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O bolsonarista não liga para a corrupção; a sua agenda é a da regressão

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O presidente Jair Bolsonaro negocia com Valdemar da Costa Neto, líder do PL, e com os caciques do PP. São os dois partidos que disputam o passe pelo ingresso do presidente em suas fileiras. Estamos falando de um dos principais alcançados pela Lava Jato na pessoa física, o Valdemar, e o PP na pessoa jurídica. Não há qualquer ranger de dentes para o fato, nem para os escândalos no governo (no meio ambiente, no ministério da economia e da saúde, por exemplo) e a forma com que Bolsonaro demite, assim a luz do dia, superintendentes e delegados que iniciem qualquer investigação contra ele e sua família, ou membros do seu governo. A questão que move o bolsonarismo no Brasil, inclusive antes de Bolsonaro, é uma agenda regressiva.

Pelo que é possível observar nas manifestações bolsonaristas e nos alvos escolhidos por eles, estes seriam os pontos gerais:

A corrente de opinião está alicerçada na ideia de que a crise brasileira acontece em decorrência da mulher não se dá ao respeito e sair do seu local de recato;

A permissividade, nessa visão de mundo, tomou conta também em relação ao fato de que grupos LGBTs vivem as suas vidas no espaço público como os demais cidadãos;

A masculinidade em questão se sente ferida;

Negros são enxergados como privilegiados porque acessam as mesmas oportunidades do que os brancos, através das cotas;

As classes médias e as mais abastadas se ressentem com a aproximação dos pobres;

Por fim, as classes médias querem o fechamento do mercado, impedindo a chamada inflação dos diplomas com o alargamento do acesso às universidades. Isto é visto entre advogados e médicos defensores do fechamento de centros de formação, para que suas mãos de obras não se desvalorizem.

Esta é a base do bolsonarismo. Um ressentimento indisfarçável contra a mudança e a ideia de que o retorno ao passado, não apenas é possível, como também desejável para o restabelecimento da “ordem do mundo”. A corrupção era mero biombo.

Não adianta argumentar e imaginar que demonstrar as inconsequentes ações de Bolsonaro diante da pandemia e da economia irá convencer o bolsonarista a mudar sua opinião. O PSDB deu o início a essa agenda regressiva, mas é o presidente que mais fortemente a carrega hoje. E, sejamos claros, por essa pauta quem ainda se encontra com o “mito” irá com ele até o fim.

Privatização da Petrobras é lorota

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Diante dos aumentos sucessivos de preços dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro falou em privatização da Petrobras. Trata-se de uma grande lorota para desviar o foco da gasolina, por exemplo, que já passou dos 7 reais no RN. Uma privatização da empresa, além de politicamente difícil, seria bem demorada.

Ora, por fim, diante da questão em si, é curioso como a tragédia se repete como farsa. Em 2016, ao dolarizar o preço do combustível e alinhá-lo ao mercado internacional, a promessa era de queda do valor final na bomba. O discurso era também alicerçado na ideia que, com o tempo, o petróleo se tornaria supérfluo diante da economia mundial. O resultado da engação está aí.

Agora, 2021, a mesma conversinha. Vamos vender que o preço melhora porque, além disso, o petróleo será secundário como fonte de energia e a petrobras não valerá mais nada. Isto é, dobraram a aposta por dois caminhos – na manutenção intensiva do modelo que nos trouxe até aqui e na ideia de que todo mundo é otário.

‘Acreditei que pudesse acontecer’, diz gerente de funerária sobre pastor que prometeu ressuscitar

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Da Revista Isto É – “Como cristão, acreditei que pudesse acontecer um milagre. A gente vive e está todo dia aprendendo. Na Bíblia, está escrito que é possível. Aconteceu com Lázaro.  A gente que tem fé acredita. Deus pode tudo, ele tira uma montanha de um lugar e coloca no outro, nada é impossível para ele. Mas infelizmente não aconteceu”.Reprodução

Isso é o que diz José Dourado, gerente da Paz Universal, funerária onde o corpo de um pastor que prometia ressuscitar levou três dias sendo velado.

A família de Huber Carlos Rodrigues mostrou um documento, assinado por duas testemunhas, em que o religioso pedia que não o sepultassem antes do prazo porque aconteceria um “Mistério de Deus“.

