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Mensagens obtidas pela CPI mostram como blogueiro investigado pelo STF conseguiu financiamento de empresário

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Do Jornal Nacional – Documentos obtidos pela CPI da pandemia revelaram como um blogueiro acusado de disseminar fake news conseguiu financiamento de um empresário bolsonarista. Para isso, ele teve a ajuda do deputado Eduardo Bolsonaro.

A CPI apurou que políticos, empresários e sites usaram a rede de disseminação de fake news, conhecida como gabinete do ódio.

Para a CPI, a estrutura começou antes da Covid, mas ganhou forca na distribuição de informações falsas sobre a pandemia.

A comissão afirma que um filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PSL, trabalhou para conseguir financiadores para o grupo.

A TV Globo teve acesso a documentos da CPI. Um deles, uma troca de mensagens entre Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Allan dos Santos de janeiro de 2019.

Allan dos Santos é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal que apuram disseminação de fake news, ameaças a autoridades e financiamentos de atos antidemocráticos.

De acordo com a Polícia Federal, nas mensagens Allan “pede que Eduardo Bolsonaro o ponha em contato com o empresário Luciano Hang”.

Allan escreve: “Preciso que você me coloque em contato com o Luciano Hang.”

Eduardo Bolsonaro envia o número do telefone e pergunta: “Quer que eu fale algo a ele para te introduzir?”

Allan responde: “É melhor.”

Uma hora e meia depois, Eduardo diz: “Mandei mensagem para o Hang. Assim que ele me responder te passo.”

Alan concorda: “Ok.”

Mais tarde Eduardo responde: “Ele disse que você pode entrar em contato com ele. Falei que você é o nosso cara da imprensa para um projeto que desenvolvemos aqui nesta semana de aulas com o Olavo.”

Olavo é Olavo de Carvalho, astrólogo e ideólogo do bolsonarismo.

No dia seguinte, Allan diz a Eduardo: “Sobre o Hang: quando ele voltar da Europa, falarei com ele.”

Eduardo responde: “Beleza. Falei o macro com o Hang.”

Quatro meses depois, Allan dos Santos escreve: “Luciano Hang está dentro. Patrocínio para o programa.”

A CPI também teve acesso a uma conversa entre o blogueiro Allan dos Santos e o empresário Luciano Hang. Depois de procurado por Allan, Luciano Hang responde: “Eduardo Bolsonaro me falou que conversou contigo.”

Luciano Hang foi convocado pela CPI da pandemia. O depoimento dele está previsto para a próxima quarta-feira (29). Para a CPI, Allan dos Santos é um dos principais disseminadores de fake news sobre a pandemia.

“É a existência de uma verdadeira organização criminosa de fake news que teve papel determinante no agravamento da pandemia. Veja, essa organização criminosa começa a se articular e se constituir a partir de 2019, e, na pandemia, para reforçar o discurso negacionista do presidente da República e do seu governo”, diz o senador Randolfe Rodrigues, da Rede-AP, vice-presidente da CPI.

A CPI investiga também Bernardo Küster, apontado como mais um disseminador de informações falsas. Os senadores recolheram mais de 100 postagens dele com mentiras sobre a pandemia.

Documentos obtidos pela comissão mostram que, no dia 2 de abril do ano passado, Bernardo articulou ataques ao governador de São Paulo, João Doria.

Nesse dia, Doria anunciou novas medidas de combate ao vírus e trocou postagens com o ex-presidente Lula sobre deixar as diferenças de lado durante a pandemia.

No grupo “Direita unida”, Bernardo manda uma mensagem: “Recebi ordens do GDO pra levantar forte a tag #DoriaPiorQueLula. Bora lá no Twitter. Tá subindo a tag em quarto lugar.”

GDO é a sigla usada para o gabinete do ódio. A Polícia Federal afirma que os suspeitos de fazerem parte do gabinete passaram a usar a expressão para se referir ao grupo antes mesmo da pandemia.

Em outro documento em poder da CPI, o assessor especial da Presidência, Filipe Martins, também menciona o gabinete do ódio. Ele se refere a um outro assessor, Tercio Arnauld, como membro original do gabinete do ódio.

“Tudo que aconteceu foi consequência da participação dessa figura macabra, amoral que é esse gabinete do ódio, que não tem outro objetivo senão o objetivo de disseminar mentiras, de atacar alvos previamente selecionados e de participar dessa forma desinformando em todos os episódios marcantes na vida nacional”, afirma o senador Renan Calheiros, MDB-AL, relator da CPI.

Luciano Hang afirmou que as afirmações são uma narrativa absurda, que não faz parte de gabinete nenhum e que é mentira que ele tenha patrocinado veículos de internet que disseminaram desinformação.

O Jornal Nacional não conseguiu contato com Eduardo Bolsonaro, Allan dos Santos, Bernardo Küster, Filipe Martins e Tércio Arnaud.

Não há só fake news na tentativa de culpar o ICMS pelo aumento dos combustíveis: a ideia é forçar uma queda de arrecadação, atraso de salários e paralisação de serviços públicos de olho em 2022

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Não há só a tentativa de jogar a culpa pelo aumento dos combustíveis para o ICMS, o que é falso. A aliquota segue congelada desde 2015. No RN, esse debate também é eleitoral e cortado pela ideia de forçar uma redução de ICMS irresponsável, revertendo a normalização da máquina pública e que inviabilizaria uma reeleição de Fátima Bezerra.

