é possível que sua militância alojada em realidade alternativa o deixe, não por decepção com os resultados das suas incursões, mas por esperar dele uma postura ainda mais radical que ele não é capaz de desempenhar.

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