Ainda não há espaco para impeachment

A saída atirando do agora ex-ministro Sergio Moro foi dura para a nau governista. Ainda assim, apesar do desastre que é Jair Bolsonaro, não há condições políticas para o seu impeachment.

Com 1/3 da população apoiando o o presidente e a proteção dos quartéis, sintoma da erosão democrática no país, o morador da casa 58 ainda tem em quem se agarrar.

Aliás, a saída de Moro e, com ele, dos eleitores lavajatistas obrigará Bolsonaro a se aproximar ainda mais dos militares e a intensificar o fatiamento de espaços de sua gestão para partidos do congresso. Os militares, inclusive, saberão tirar proveito da situação, como já fizeram num passado não muito distante, ficando de fora da reforma da previdência e conseguindo aumento dos próprios salários.

É provável também que, com a queda de popularidade, a agenda Guedes seja engavetada de uma vez e o referido ministro vire peça de decoração. Ele já não lidera o programa “pró-Brasil”, tido como canal de investimentos para reativação da economia. O plano é liderado por um fardado. A perspectiva também é de mais populismo.

No que concerne ao impeachment, acusações jurídicas contra Bolsonaro não faltam. Moro adicionou hoje mais uma: a de que ele trocou o diretor da Polícia Federal para obstruir investigações.

Mas sem uma formação política para tanto, um impeachment não se realiza. Como tudo está caminhando muito rápido, o texto escrito pode envelhecer rápido.

PANDEMIA

É ainda mais complicado falar em impeachment com a impossibilidade de protestos de rua e sem o funcionamento normal do congresso, em decorrência das ações de isolamento social geradas pela pandemia em curso.

Deixe um Comentário