A linguagem jornalística precisa mudar

A linguagem jornalística precisa mudar, pois coloca a verdade como uma questão de perspectiva, de versão.

Hoje, no jornal da CBN, uma jornalista, ao cobrir protestos no dia internacional da mulher, disse mais ou menos assim: “as manifestantes também criticaram falas machistas ‘atribuídas’ ao presidente Jair Bolsonaro”.

Ora, as falas foram ditas por ele. Então, não pode ser uma “atribuição”. Não há uma imposição de perspectiva por parte de quem ali protesta. Essa (falsa) impessoalidade na forma com que os acontecimentos são narrados, tentando manter distância do fato como suposto observador neutro, abre espaço para a relativização da verdade.

Por isso que é racional, do ponto de vista estratégico-político, o criticado lançar mão de correntes com narrativas contrárias falsas. Ora, se quem tem o dever de dizer a verdade relativiza o seu próprio papel e o que apura, o oponente não vai deixar passar a oportunidade de enfraquecer ainda mais a apresentação de algo desabonador contra ele.

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