Além de obviamente o ICMS não ser o responsável pelos sucessivos aumentos da Petrobrás, há a tentativa de criar novamente o ambiente de quebradeira da máquina pública, impedindo o processo de recuperação fiscal do RN em curso. Com isso, a oposição passaria a ter viabilidade em 2022.

Ontem (23), por exemplo, a deputada Cristiane Dantas disse em pronunciamento na Assembleia que o valor da alíquota do ICMS é exorbitante. Em 2015, a última vez que o imposto sofreu ajuste, ela votou a favor do aumento. O vice governador Fábio Dantas, que é seu marido, foi um articulador na época do aumento (leia aqui).

Hoje críticos da alíquota, os oposicionistas Gustavo Carvalho e José Dias também votaram a favor em 2015 pela justificativa da recuperação fiscal do RN. Atualmente, porém, querem baixar contra o que eles mesmos alegaram para frear a recuperação que vem ocorrendo de fato agora. Já com o último aumento do ICMS, a gasolina custava menos de 3 reais em 2015.

Em resumo, atirando no algo inadequado, a oposição encobre a política de preços mantida pela petrobrás, que cobra em dólar e produz de forma autossuficiente em real, gerando elevados lucros para os acionistas; e tenta secar os cofres do governo, trazendo de novo o período de paralisação de serviços e atrasos de salários. Com isso, vislumbraria a possibilidade de levar em 2022.

BASE DE CÁLCULO, IMPOSTOS E FAKE NEWS

O pilar da fake news quando se culpa o ICMS pelo aumento dos combustíveis é fácil de compreender, caro leitor. Primeiro, quem aprova aumento não é o governo do RN, mas a Assembleia Legislativa e isto não ocorreu. Depois – a porcentagem cobrada por todo e qualquer imposto sobre um serviço/produto parte de seu valor. Assim, 29% de ICMS sobre 2 reais é menos do que 29% sobre 3. Toda vez que qualquer produto sobe no Brasil os impostos que incidem sobre ele arrecadam mais, já que a alíquota irá incidir sobre um montante maior. Mas não há aumento.

O mesmo pode ser dito, por exemplo, sobre o Imposto de PRodutos Industrializados (do governo federal), que nós pagamos em um carro ou IPTU (da prefeitura) que pagamos sobre um imóvel. A porcentagem é sempre a mesma. Mas o IPI sobre um carro mais caro será de valor arrecadatório maior do que se ele custasse menos, mas a taxa segue inalterada.

Os defensores do aumento dos combustíveis pela política de preços da Petrobrás tentam jogar esta culpa para os impostos, o que não faz nenhum sentido. Isto é, querer que com a atualização do preço do combustível pela Petrobrás, o imposto não incida sobre o valor, mas sobre um preço fictício irreal menor. Ora, nenhum imposto no Brasil funciona assim. Nenhum.

O que os bolsonaristas querem. Por exemplo, um carro é vendido por 100 mil, mas a cobrança de imposto parta da pressuposto que ele só custa 50 mil e a taxa atue sobre valor desatualizado. As prefeituras não fazem, os estados e muito menos o governo federal. Além de ser irracional porque o imposto deixaria de seguir a inflação, é também ilegal pois que inconstitucional. Se a Petrobrás parar de incrementar seus preços e até diminuir a tarifa, consequentemente o ICMS também cairá em montante arrecadado porque os 29% abaterão sobre menor montante.

Dossiê aponta que declaração de óbito da mãe de Luciano Hang foi fraudada na Prevent Senior

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Do Yahoo NOtícias – O dossiê da Prevent Senior entregue à CPI da Covid afirma que a declaração de óbito de Regina Hang, mãe do empresário bolsonarista Luciano Hang, foi fraudada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo o veículo, está é uma das revelações feitas pelo documento de mais de 60 páginas elaborado por 15 médicos que trabalharam para a operadora de saúde. Nele, os profissionais também informaram que a Prevent Senior omitiu sete mortes de pacientes com Covid-19 tratados com hidroxicloroquina em estudo.

De acordo com os médicos, o episódio envolvendo Regina Hang é um dos “inúmeros casos que não foram devidamente noticiados” e consta no capítulo sobre “fraude nas declarações de óbito” do dossiê.

Presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) repercutiu a acusação na sessão desta quarta-feira (22). Ele considerou que Luciano Hang “tinha condições de levar a sua genitora para a lua, porque tem dinheiro para isso”. “Mas leva para a Prevent Senior. E lá, segundo as informações, no atestado de óbito não consta que ela veio a óbito por Covid.”

Prevent Senior estaria envolvida em escândalo envolvendo estudo fraudulento para incentivar uso de cloroquina (Foto: Prevent Senior/Divulgação)
Prevent Senior estaria envolvida em escândalo envolvendo estudo fraudulento para incentivar uso de cloroquina (Foto: Prevent Senior/Divulgação)

Dossiê confirma uso de medicamentos sem eficácia comprovada

Segundo o dossiê, Regina foi internada no dia 31 de dezembro do ano passado e faleceu em 3 de fevereiro de 2021. No prontuário da mulher, haveria informações sobre a realização de “tratamento precoce” com hidroxicloroquina, azitromicina e colchicina, após o início dos sintomas em 23 de dezembro e antes da entrada na Prevent Senior.

