Após tentativa de fazer show do grafith em frente ao Walfredo e entrar na justiça contra hospital de campanha, Sinmed/RN defende protocolo sem comprovação científica e afirma posição contra lockdown

Após tentar organizar show da banda grafith em frente ao Walfredo Gurgel no dia do trabalho em plena pandemia, o que foi impedido pela polícia militar; e entrar na justiça contra hospital de campanha em Natal, Sinmed/RN emite nota defendendo protocolo sem comprovação científica e afirmando posição contra lockdown.

O sindicato dos médicos do RN quer que a hidroxicloroquina seja administrada em pacientes já no início da apresentação dos sintomas da covid-19. Qual o fundamento para tanto? De onde tiraram a eficácia a respeito do procedimento? O conselho federal de medicina não recomenda. Pesquisas recentes demonstraram que o remédio citado não é eficaz contra a covid-19. Outras ainda apontaram para os riscos pelos efeitos adversos (nota do conselho federal de medicina aqui, pesquisa americana com mais de mil pacientes aqui). No entanto, o Sinmed diz que, se o remédio for dado aos doentes, eles não precisarão de UTI. De onde tirou tal informação?

Por fim, alegou também que há leitos sobrando no Rio Grande do Norte e que falta gestão (escrevi sobre o assunto aqui). Trata-se de uma vacina política por parte do sindicato, que foi contrário a instalação de um hospital de campanha em Natal pelo Governo do RN. Até entrou na justiça para tanto. Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, contra todas as previsões, disse que não haveria risco de colapso do sistema de saúde em terras potiguares.

Na verdade, Ferreira joga com uma confusão. Há ainda leitos de UTIs disponíveis. Só que eles não estão habilitados para recepcionar pacientes portadores de Covid-19, pois só pode alojar doentes nesta condição o leito que tem isolamento respiratório. Do contrário, todos os pacientes do hospital, além das equipes médicas, seriam contaminados. É por isso que há hospitais que não internam pessoas com coronavírus. Não há alas preparadas para tanto. É estranho que um sindicato que representa a categoria médica não saiba disso.

Cabe questionar: será que o negacionismo é apoiado pelos filiados do sindicato?

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