A política de imunização de rebanho irá continuar

É o ponto fundamental da política do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia. Ética e cientificamente insustentável, é o que embala as falas e as ações do governo federal – povo na rua, vírus sendo espalhado, para supostamente o problema passar mais rápido, apesar de que já se sabe que não funciona assim. A não ser que o objetivo diga respeito ao aumento do número de mortos, como vem ocorrendo.

Acreditou-se que, com o anúncio da saída do general Pazuello do ministério da saúde, finalmente isto iria mudar. Mas não. Bolsonaro não quer alguém com condições de tocar uma política de saúde. Quer um subserviente para executar seus desejos.

A entrevista da médica cotada para o ministério da saúde e já dispensada Ludhmila Hajjar mostra com clareza solar que o problema vem de quem comanda o Brasil.

Sabatinada pela CNN e pela Globo News, ela deixou evidente que é contra cloroquina, ivermectina e azitromicina. “Coisa vencida, do passado”, disse ela. Também enfatizou que o ministério da saúde precisa sustentar ações em uma plataforma de dados racionalizante e apoiar os governos estaduais, apavorados com os doentes batendo em seus hospitais e morrendo. Por fim, trouxe novos elementos até então pouco claros no debate público. Segundo ela, gente está falecendo porque o ministério da saúde não tem protocolo para entubação, para o uso de corticóides e outras intervenções fundamentais para salvar vidas. Resultado: pacientes morrendo por uso inadequado de remédios e entubação errada. Uma profissional com anteparo da ciência jamais seria escolhida pelo atual governo.

O poço é sem fundo. Pazuello, em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje, disse que continua no cargo. Ora, é uma informação que faz pouca diferença, na prática. Com o especialista em logística ou não, o fato é que o ministro que sentar na cadeira aceitará o cargo sob a condição de sustentar tudo que se encontra aí.

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