A mimese inversa do bolsonarismo no Brasil e no RN

O bolsonarismo é especialista em acusar os outros a respeito daquilo que de fato fez e faz. Hoje, por exemplo, o deputado estadual Coronel Azevedo (PSC) pediu explicações sobre as 7 mil mortes ocorridas durante a pandemia no RN e defendeu a atuação do presidente Jair Bolsonaro por ter mandado recursos. Pela fala, fica até parecendo que de fato o governo federal foi responsável pelo plano de enfrentamento à pandemia discutido e aprovado pelo congresso e agiu de forma exemplar diante do novo coronavírus. A culpa é sempre dos outros.

Na verdade, a cobrança pelas mortes veio dos críticos, dos cientistas, das agências e da imprensa internacional pelo modo negacionista com que Bolsonaro se portou durante a pandemia, alegando que o vírus não representava nenhum problema. Está pisado e repisado que tivemos uma das piores respostas do mundo, ignorando o problema, recusando a aplicação de testes, difundindo remédios ineficazes geradores de falsa segurança e um requiem deliberado da principal autoridade do país em prol da defesa do contágio consciente, a chamada imunização de rebanho.

Não fossem os prefeitos e governadores teriam morrido muito mais gente dentro dos hospitais e fora dele, já que, diante do estado de calamidade, o governo federal não enfrentou o vírus e forçou o país a ingressar numa falsa normalidade que ceifou também a economia. Os países que controlaram o vírus, sairám mais rapidamente dele e cresceram economicamente, ao contrário do Brasil. Basta ver os exemplos do Vietnã, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, China, Coreia do Sul etc.

Mas o que faz o bolsonarismo? Acusa o crítico de fazer exatamente aquilo que produziu e massifica a falsa versão pelos canais apócrifos das redes sociais. Eis a mimese inversa.

Deixe um Comentário