Ainda segundo relato dos médicos, durante a internação, a idosa teria recebido ivermectina e outros “tratamentos experimentais”.

Luciano teria mentido em publicação nas redes sociais

Luciano relatou a morte da mãe no dia 5 de fevereiro, em vídeo publicado no Instagram. Na ocasião, ele afirmou que a mãe estava assintomática e com “quase 95% do pulmão tomado” quando foi levada ao hospital.

Na legenda da publicação, o empresário garantia que “até ser diagnosticada com Covid-19, eu nunca dei nenhum medicamento para prevenção a minha mãe”. “Eu me questiono: será que se eu tivesse feito o tratamento preventivo, eu não teria salvado a minha mãe?”, diz ele no vídeo.

Os dados relatados no dossiê, porém, desmentem a versão de Luciano. Segundo os médicos, “o prontuário médico da sra. Regina Hang prova que ela utilizou o kit antes de ser internada e que repetiu o tratamento durante a internação, assim como registram que seu filho, sr. Luciano Hang, tinha ciência dos fatos”.

“Como outros tantos casos de óbitos na rede Prevent Senior decorrentes da covid-19 que não foram devidamente informadas às autoridades, a declaração de óbito da sra. Regina Hang foi fraudada ao omitir o real motivo do falecimento”, aponta o documento. 

Bolsonaro faz afirmações enganosas em discurso da ONU

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Da AFP – O presidente Jair Bolsonaro fez várias declarações enganosas ou imprecisas nesta terça-feira (21), durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, verificadas pela equipe de Factcheck da AFP no Brasil.O presidente Jair Bolsonaro ao final de seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro de 2021 em Nova York© EDUARDO MUNOZ O presidente Jair Bolsonaro ao final de seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em 21 de setembro de 2021 em Nova York

– Tratamento “precoce” e combate à covid –

“Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce”, declarou Bolsonaro. “Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, acrescentou, voltando a defender, apesar de não citá-la, a hidroxicloroquina, um medicamento antimalária que se mostrou ineficaz contra a covid-19 em testes clínicos.O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo é contra o passaporte sanitário, mas 'apoia os esforços' de vacinação contra a covid-19.© Fornecido por AFP O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, em seu discurso na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu governo é contra o passaporte sanitário, mas ‘apoia os esforços’ de vacinação contra a covid-19.

Embora tenha afirmado sempre ter defendido o combate “ao vírus e ao desemprego simultaneamente e com a mesma responsabilidade”, em diversas oportunidades o presidente minimizou a gravidade da doença, inclusive classificando-a como uma “gripezinha”

“Apoiamos a vacinação”, também afirmou Bolsonaro, apesar de ter garantido que será “o último brasileiro” a se vacinar, além de duvidar da eficácia do imunizante da Pfizer, que poderia transformar as pessoas em “jacaré”.

– Meio Ambiente e Amazônia –

Bolsonaro afirmou que “na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior”, um dado verdadeiro, mas que precisa ser contextualizado.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do ano, perdeu-se uma área muito semelhante à do ano passado (6.098 km² entre janeiro e julho de 2020, ante 5.944 km² no mesmo período de 2021).

“Em seu governo, o desmatamento cresceu por dois anos consecutivos”, lembrou a ONG Observatório do Clima após o discurso do mandatário na ONU.

Quanto aos incêndios, eles também dispararam. Segundo o Inpe, foram registrados 28.060 incêndios na Amazônia brasileira no mês passado, 4,3% a menos do que em agosto de 2020, embora bem acima da média de 18 mil na década anterior à chegada de Bolsonaro ao poder em 2019.

– “Sem corrupção” no Brasil –

“Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção”, afirmou Bolsonaro, referindo-se ao período em que governa o país.

Embora não tenham sido concluídas, várias investigações estão em andamento contra o presidente e seu entorno: uma CPI no Senado investiga denúncias de irregularidades em um dos contratos negociados por seu governo para comprar vacinas anticovid, e o próprio Bolsonaro enfrenta uma investigação por suspeita de que estava ciente dessas queixas e não informou as autoridades.

Seu ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está sendo investigado por suposto envolvimento em esquema de exportação ilegal de madeira e, embora não faça parte formalmente do governo, o senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro foi denunciado pelo Ministério Público por suspeitas de participação em esquema de desvio de dinheiro quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.

– Manifestações recorde –

Bolsonaro afirmou que os movimentos de rua de 7 de setembro, nos quais criticou o judiciário e inflamou apoiadores que defendiam atitudes antidemocráticas, foram “a maior manifestação da história” do Brasil.

Embora não houvesse estimativa nacional do público, apenas o protesto em São Paulo reuniu, segundo a polícia, cerca de 125.000 manifestantes pró-governo, enquanto em março de 2016 um protesto contra a então presidente Dilma Rousseff no mesmo local reuniu 1,4 milhões de pessoas.

MP pede suspensão do uso de ‘kit covid’ na Prevent Senior e quer pagamento de indenização

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Do Estadão – O Ministério Público de São Paulo vai propor um acordo à operadora de planos de saúde Prevent Senior para suspender o uso do chamado “kit covid” (que inclui hidroxicloroquina e cloroquina) em unidades da rede. A proposta, que será formalizada na semana que vem, prevê ainda a paralisação de qualquer estudo clínico relacionado com o coronavírus e o pagamento de uma indenização por danos morais coletivos, com valor a ser estipulado de acordo com o faturamento do plano de saúde.