De acordo com G1, na declaração assinada em 2008, Huber diz ter tido divinas revelações do Espírito Santo e que passaria por um “mistério de Deus”, no qual ressuscitaria às 23h30, três dias após sua morte. Ele morreu na última sexta-feira por complicações cardiorrespiratórias em decorrência da Covid-19.

“Minha integridade física tem que ser totalmente preservada, pois ficarei por três dias morto, sendo que no 3ª dia, eu ressuscitarei. Meu corpo durante os três dias não terá mau cheiro e nem se decomporá, pois o próprio Deus terá preparado minha carne e meu cérebro para passar por essa experiência”, tinha escrito o homem no documento.

Após aprovação, CPI da Covid entrega a Aras relatório final; entenda os próximos passos

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Senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid entregaram o relatório final que acusa o presidente Jair Bolsonaro de nove crimes na pandemia, em mãos, ao procurador-geral da República, Augusto Aras, na manhã desta quarta-feira, 27. A audiência foi fechada e durou cerca de 30 minutos. Cabe a Aras dar andamento e pedir novas investigações, denunciar Bolsonaro ou arquivar as apurações.

Após quase seis meses de atividades para investigar as ações e omissões do governo na pandemia, a comissão encerrou as atividades nesta terça-feira, 26, com a aprovação por 7 votos a 4 do parecer final proposto pelo relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

A aprovação do documento inicia uma nova etapa no processo de responsabilização dos 81 indiciados (sendo duas empresas) pelos crimes apontados. O parecer de 1.288 páginas agora será encaminhado a diferentes órgãos públicos, de acordo com a competência de cada um. São eles: Câmara dos Deputados, Polícia Federal, Superior Tribunal de Justiça, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, ministérios públicos estaduais, PGR, Defensoria Pública da União e Tribunal Penal Internacional (TPI), segundo a Agência Senado.

Após o encontro, Aras, que é apontado como aliado do presidente Bolsonaro, se manifestou em mensagem publicada pelo MPF no Twitter. “Esta CPI já produziu resultados. Temos denúncias, ações penais, autoridades afastadas e muitas investigações em andamento e agora, com essas novas informações poderemos avançar na apuração em relação a autoridades com prerrogativa do foro nos tribunais superiores”, disse.

Estiveram na reunião o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e o relator Renan. Além dos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES), Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Simone Tebet (MDB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).

No G7 — grupo majoritário de senadores da CPI —, há quem avalie que a estratégia de Aras em relação ao relatório possa variar conforme o andamento da indicação do advogado André Mendonça ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). O PGR poderia adiar a decisão sobre o parecer da comissão enquanto a sabatina do ex-advogado-geral da União está travada no Senado, em uma tentativa de ser indicado ao cargo.

Caso Aras engavete as acusações contra o presidente, a cúpula da CPI da Covid traçou uma estratégia jurídica para levar o Bolsonaro a julgamento diretamente no Supremo. O comando da CPI pretende usar a chamada ação penal subsidiária pública, ferramenta jurídica que permite à vítima ou ao seu representante legal propor a acusação em caso de inércia do órgão que deveria fazê-lo, em até 30 dias. O movimento, no entanto, é visto com muita cautela por juristas e vem sendo questionado até mesmo por integrantes da CPI.

A comitiva deixou a PGR por volta das 11h30 em direção ao STF. Os senadores vão entregar uma cópia do parecer final ao ministro Alexandre de Moraes.

O relatório final foi aprovado ontem após seis meses de investigação. O texto amplia a pressão sobre o governo e expõem ainda mais a fragilidade do presidente. Bolsonaro é acusado de ser o responsável pelo agravamento da pandemia do novo coronavírus, que deixou mais de 600 mil mortos no País, ao tratar a doença com descaso e atrasar a campanha de vacinação.O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL) © Edilson Rodrigues/Agência Senado O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL)

O parecer de Calheiros pede o indiciamento do presidente por nove crimes, entre os quais os de charlatanismo e prevaricação. A lista inclui, ainda, crimes contra a humanidade (extermínio, perseguição e outros atos desumanos), arrolados no Tratado de Roma, do qual o Brasil é signatário. A CPI também pediu punição a Bolsonaro por crimes de responsabilidade, pelos quais um governante pode sofrer processo de impeachment.

