A derrubada do Machadão e o novo plano diretor de Natal têm em comum o enquadramento de qualquer crítica construtiva como sinônimo da defesa do atraso; depois os pais da operação desaparecem

Quem viveu deve ter a devida lembrança. A derrubada do antigo estádio Machadão foi absolutamente desnecessária. E a opinião não é apenas deste blogueiro, mas do então comitê organizador da copa. Para virar cidade-sede era pressuposto possuir uma arena compatível com o evento. Ponto.

Só que o desejo de esparramar o nomeado poema de concreto no chão e fazer outro equipamento virou sanha. Criou-se uma falsa separação entre modernidade e atraso. Quem era contrário ao desperdício de jogar no lixo um estádio, e não nos esqueçamos um ginásio – o machadinho – recém reformado, era a favor da pobreza, do andar para trás etc. Erguer uma nova nos levaria ao pleno desenvolvimento.

A história revela. Hoje a Arena das Dunas não tem mais pai, os prometidos shows internacionais e milhares de eventos na área não vieram e ficou uma dívida bilionária para o RN, ainda com suspeita de superfaturamento.

A construção de saídas coletivas em Natal é sempre assim. Aqueles que têm interesse direto sobre o tema, manipulam nosso sentimento de povo inferior, pré-moderno – esta sim uma percepção atrasada – e aplicam o rolo compressor com promessas engana bobos. Um oba-oba de momento é vitaminado e qualquer ponderação, crítica e questionamento viram sinônimos da defesa do atraso.

Trata-se do mesmíssimo modus operandi colocado em curso agora na aprovação do plano diretor de Natal. Querer adensar mais a cidade era uma possibilidade. Só que a autorização para a construção no entorno de parques e orlas criará um município segregado e com suas paisagens fechadas. Será ruim para os moradores e também para a nossa proposta de turismo embalado pelas belezas naturais. E basta ler a pesquisa veiculada pela Tribuna do Norte a respeito do assunto para constatar que os natalenses não sabem nada a respeito dessa e outras alterações.

É óbvio que quando as construções começarem no entorno das orlas os moradores irão reclamar. Basta lembrar da tentativa de erguer um prédio próximo ao morro do careca durante a gestão de Micarla de Sousa. Ora, a cidade parou e o debate só foi superado quando a obra foi paralisada.

Foi contratada uma crise que será respondida pelas próximas administrações. Criaram uma nova “Arena das Dunas”. E, não tenho dúvida, lá na frente os que hoje aprovaram a ação farão à egípcia.

O natalense precisa deixar sua auto-imagem de vira lata no passado. Além da baixa auto-estima que gera, só serve para posicionar o bode na sala em tais situações. João Pessoa transformou suas orlas com limpeza, espaços públicos e organização, proibindo prédios nos seus entornos. Deveria servir de exempo.

Deixe um Comentário