A empresa é alvo de investigações no MP, na Polícia Civil e na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid por supostamente pressionar seus médicos conveniados a tratar pacientes com substâncias do “kit covid”, como hidroxicloroquina, contra-indicada para a covid-19. Órgãos de atenção ao consumidor e a Agência Nacional de Saúde Suplementar também avaliam a conduta da Prevent, acusada ainda de ter conduzido um estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina sem avisar pacientes nem seus parentes. Tal estudo teria omitido mortes de pacientes, influenciando o resultado para dar a impressão de que o medicamento seria eficaz.Unidade da rede Sancta Maggiore, da Prevent Senior, em Santa Cecília, no centro de São Paulo © Reprodução/Google Street View Unidade da rede Sancta Maggiore, da Prevent Senior, em Santa Cecília, no centro de São Paulo

O acordo, chamado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), é uma medida de praxe antes de o MP oferecer uma ação à Justiça, mas a expectativa da Promotoria de Direitos Humanos, responsável pelo caso, é que não haja disposição, por parte da empresa, em assinar acordos, uma vez que implicaria admissão de culpa. A proposta, revelada pela CBN e confirmada pelo Estadão, será feita à empresa em uma audiência na sede do MP, no centro de São Paulo.

A proposta de TAC é a última etapa da investigação, que teve início em março. Confirmada a recusa ao acordo, conforme apurou o Estadão, o MP vai apresentar uma ação civil contra a empresa.

Apesar de uma série de relatos de médicos e pacientes, e centenas de documentos colhidos desde o começo do ano por parte da promotoria, a empresa vem argumentando ao MP que não havia orientação direta para uso da hidroxicloroquina ou cloroquina porque os médicos são livres para prescrever o medicamento que julgarem mais adequado para cada paciente. A empresa também nega que tenha adulterado qualquer estudo clínico. Há suspeita de que pacientes que morreram em decorrência da covid tiveram seus atestados de óbito emitidos sem referência à doença causada pelo coronavírus, como a mãe do empresário Luciano Hang, apoiador do presidente Bolsonaro.

Em depoimento à CPI nesta quarta, o diretor-executivo da empresa, Pedro Batista Júnior, argumentou que o dossiê contra a operadora enviado ao colegiado – reunindo as denúncias investigadas inclusive pelo MP – contém informações “manipuladas” por médicos demitidos da rede.

Ministro da Saúde, Queiroga compartilha postagem antivacina

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa do programa Brasil em Pauta na TV Brasil© Marcello Casal jr/Agência Brasil O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa do programa Brasil em Pauta na TV Brasil

Do Catraca Livre – Infectado com novo coronavírus, o médico Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde do governo Bolsonaro, compartilhou uma mensagem antivacina em sua rede social. A publicação colocava em dúvida a eficiência dos imunizantes e de medidas de segurança sanitária contra a covid-19.

“Que ironia! Ministro Marcelo Queiroga seguiu todos os protocolos, vacinou com a coronavac, usa máscara o tempo inteiro e foi contaminado. O presidente [Jair Bolsonaro] não se vacinou, não usa máscara, estava ao lado dele e não pegou”, dizia a mensagem.

O ministro excluiu a publicação após a reação negativa.

Queiroga testou positivo para covid-19 na última terça-feira, 21, em Nova York (EUA). Ele acompanhava a comitiva de Bolsonaro à Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas.

No sábado, 18, um dos responsáveis para preparar viagem de Bolsonaro à ONU também positivou para o coronavírus. O diplomata é um funcionário que organiza com antecedência as visitas presidenciais.

Médico negacionista Anthony Wong morreu de Covid-19, mas Prevent Senior manteve em segredo

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Morte em segredo

Da Revista Piauí

Por Ana Clara Costa

Quando o pediatra e toxicologista Anthony Wong morreu, aos 73 anos, no dia 15 de janeiro de 2021, sua família divulgou, em nota, que ele havia sido hospitalizado com queda de pressão e mal-estar. Internado, recebeu o diagnóstico de úlcera gástrica e hemorragia digestiva. “Durante a internação, evoluiu com quadro de descompensação do padrão cardíaco e padrões de fibrilação atrial”, informa o texto. Em português, teve fortes alterações no ritmo cardíaco e depois sofreu uma parada cardiorrespiratória. A nota omite, contudo, que Wong fora internado com sintomas de Covid-19 e que, ao final de quase dois meses no hospital, tornou-se uma das quase 600 mil vítimas da pandemia no Brasil. A piauí teve acesso ao conteúdo do prontuário médico de mais de 2.000 páginas, no qual se descreve todo o tratamento até sua morte. Teve acesso, também, ao atestado de óbito, onde não há qualquer menção à morte por Covid.