A versão final do parecer pede o indiciamento de 78 pessoas, sendo o presidente Jair Bolsonaro a principal delas, e duas empresas (Precisa Medicamentos VTCLog). O documento aponta que o presidente cometeu nove crimes, entre os quais os de charlatanismo e prevaricação.

A lista inclui, ainda, crimes contra a humanidade (extermínio, perseguição e outros atos desumanos), arrolados no Tratado de Roma, do qual o Brasil é signatário. A CPI também pediu punição a Bolsonaro por crimes de responsabilidade, pelos quais um governante pode sofrer processo de impeachment.

Entenda os próximos passos da CPI da Covid:

O que acontece com a CPI após a apresentação do relatório final?

Formalmente, a comissão é “diluída” após a votação do relatório final. No caso da CPI da Covid, a cúpula do colegiado pretende converter o grupo no Observatório da Pandemia e Frente Parlamentar para fiscalizar os desdobramentos do relatório final. Senadores que defendem a proposta, prometeram entrar em contato com o Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Tribunal Penal Internacional de Haia para dar seguimento às denúncias em âmbito internacional. A criação do observatório como frente depende de aprovação no Senado.

A quem o relatório final será enviado?

O relatório final aprovado pelos senadores da CPI da Covid será encaminhado a diferentes órgãos públicos, tanto do Judiciário quanto do Legislativo, de acordo com a competência de cada um. Cabe a eles dar os encaminhamentos para possível responsabilização de indiciados, os principais órgãos são: Procuradoria-Geral da República, Câmara dos Deputados e Tribunal Penal Internacional (TPI).

  • PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu o parecer aprovado pela CPI da Covid nesta quarta. A partir disso, o procurador-geral, Augusto Aras, pode apresentar, ou não, denúncia contra o presidente Bolsonaro e outros políticos com foro privilegiado por crimes comuns, ou pedir novas investigações.

No caso de ilícitos criminais ou civis, por exemplo, a competência para denunciar formalmente os investigados pela CPI ou de requerer mais investigações é do Ministério Público.

Segundo o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), o chefe do Ministério Público Federal deve ser o defensor dos direitos do povo brasileiro e “não do governo de plantão”. “Pode até questionar alguma coisa, mas vai ter que escrever, vai ter que negar, vai ter que botar lá a sua assinatura e dizer que não houve nada. E o bom brasileiro, aquele que jurou a Constituição, aquele que passou num concurso público, não tem o direito de engavetar; ele tem a obrigação de continuar a investigação e é isso que nós queremos”, disse Aziz na sessão final da comissão.

  • Câmara dos Deputados

O relatório será encaminhado à Câmara dos Deputados, responsável por eventual abertura de um novo processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. Cabe exclusivamente ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL)decidir. Mais de 130 pedidos de impeachment já foram protocolados contra o chefe do Executivo desde o início do mandato.

  • Tribunal Internacional de Haia

Uma cópia do relatório será enviada ao Tribunal Internacional Penal que irá apurar as informações e, eventualmente, julgar os possíveis crimes contra a humanidade.

O TPI, em de Haia, é uma corte de último recurso para o julgamento de crimes internacionais graves, incluindo genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Na prática, o TPI atua quando as cortes nacionais não conseguem ou não desejam realizar processos criminais. Sendo assim, a formação desse foro internacional geralmente se justifica como um último recurso e só atua se o processo não estiver sendo julgado por outro Estado. Em entrevista ao Estadão em setembro, a juíza Sylvia Steiner, única brasileira que já atuou no TPI (2003-2016), detalhou o rito de um processo na corte internacional.

“Após a chegada de uma representação, ela passa por uma triagem para ver se estão presentes os requisitos temporais e de competência do tribunal. Se passar, ela vai para uma fase de exame preliminar, que vai discutir se a corte tem jurisdição, se tem competência sobre esse caso, se ele é admissível, e se é de gravidade suficiente para justificar a abertura de uma investigação. Ao final dessa fase, se o procurador decidir que o tribunal é competente, e que o caso é admissível e grave o suficiente, ele pedirá a uma das câmaras a autorização para iniciar uma investigação. Trata-se de um processo lento. Em caso de condenação, o tribunal pode impor pena de reclusão, de até 30 anos, e penas de multas”, explicou.

