Não falta aviso sobre o perigo de colapso da saúde no RN; isolamento não é fla-flu – ouça os especialistas

Ocupação de leitos para Covid-19 chega a 100% em Natal. Em Mossoró a situação não é distinta. O sistema tem alguma capacidade de expansão, mas é algo limitado diante da possibilidade do aumento dos infectados (veja a matéria da tribuna do norte a respeito do assunto aqui). Não está faltando aviso. Caminhamos para o colapso.

Siga o isolamento social. A política não pode ser encarada como fla-flu, pois há opiniões fundamentadas e obscurantismos sendo espalhados. Elas não se equivalem. Os especialistas estão demonstrando, através de estudos comparativos, que o isolamento salva vidas e ajuda a não afogar o sistema de saúde.

Há ainda também uma falsa questão no ar, para legitimar a incompetência de terceiros. Não é o isolamento que acaba com a economia, mas a pandemia. Países e estados americanos que não fizeram isolamento tiveram uma situação muito mais deletéria em termos de número de mortos e não conseguiram diminuir o impacto econômico negativo. Enquanto não estabilizarmos o vírus não há economia.

Além disso, enquanto o ministro da saúde, Nelson Teich, já deixou claro que a pasta é a favor do isolamento, Jair Bolsonaro, que manda no ministro, fala como se fosse contrário a ele e até encena ações nesse sentido. Por que ele faz isso? Porque quer culpar o isolamento, hoje capitaneado pelos governadores e prefeitos, pela crise econômica, uma forma de se desresponsabilizar pelas consequências negativas que virão e por a culpa no “sistema político”. Trata-se de espantalho. Mas sua sinalização ambígua tem efeito concreto. Quem acredita em suas palavras, tende a descumprir o isolamento e a superlotar os hospitais.

Não caia nessa. Consulte quem entende do assunto e veja os exemplos de sucesso e fracasso que vêm de outras regiões e países.

ALTERNATIVA

Sim, um punhado de países estabilizou a covid-19 sem fazer isolamento social. Mas se queríamos envereadar por esse caminho, fizemos tudo que não deveríamos.

Nações como a Coreia do Sul, Cingapura e Suécia são utilizadas como exemplo em grupos de whatsapp.

Só que eles fazem testes em massa para identificar e isolar doentes, fortaleceram seus sistemas de saúde para o recebimento dos infectados e produziram amplas campanhas de etiqueta de higiene e isolamento social voluntário. E, ainda assim, as escolas e eventos que gerem aglomeração também foram fechados.

Ora, é tudo que não fizemos. Somos um dos países que menos testam no mundo. Desde março que o governo federal promete adquirir testes, sem efetivar a ação na prática. Uma pessoa só é examinada quando já se encontra sem ar. Sequer todos os mortos estão sendo testados, aumentando a subnotificação.

O ministério da saúde resolveu adquirir os respiradores na indústria nacional e eles só ficarão prontos em outubro. E não há campanha alguma incentivando o uso de máscara e o isolamento social voluntário. Tudo amplamente divulgado pela imprensa.

Em resumo, se nos comportamos como o Irã, que deixou a pandemia correr solta, não podemos sonhar com os resultados da Coreia do Sul.

E, ainda assim, vale enfatizar. Esses países também sofreram forte revés econômico.

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