O médico Anthony Wong morreu de Covid, mas a causa da morte foi mantida em segredo

Wong era uma celebridade nas redes sociais bolsonaristas em razão do seu negacionismo. Em vídeos, ele desprezava a pandemia e a vacinação. Compunha um trio com a imunologista e oncologista Nise Yamaguchi e o virologista Paolo Zanotto. Como pediatra, Wong formou uma farta clientela desde os anos 1980 entre a elite paulistana. Quando surgiu a pandemia, ele começou a enviar vídeos aos pais de seus pacientes que, preocupados, pediam que o médico explicasse o que era a Covid-19 e seus efeitos. Os conteúdos acabaram viralizando, e o médico decidiu criar contas no YouTube e no Instagram para publicar suas opiniões. Tinha milhares de seguidores. Quando morreu, seus familiares excluíram os canais e nunca aceitaram pedidos de entrevista.

Em outubro de 2020, numa audiência online promovida pela Câmara dos Deputados com médicos que criticavam o isolamento social e promoviam o tratamento precoce contra a Covid, Wong deu algumas de suas últimas declarações públicas. Defendeu a chamada “intervenção vertical”, que é o isolamento apenas de idosos e gestantes, e a volta à normalidade para o restante da população. Disse que uma segunda onda, se houvesse, chegaria apenas em maio deste ano (chegou em fevereiro), e afirmou categoricamente, sem qualquer base científica, que o brasileiro tinha imunidade alta contra os diversos tipos de coronavírus: “Se fossem feitos testes como os que foram feitos em outros países, nós verificaríamos talvez que o índice de imunidade da população em geral também é alta, especificamente para a Covid-19”, disse. O Brasil, como se sabe, é o segundo país, atrás apenas dos Estados Unidos, com mais mortos na pandemia.

No dia 17 de novembro, Wong foi internado no hospital Sancta Maggiore do Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo. O estabelecimento pertence à rede Prevent Senior, que está agora sob investigação da CPI da Pandemia sob suspeita de cometer uma série de irregularidades. Quando deu entrada no Sancta Maggiore, o médico contou que estava com sintomas de Covid-19 havia oito dias. Também disse que vinha fazendo uso de hidroxicloroquina, medicamento que os negacionistas insistem em receitar contra a Covid, apesar de não ter qualquer eficácia comprovada. Um exame de PCR feito no hospital confirmou a presença do Sars-CoV-2. Era a segunda vez que Wong contraíra a doença. Da primeira, no início da pandemia, em abril de 2020, recuperou-se bem. Disse que fora assintomática.

No dia da internação, segundo consta do prontuário médico, Wong autorizou ser medicado com o “kit Covid” da Prevent Senior, composto de hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina. O tratamento precoce durou quatro dias, e Wong passou a usar outros remédios, todos sem comprovação pela ciência. Recebeu heparina inalatória, cujo efeito em infecções virais é desconhecido, e metotrexato venoso, tradicionalmente prescrito no tratamento de doenças autoimunes e inflamatórias crônicas, como artrite, mas sem efeito comprovado contra a Covid. Juntamente com essa leva de tratamentos experimentais, Wong recebeu mais de vinte sessões de ozonioterapia retal, tratamento que até mesmo o Ministério da Saúde no governo Bolsonaro desaconselha. Em nota divulgada em agosto de 2020, a pasta informou: “O efeito da ozonioterapia em humanos infectados por coronavírus (Sars-CoV-2) é desconhecido e não deve ser recomendado como prática clínica ou fora do contexto de estudos clínicos.” Seu uso, na verdade, só é autorizado para testes clínicos em instituições autorizadas. A Prevent Senior não é uma delas. 

Sem que a medicação ajudasse em sua melhora, o médico foi entubado no dia 21, quatro dias depois de sua internação. Segundo o prontuário, a médica responsável pelo paciente era justamente Nise Yamaguchi, afastada do hospital Albert Einstein depois de declarações em que comparou o medo de pegar Covid à reação do povo judeu diante do nazismo. Os dados do prontuário constam de um processo movido pela Prevent Senior no Cremesp contra um médico acusado pela rede de vazar informações sigilosas sobre o estado de Wong.

No nono dia de tratamento, Wong desenvolveu uma hemorragia digestiva que, segundo o prontuário, foi revertida em menos de 24 horas, depois de ele ter recebido transfusões de sangue. Durante o restante do período de intubação, ele deixou de ser medicado com o kit Covid — ficou apenas com a ozonioterapia e o metotrexato venoso. Wong também desenvolveu insuficiência renal e foi submetido a frequentes sessões de diálise, que filtram o sangue quando o rim já não consegue mais eliminar as toxinas do corpo. O médico foi ainda retirado da intubação e submetido a um procedimento, mais invasivo, de traqueostomia, que consiste na inserção de um tubo na traqueia para permitir a respiração. 

Ao final de seus dias, o médico fora infectado por uma pneumonia bacteriana que não cedia à medicação aplicada. Era outra consequência da Covid, já que respiração mecânica oferece o risco de infecções bacterianas. A infecção se espalhou pelo corpo, resultando em um choque séptico, que provocou a falência dos órgãos e uma parada cardiorrespiratória. 

No dia 15 de janeiro, data da morte de Wong, o prontuário relata uma troca de orientações entre a médica Fernanda Igarashi, que assina o atestado de óbito, e seu chefe Fernando Pinho Esteves, coordenador médico da Prevent Senior. Segundo as comunicações do documento, percebe-se que a hierarquia das decisões era exercida por Yamaguchi, mas quem executava, na ponta, era Igarashi, sob orientação de Esteves. Ele orientou que Igarashi coletasse um novo PCR do paciente, mas a indicação era para que fosse um PCR de emergência, em que o resultado sairia mais rápido – modalidade aplicada a pacientes que estão prestes a serem operados. O resultado não foi anexado ao prontuário. 

