Bolsonaro poderia ter entrado em 2022 imbatível com a união contra a pandemia, mas preferiu a cloroquina e o caminho da antivacina

Estamos no terreno da hipótese. Mas imagine, caro leitor, se o presidente Jair Bolsonaro tivesse falado numa guerra contra o vírus, alegasse uma união contra a pandemia. Se, assim que as vacinas surgissem, ele tivesse tentado liderar a compra dos imunizantes e colocado os militares, seus aliados, na ponta da distribuição. Quando a fome começasse a bater, ao invés de resistir no congresso, fosse até o mais pobre com auxílio, comida e assistência? Existia espaço para isso, urgência e discurso.

O primeiro ministro inglês Boris Johnson fez isto. Começou negando o problema e, logo em seguida, alterou a linha. Esta aí bem avaliado. Com sua distribuição de cloroquina e outras saídas ineficazes, críticas aos isolamentos, atraso na vacinação e falsa separação entre vírus e economia, como se combater o vírus não fosse também uma medida de normalização econômica, Bolsonaro goza hoje de 20% de ótimo e bom, conforme as pesquisas. E saiu menor do que entrou na crise pandêmica. E, pior, dobra a aposta como na questão da vacinação de crianças.

Deixe um Comentário