Quais as outras sugestões feitas pela CPI?

Além de apontar crimes cometidos na pandemia, o relatório final traz 17 sugestões de projetos de lei e uma proposta de emenda à Constituição (PEC) relacionados aos temas tratados ao longo dos seis meses de trabalho do colegiado. A maioria das mudanças legislativas, entretanto, já tramitam no Congresso e têm tido problemas para avançar. Conforme mostrou o Estadãohá projetos travados no Legislativo há até 3 anos.

Governo do RN alega que é fake news que a gestão venha fazendo caixa com recurso do consignado dos servidores

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A informação foi passada pelo Governo do RN, através de sua página “fake ou fake”. Segundo a administração, ao contrário do que fora noticiado por páginas locais, além de ter pago dívida de gestão anterior, o repasse só teve um atraso de cinco dias, não sendo possível afirmar que há calote e menos ainda que caixa vem sendo feito com tais recursos ao longo dos meses.

Segue o texto abaixo.

#ÉFATO – Repasse à instituição financeira foi retomado desde a semana passada e servidores podem solicitar consignação

É falso que o Governo do Estado “faz caixa” com dinheiro descontado do contracheque dos servidores para pagamento de empréstimos consignados que não vem sendo repassado às instituições financeiras. A notícia publicada em diversos blogs locais, inclusive com o mesmo texto, distorce intencionalmente a informação para acusar falsamente a gestão de dar “calote”.

A atual gestão pagou, ainda em 2019, uma dívida de R$ 120 milhões herdada da administração anterior, além de quatro folhas salarias, referente à consignação junto ao Banco do Brasil. Isso possibilitou a reabertura dos empréstimos consignados aos servidores do Governo do Estado.

De acordo com a Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan), o pagamento da consignação é efetuado em parcelas ao longo do mês, seguindo cronograma pactuado com a instituição financeira. Esse mês, o repasse foi suspenso durante apenas cinco dias, devido a dificuldades financeiras, mas já foi retomado desde a semana passada, permitindo que os servidores acessem novamente a consignação. O Banco do Brasil entrará em contato com quem tive solicitação pendente.

Informação incompleta, descontextualizada e/ou distorcida é, na verdade, uma maneira de desinformar a população. O Governo do Estado reforça seu compromisso com os servidores, demonstrado com o pagamento dos salários dentro do mês desde o início da atual gestão, o pagamento de três das quatro folhas atrasadas que herdou e o pagamento do rombo da consignação deixado pela administração anterior.

Se a Prefeitura do Natal tiver capacidade de endividamento, empréstimo para saneamento é bom para a cidade; ação revela a incursão eleitoral de Álvaro Dias

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A Prefeitura do Natal pediu autorização à Câmara, para contrair empréstimo de 400 milhões de reais. O recurso será destinado ao desenvolvimento de ações na área de mobilidade, saneamento etc. O dinheiro sairia de bancos públicos, tais como a caixa econômica e o Banco do Brasil.

Ora, se a Prefeitura tiver capacidade de endividamento, não resta dúvida de que a operação será boa para a cidade. Até porque saneamento gera retorno em termos de saúde e qualidade de vida, para ficar apenas neste exemplo.

As obras seriam executadas até 30 de Julho de 2024, conforme cronograma da prefeitura.

POLÍTICA ELEITORAL

A data é significativa, pois revela dois aspectos. 1. Se alguém ainda acredita numa candidatura de Álvaro Dias em 2022, pode esquecer. Ele não iria abrir uma frente de obras de tal magnitude, para deixar ser realizada por terceiro. 2. Ele quer manter o controle da Prefeitura após sua saída em 2024, justamente período em que teremos eleições municipais e as obras, pelo cronograma, estarão sendo entregues. Com a vitrine, faria o sucessor e se cacifaria para outras pretensões eleitorais nos próximos anos.

Reversão de expectativas leva economistas a projetarem até recessão no Brasil em 2022

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(FOLHAPRESS) – A semana começou com uma forte reversão nas expectativas para a economia brasileira, após o governo Jair Bolsonaro (sem partido) decidir driblar o teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400, entre outras despesas, como emendas parlamentares.

A perspectiva de economistas é que houve uma mudança no regime fiscal —e que essa alteração tende a pressionar o câmbio, alimentando um efeito em cascata que vai elevar a inflação e forçar altas mais acentuadas da Selic, a taxa básica de juros.