O médico faleceu às 17h25 do dia 15 de janeiro. O atestado de óbito, no entanto, deveria informar que Wong teve Covid porque a infecção pelo vírus foi o que motivou todas as complicações subsequentes que o mataram. É essa a orientação das secretarias de Saúde dos estados, inclusive a de São Paulo. “A declaração de óbito deveria mostrar o código para Covid senão como causa básica da morte, ao menos como causa secundária”, afirma o epidemiologista Wanderson Oliveira, que elaborou os protocolos de manejo de corpos do Ministério da Saúde quando era secretário de Vigilância em Saúde, na gestão de Luiz Henrique Mandetta. Mas o atestado de Wong não menciona Covid nem como causa básica nem secundária. Em vez disso, limita-se a informar as doenças que decorreram da Covid. No campo da causa mortis, diz o seguinte: choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes mellitus. A única doença prévia de Wong, no momento em que foi internado, era uma diabetes leve, que ele vinha tratando com medicação adequada. As outras três intercorrências – o choque séptico, a pneumonia e a hemorragia digestiva – foram provocadas por complicações do tratamento da Covid.

Wong foi velado e enterrado em 16 de janeiro no Cemitério do Morumbi, em São Paulo. A cerimônia foi íntima, mas, como a razão de sua morte foi omitida nos documentos, as restrições previstas no protocolo determinado às vítimas da Covid-19 não foram cumpridas.

Em março de 2021, dois meses depois da morte de Wong, procurei a Prevent Senior porque, já naquela época, havia informações de que ele falecera de Covid. O presidente da empresa, Pedro Benedito Batista Jr, que será ouvido pela CPI da Pandemia nesta quarta-feira, me disse que não comentaria nada sobre o paciente sem autorização da família. Argumentei que precisava entrevistá-lo porque as informações divulgadas pelo próprio Wong em suas redes haviam sido apagadas. Batista se limitou a responder que “nosso país infelizmente faz isso com pessoas sérias: faz questão de apagar o que construíram”. 

Examinando-se o prontuário de Wong constata-se que 123 funcionários do Sancta Maggiore prestaram atendimento ao pediatra durante seu período de internação — todos eles mantiveram sigilo sobre o tratamento precoce, os tratamentos experimentais e a causa da morte do paciente. Agora, Pedro Batista Jr. terá de responder por isso – e outras irregularidades que a Prevent Senior pode ter cometido. No dia 16 de setembro, uma reportagem da GloboNews mostrou áudios e mensagens de gestores da Prevent Senior indicando o tratamento precoce e ordenando que nada fosse dito aos familiares ou aos próprios pacientes. A reportagem também mostrou que a Prevent Senior conduzia uma pesquisa sobre a eficácia da hidroxicloroquina omitindo os dados dos pacientes que morriam durante o tratamento.

Procurada pela piauí, a Prevent Senior disse que não comentaria casos específicos de pacientes sem autorização da família. Carla, viúva de Wong, enviou a seguinte nota à reportagem: “A família informa que não tem poder para alterar nenhuma informação no atestado de óbito e vê com incredulidade a invasão do prontuário. Informa ainda que não existe nada a ser dito e pede que respeite o nome do doutor Anthony Wong.”

Governo do RN ultrapassa a marca 1.500 vidas salvas na gestão atual

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O Rio Grande do Norte bateu mais um recorde positivo na preservação da vida do povo norte-riograndense. Neste final de semana, o Governo do Estado ultrapassou a marca de 1.500 vidas salvas na área da segurança pública. Este número corresponde à diferença de 27.52% entre o número de homicídios ocorridos durante este período da gestão da professora Fátima Bezerra no comparativo com o mesmo período da gestão anterior.

Ao todo, nos 994 dias de gestão, de 1º de janeiro de 2019 a 20 de setembro de 2021, o atual governo do Rio Grande do Norte contabilizou 3.965 Condutas Violentas Letais e Intencionais, os chamados CVLIs, ultrapassou a marca de 1.500 mortes a menos do que no mesmo período de 1º de janeiro de 2015 a 20 de setembro de 2017, quando foram assassinados 5.471 potiguares. 

“A preservação da vida dos potiguares tem sido o pilar da nossa gestão, seja no enfrentamento da pandemia, ou no investimento constante nas forças de segurança do nosso estado. E o que vemos são resultados: em menos de mil dias de gestão, conseguimos ultrapassar a marca de 1500 vidas salvas. É uma diferença de quase 30% de número de homicídios, comparado ao mesmo período da gestão anterior. Isso me alegra imensamente, pois sei que poupamos 1500 famílias da dor da perda de um ente querido para a violência. Mas uma coisa é certa: isso não é mágica. É fruto de um trabalho conjunto do Governo do Estado com nossos incansáveis agentes de segurança, que vêm trabalhando diuturnamente para garantir a paz no Rio Grande do Norte”, disse a governadora, professora Fátima Bezerra.

No comparativo imediato entre os 994 dias de ambas as gestões, realizado nesta segunda-feira (20), a diferença total no número de homicídios chega em 1.506 vidas salvas

“Ultrapassar a marca de 1.500 vidas salvas em menos de mil dias de gestão é um feito memorável para a gestão da professora Fátima Bezerra no governo do Estado. O número é resultado de um trabalho conjunto e integrado”, ressaltou o coronel Francisco Araújo, titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED).

