A entrevista de Ricardo Valentim e a pandemia no RN

O professor da UFRN, diretor do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) e membro do comitê científico do RN para o combate a covid-19, Ricardo Valetim, deu esclarecedora entrevista ao programa de BG de hoje, na rádio 96FM.

Ele era o representante do Rio Grande do Norte no comitê científico do consórcio nordeste e explicou sua saída anunciada também hoje. Segundo ele, o grupo científico lá formado, vivia no que chamou de uma “bolha científica”, muito preocupado com questões globais e políticas, mas pouco ligado aos aspectos práticos e específicos da nossa região. Perguntado sobre se ocorreu atrito entre ele e o cientista Miguel Nicolelis, presidente do comitê, ele disse que aconteceu uma “diferença de metodologias”. Valentim segue como membro do comitê estadual.

O professor da UFRN esclareceu que, pela opinião do grupo local, mais importante do que falar em lockdown agora, é fazer com que o decreto estadual de isolamento social seja efetivado. Enfatizou que o Rio Grande do Norte apresenta melhores condições do que os Estados vizinhos pelo isolamento precoce e ainda sinaliza para a capacidade de expansão de leitos, que deve ocorrer nos próximos dias.

Por fim, alegou que há carência de testes no Rio Grande do Norte, em decorrência da escassez no mundo inteiro pela alta demanda. Mas deixou claro que pretende fazer uma pesquisa estatística com aplicação de testes junto aos potiguares, para melhor dimensionar a expansão da pandemia no RN.

Valentim apresentou uma boa ideia já levantada pelo Potiguar (leia aqui). Seria importante adotar e massificar os critérios de possível abertura do comércio no RN, seguindo as recomendações do plano de retomada produzido e apresentado à sociedade pela Federação das Indústria do RN. No plano, há pré-condições a serem efetivadas e, só então, seria possível imaginar uma data para abertura.

Ele finalizou lembrando que não há nenhuma evidência científica que corrobore o uso geral da cloroquina. Por isso, o ministério da saúde permite a administração do referido remédio apenas em casos específicos e após aprovação do paciente.

Caro leitor, a entrevista se encontra disponível aqui.

Do blog: conforme fontes consultadas pelo potiguar, a saída de Ricardo Valentim teve relação com atritos com o cientista Miguel Nicolelis, que tem estilo centralizador. Porém, o diretor do Lais/UFRN em nenhum momento externou alguma rusga pessoal contra Nicolelis. Alegou diferença no modo de trabalho mesmo.

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