A super exposição da pré-candidatura de Rogério Marinho ao senado não tem fundamento jornalístico nem estatístico

A exposição da pré-candidatura ao senado de Rogério Marinho como elemento central do pleito de 2022 não se justifica. Basta abrir os jornais diariamente para ter a falsa impressão de que o ministro do desenvolvimento regional é favorito. Colunas, longas matérias e análises cobrem o assunto como se RM desse a linha do pleito. O bombardeio de notícias não faz sentido factual.

O óbvio foi esquecido. Vamos por partes. Primeiro, Rogério Marinho não se reelegeu em 2018. Ele tentou uma vaga de federal sem sucesso.

Segundo, o eleitorado do RN cultiva grande resistência pelo fato dele ter sido relator da reforma trabalhista. Apesar da grande estrutura de sua campanha em 18, este fato o levou a derrota. Não adianta as defesas publicadas da reforma, ele enfrentará novamente o problema em 2022. Ela é rejeitada pela maioria do eleitorado. Como RM lidará com ela?

Terceiro, Rogério Marinho é um dos principais representantes do presidente Jair Bolsonaro, que tem cerca de 60% de reprovação conforme as pesquisas publicadas. O presidente será mais uma âncora para Rogério carregar caso vire candidato de fato. Nada é dito sobre como tal operação será desenrolada.

Por fim, ele sequer consegue a preferência de seu próprio grupo, já que, de acordo com a grande maioria das pesquisas publicadas, é Fábio Faria quem é mais lembrado do que Rogério para o senado. Faria também almeja se candidatar para a mesma vaga. Se não ganha entre os seus, como levará entre todos?

Nem de longe, a movimentação de Carlos Eduardo Alves, primeiro nas pesquisas, recebe atenção semelhante. O mesmo ocorre com a pré-candidatura de Styvenson ao governo, que está em segundo e é ignorado em desfavor de balões de ensaio improváveis como Ezequiel e outros. Mas isto já daria outra postagem.

Quem está seguindo Rogério Marinho e dando tanta importância assim ao seu desejo está levando em consideração critérios que não são nem jornalísticos nem estatísticos, dada a visibilidade desproporcional gerada entre os postulantes mais e menos competitivos da disputa pelo senado. Não há sinais de que ele vai levar 2022 que justifiquem tamanha cobertura. A economia da atenção na opinião publicada se encontra com seus parâmetros desequilibrados.

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