“Temos a convicção de que a preservação da vida é um dos pilares da atual gestão, as estatísticas positivas na redução dos homicídios é consequência de um trabalho abnegado dos profissionais da segurança pública estadual, além da importante integração e do empenho das instituições estaduais, a Polícia Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e o Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP), e também o apoio da Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (SEAP), a Polícia Penal, as Polícias Federal e Rodoviária Federal, as Forças Armadas, as Guardas Municipais e o Ministério Público Estadual (GAECO). Todas cooperam de forma importante para os êxitos da atual gestão na diminuição das mortes violentas”, completou.

Na ONU, Bolsonaro faz discurso para a base, cita ‘risco de socialismo’ e defende tratamento precoce

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Do Estadão – O presidente Jair Bolsonaro jogou por água abaixo a tese de diplomatas de que faria um discurso mais sóbrio do que os anteriores na abertura da Assembleia-Geral da ONU, sem, desta vez, apelar para sua base ideológica. Logo no início da sua fala, o presidente insistiu na retórica de que seu governo é melhor do que o retratado na imprensa e disse, como fez em 2019, que o Brasil esteve “à beira do socialismo”. Nos cerca de 13 minutos de pronunciamento, mentiu ou distorceu informações sobre manifestações no País, dados ambientais e corrupção em seu governo. Ele ainda atacou governadores e prefeitos por políticas de isolamento social na pandemia de covid-19, defendeu o chamado “tratamento precoce” contra covid-19 — em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes contra covid, como hidroxicloroquina e ivermectina — e se colocou contrário a “passaportes de vacinação”.

“Venho aqui mostrar o Brasil diferente daquilo publicado em jornais ou visto em televisão. O Brasil mudou e muito depois que assumimos o governo em janeiro de 2019”, disse Bolsonaro. “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo.”

A narrativa anti-socialista tem apelo junto à base eleitoral de Bolsonaro, que ele buscou agradar no palco internacional, como fez sobretudo em sua primeira participação na ONU, em 2019. Assim, nesta manhã, o presidente aproveitou para atacar a “ditadura bolivariana” da Venezuela e o financiamento brasileiro a obras em “países comunistas”, em referência a empréstimos feitos pelo BNDES nas gestões petistas.

O presidente ainda citou na ONU os atos antidemocráticos de 7 de Setembro, quando apoiadores do seu governo foram às ruas defender o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e a destituição de ministros. Na ocasião, Bolsonaro também fez ameaças a integrantes da Corte. Segundo o presidente, as manifestações foram as maiores da história do País, o que não é verdade. Protestos contra o governo de Dilma Rousseff, em 2016, por exemplo, reuniram número maior de pessoas.

Pandemia

A fala de Bolsonaro sobre a pandemia destoa do tom de líderes globais que, no plenário da ONU, têm defendido com ênfase a vacinação como saída para debelar a pandemia de coronavírus. O presidente ainda atribuiu à política de isolamento social a inflação em alta no País, uma das principais ameaças a sua campanha à reeleição. O chamado “lockdown”, considerado a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vídeus, foi defendida por líderes do mundo que participam hoje da ONU, como o americano Joe Biden e o britânico Boris Johnson.

Único líder do G-20 a abertamente declarar que não se vacinou, Bolsonaro disse apoiar a vacinação, mas levantou poréns: “Apoiamos a vacinação, contudo, o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina”. Como mostrou o Estadão, diplomatas brasileiros tinham a expectativa de que o brasileiro anunciasse a doação de doses de imunizantes a países da América Latina, como uma agenda positiva para melhorar a imagem do País no mundo, mas Bolsonaro ignorou a sugestão.

“A pandemia pegou a todos de surpresa em 2020. Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram legado de inflação no mundo todo”, afirmou o mandatário brasileiro, referindo-se indiretamente a governadores e prefeitos que adotaram tais restrições em território nacional.

Ao defender o tratamento precoce, que inclui substâncias contra-indicadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no combate à pandemia, Bolsonaro usou seu caso como exemplo. “Desde o início da pandemia apoiamos a autonomia do médico em busca do tratamento precoce. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, afirmou. “Não entendemos porque muitos países se colocaram contra o tratamento inicial (precoce). A história e a ciência saberão responsabilizar a todos.”

Meio Ambiente

Ao falar sobre a questão ambiental, Bolsonaro disse que o Brasil tem “grandes desafios” em razão da “dimensão continental” do País. Ele repetiu que o Brasil antecipou de 2060 para 2050 o compromisso de atingir a neutralidade climática, como fizera em abril.

O presidente ainda citou dados de redução nos níveis de desmatamento da Amazônia em agosto e afirmou que isso foi uma consequência do aumento de recursos para fiscalização ambiental. O incremento, porém, só ocorreu após uma sequência de recordes negativos de crescimento de áreas queimadas e desmatadas. Bolsonaro afirmou também que o País irá “buscar consenso sobre as regras do mercado de crédito de carbono global” na COP-26.