Parte do mercado financeiro já passa a projetar estagnação ou até mesmo queda do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022.

Uma das revisões que chamaram a atenção nesta segunda-feira (25) foi feita pelo Itaú Unibanco. A instituição financeira prevê agora recessão para a economia nacional no próximo ano.

Pela estimativa do Itaú, o PIB deve registrar queda de 0,5% em 2022. A previsão anterior era de avanço de 0,5%. Conforme o banco, o quadro de dificuldades também inclui pressão inflacionária e desemprego.

“Notícias sobre o aumento dos gastos fiscais aumentaram as dúvidas sobre o futuro do arcabouço fiscal no Brasil, que desde 2016 tem sido baseado em um teto de gastos ajustável”, analisa o Itaú. “Sem uma âncora fiscal crível, a tarefa do Banco Central de manter a inflação na meta se torna mais difícil.”

A Asa Investments, por sua vez, passou a projetar recessão técnica (dois trimestres consecutivos de queda no PIB) durante o primeiro semestre de 2022. A economia deve avançar apenas 0,4% no acumulado do próximo ano, conforme a gestora de investimentos.

“Como consequência da incapacidade de se fazer escolhas dentro do teto de gastos, estamos colhendo um cenário de prêmio de risco muito mais elevado, com piora acentuada de condições financeiras”, afirmou.

A MB Associados também fez uma revisão para pior e agora trabalha com um cenário de estagflação (preços em alta e atividade econômica fragilizada). A consultoria, que antes projetava um crescimento de 0,4%, agora projeta um resultado de 0% em 2022, mas com aumento de preços persistentes.

Segundo a MB, com mais de um ano pela frente de um governo “errático”, vai haver uma piora nos números gerais da economia.

“Em quase três anos de governo, talvez não tenha havido uma semana tão ruim do ponto de vista de política econômica como a última. Ela entrará para a história como o desmonte de um regime fiscal construído a duras penas”, diz o economista-chefe da consultoria, Sergio Vale.

O mercado também alterou as projeções para o câmbio. Segundo a pesquisa Focus do Banco Central, que reúne prognósticos de economistas e analistas, a projeção de alta do dólar ao final deste e do próximo ano passou para R$ 5,45, contra previsão anterior de R$ 5,25 para ambos os períodos.

No entanto, várias casas já trabalham com um cenário mais pessimista. A XP, por exemplo, espera a cotação de R$ 5,70 ao fim deste ano e de 2022, ante taxas de R$ 5,20 e R$ 5,10, respectivamente, na previsão anterior. Segundo a instituição, ocorreu “uma mudança de regime na condução da política fiscal, e não ‘apenas’ uma piora na margem”.

Em entrevista à reportagem, Luciano Rostagno, estrategista-chefe para América Latina do Banco Mizuho, afirmou que não descarta que o dólar possa testar a marca de R$ 6 neste final de ano.

Diante desse cenário, há grande expectativa em relação à próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que ocorre terça e quarta-feira (26 e 27).

Várias instituições, entre elas bancos estrangeiros como JPMorgan, Bank of America, Barclays e UBS, passaram a ver uma alta de 1,5 ponto percentual na Selic já nesta reunião, ante ao 1 ponto percentual que vinha sendo adotado anteriormente.

Esse novo patamar seria a maior alta da taxa desde 14 de outubro de 2002, quando o BC promoveu um choque de 3 pontos percentuais na taxa básica (de 18% para 21%) pouco mais de uma semana depois do primeiro turno das eleições daquele ano, que sagraram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República.

O Barclays fala em “incerteza em espiral” para justificar a mudança de prognóstico. “Além disso (mais gasto para Auxílio Brasil e ruído sobre precatórios), uma possível extensão do auxílio emergencial que expira neste mês e crescentes pressões por subsídios aos combustíveis para caminhoneiros em meio a ameaças de greves nacionais podem aumentar o nervosismo do mercado”, disse o banco em relatório.

O Itaú também projeta aumento de 1,5 ponto percentual. Com essa alta, a Selic iria de 6,25% para 7,75% ao ano. O banco ainda enxerga uma nova alta de 1,5 p.p. em dezembro.