Desde sua eleição, Bolsonaro é visto pela comunidade internacional como um líder com aspirações antidemocráticas e que coloca em risco a Floresta Amazônica, os direitos de minorias, instituições democráticas e, desde o início da pandemia, a vida dos brasileiros. Em 2019, na sua primeira aparição na ONU, Bolsonaro fez uma fala recheada de referências religiosas, disse que o Brasil esteve “à beira do socialismo”, atacou adversários políticos e países como Cuba e Venezuela e sugeriu que o presidente da França, Emmanuel Macron, tinha “espírito colonialista”. Na época, o presidente era aconselhado pelo então chanceler Ernesto Araújo, que incentivava o discurso de desafio à ordem global e ao que o na época ministro chamava de “globalismo”.

Militares

Além do que disse no discurso, chamou a atenção omissões de Bolsonaro no discurso na ONU. Ao iniciar a sua fala, o presidente retirou a menção a “militares”. “O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo”, dizia o texto original divulgado pelo Palácio do Planalto, mas que não foi falado pelo presidente.

Bolsonaro também não mencionou a questão do marco temporal na demarcação de terras indígenas. Na quinta-feira, 16, em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente já havia dito que defenderia na ONU o tema, um assunto que o Itamaraty não queria que fosse abordado por avaliar que tem interesse apenas doméstico e não para o público internacional, além de acirrar o confronto com o Supremo.

O julgamento do marco temporal na Corte foi interrompido por tempo indeterminado após um pedido de suspensão pelo ministro Alexandre de Moraes. Se a tese for ratificada, uma terra indígena só pode ser demarcada se ficar comprovado que os índios estavam naquele território na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988. O presidente Jair Bolsonaro defende a consolidação desse entendimento.

Oposição quer apurar obra ao lado de condomínio de ministro Rogério Marinho

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ESTADÃO

Oposição quer apurar obra ao lado de condomínio de ministro

‘Estadão’ revelou que ponto turístico no Rio Grande do Norte será construído com recursos do orçamento secreto
Felipe Frazão Breno Pires
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO – 15/9/2021
Mirante. Marinho é ‘autor’ de pedido de repasse de recursos
Parlamentares de oposição reagiram ontem à revelação de que o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) foi o solicitante do repasse de R$ 1,4 milhão, verba do orçamento secreto, para construir um mirante ao lado de um empreendimento imobiliário privado dele, conforme documentos do governo obtidos pelo Estadão. Eles pedem que o Ministério Público Federal (MPF) investigue o ministro e cobram que ele se afaste do cargo e volte ao Congresso Nacional para dar explicações.
Marinho havia sido questionado sobre a autoria do repasse, em junho, pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), em audiência pública conjunta nas comissões de Desenvolvimento Urbano e de Trabalho, Administração e Serviços Públicos. Na ocasião, o ministro se exaltou e cobrou que o deputado mostrasse onde havia a informação de que era um pedido político dele a construção do mirante em Monte das Gameleiras (RN), onde pretende construir um condomínio particular, em sociedade com um assessor no Ministério do Desenvolvimento Regional e a irmã. O ministro atribuiu o direcionamento da emenda ao deputado Beto Rosado (Progressistas-rn), seu aliado.

Porém, planilhas orçamentárias do Ministério do Turismo obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação atestam que Marinho é o “autor” e “agente político” por trás do envio de recursos. Não há nos documentos qualquer vinculação a Rosado. Para o deputado petista, a reportagem evidencia que o ministro mentiu à comissão.
“Ele me chamou de mentiroso, mas o mentiroso é ele, como eu já sabia. Está tão claro que mentiu que ele precisa ser denunciado já ao Ministério Público e isso pode levar à exoneração dele por mentir na Câmara, por ter agido com indicação de emendas sem transparência e pedindo a outro colega dele ministro. Pode dar improbidade administrativa”, disse Rogério Correia. “O correto era ele se afastar até que tudo seja apurado.”
Correia disse que seu gabinete prepara uma denúncia para entregar ao MPF. “Esse desmando do orçamento paralelo virou um problema real à democracia, bilhões para influenciar votações no Congresso Nacional e não tem controle nem como os ministros agem. Pode levar até a uma dobradinha de ministros, um ministro atende outro ministro, um negócio completamente maluco. O Ministério Público
tem que investigar isso.”
O deputado disse que solicitou mais informações sobre o processo de apuração aberto no Tribunal de Contas da União para acompanhar a construção do mirante. “Ele (Marinho) tem interesse na área e evidentemente a construção vai valorizar e muito as terras dele. É uma emenda grande”, afirmou.
O senador Styvenson Valentim (Podemos-rn) apresentou requerimento para que a Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor convoque Marinho a prestar esclarecimentos. Valentim afirma ter ficado “estarrecido” com as informações da reportagem.
Ele diz, no requerimento, que o caso deve ser apurado e que, se confirmadas as informações, “fica evidenciado o exercício do cargo público para benefício próprio”. “É uma oportunidade para o ministro explicar esse orçamento ao nosso Estado. Se ele não tem nada a temer, ele vai lá, fala e comprova”, disse.
O senador Alvaro Dias (Podemos-pr) também defendeu a convocação de Marinho. “Denúncias graves não podem ficar nas sombras da omissão. A comissão de fiscalização e controle do Senado tem a missão do esclarecimento”, afirmou.
• ‘Interesse’
“(Marinho) tem interesse na área e evidentemente a construção vai valorizar e muito as terras dele. É uma emenda grande.”
Rogério Correia (PT-MG)