Assim, a taxa encerraria 2021 em 9,25% ao ano. A previsão anterior era menor, de 8,25%. No primeiro trimestre de 2022, a Selic deve chegar a 11,25%, conforme o Itaú.

“Alteramos nossa projeção de crescimento do PIB em 2022 de +0,5% para -0,5%, em particular devido à mudança nas expectativas para a taxa Selic”, relata o Itaú.

Segundo a instituição, a retração da atividade econômica também deve provocar impactos no mercado de trabalho, com aumento da taxa de desemprego no próximo ano.

“Essa recessão moderada levará a um aumento da taxa de desemprego, para 13,3% (tínhamos 12,6% no cenário anterior). Para 2021, ainda esperamos que o PIB cresça 5,0%, com a taxa de desemprego encerrando o ano em 12,2%”, completa.

O Itaú também espera uma inflação maior. Em 2021, a estimativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 8,7% para 9%. Em 2022, pulou de 4,2% para 4,3%.

“A fraqueza prolongada do real, embora de certa forma mitigada pela atividade econômica mais fraca e pela contenção de danos do Banco Central, nos leva a aumentar nossa projeção de inflação para 2022 de 4,2% para 4,3%.”

Na visão do banco, o avanço da agenda de reformas seria necessário para uma melhora no quadro.

“A rápida retomada da agenda de reformas, incluindo medidas como uma reforma administrativa ampla, que fortaleceria a flexibilidade e resiliência fiscais, poderia ajudar a aliviar as condições financeiras e reduzir a incerteza.”

“O teto de gastos praticamente morreu com as manobras da semana passada. Isso traz perda de credibilidade”, analisa o economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos.

“O mercado se torna pessimista porque fica no escuro. A confiança cai muito”, completa.

A semana de decisão do novo patamar da taxa Selic, hoje em 6,25% ao ano, começou com mais instituições financeiras, além do Itaú, prevendo aceleração no ritmo de aumento dos juros.

Negacionismo mata, há tempos

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Não é contraditário cobrar que as pessoas se vacinem de um lado e apoiar o maior crítico da vacinação no Brasil do outro?

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No RN, há 200 mil pessoas que não se vacinaram ou não completaram o esquema vacinal. A maior parte dos internados no nosso Estado por Covid-19 é de quem não quis se vacinar.

De um lado, há quem clame – com razão – para que a pessoa se vacine.

Porém, não tem como fazer campanha para que o cidadão se imunize e, em seguida, defender o presidente Jair Bolsonaro, que é o principal garoto propaganda do movimento antivacina no país.

Do blog: a avaliação deste blog é que os apoiadores de Bolsonaro, por terem interesses setoriais e ideológicos atendidos, fecham os olhos para tudo o que ele representa, o que ele foi e é capaz de fazer.

Petrobras anuncia novo aumento da gasolina e do diesel nas refinarias

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AgÊncia Brasil – A Petrobras anunciou hoje (25) que vai reajustar os preços da gasolina e do diesel em suas refinarias a partir de amanhã (26).

O litro da gasolina vendido pela empresa às distribuidoras passará de R$ 2,98 para R$ 3,19, o que representa um aumento de R$ 0,21 ou de cerca de 7%.

A Petrobras afirma que a parcela da gasolina vendida nas refinarias no preço final do produto encontrado nos postos chegará a R$ 2,33, com um aumento de R$ 0,15. A variação é menor que os R$ 0,21 de reajuste nas refinarias porque a gasolina tem uma mistura obrigatória de 27% de etanol anidro. 

Já o litro do diesel passará a ser vendido por R$ 3,34 nas refinarias da Petrobras, o que representa um aumento de cerca de 9% sobre o preço médio atual, de R$ 3,06. 

No caso do diesel, a Petrobras calcula que o impacto para o consumidor final seja um aumento de R$ 0,24, porque o diesel vendido nos postos tem uma mistura obrigatória de 12% de biodiesel.

A Petrobras justifica que os reajustes no preço garantem que o mercado “siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento”.

“O alinhamento de preços ao mercado internacional se mostra especialmente relevante no momento que vivenciamos, com a demanda atípica recebida pela Petrobras para o mês de novembro de 2021. Os ajustes refletem também parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente ao crescimento da demanda mundial, e da taxa de câmbio”, afirma a empresa.