#BolsonaroTemRazão?

É o lema de sua militância. Diante do desenrolar dos acontecimentos, eles alegam que o presidente Jair Bolsonaro tem razão. O próprio presidente cuida de adular tal perspectiva, enfatizando: “eu venci de novo”.

Ora, faz sentido? Do ponto de vista factual, não. Na prática, é um slogan que trabalha a verdade como mero detalhe. Ontem, por exemplo, durante a apresentação do plano (sic) nacional de vacinação, ele pediu união aos governadores e disse que há objetivo comum entre todos. O seu ministro da saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que o MS irá usar todas as vacinas disponíveis, inclusive a do Butantã – a coronavac. Não faz um mês que o mesmo membro de primeiro escalão fora expressamente desautorizado por Bolsonaro, quando disse que a união iria adquirir o imunizante chinês.

Portanto, nesse caso – como em outros – objetivamente Bolsonaro demonstra a sua incapacidade de resolver problemas concretos. O plano apresentado, por exemplo, após semanas de polêmicas, não esmiuçou logística, compra de insumos, datas, nada. Basicamente, apenas os grupos prioritários. Isto em um cenário em que estamos no topo das mortes durante a pandemia e seremos o último da fila no início da vacinação da nossa população.

Objetivamente, Bolsonaro perdeu a guerra política contra o governador de São Paulo João Doria. Ainda que venha fazendo estrago, aumentando o contingente de pessoas que alegadamente não irão tomar a vacina, o discurso antivacina presidencial virou oração para convertidos. O convênio do governo de São Paulo com o laboratório chinês Sinovac se impôs como uma ótima saída.

Mas por que “Bolsonaro tem razão”? Pelo aspecto de jogar fomentando o caos e sempre abrindo flancos ambíguos. Por um lado, deslegitima a ciência e a necessidade de enfrentar organizadamente a pandemia. É cada um por si. Por outro, pede união aos governadores e diz que irá disponibilizar o imunizante. Nessa perspectiva, nunca perde o primeiro lance do jogo e, na medida em que a disputa se desenrola, vai ajustando a narrativa para “ter razão”.

Bolsonaro não é um ignorante. Ele joga com a disposição do “sistema” o tempo inteiro. Em alguns momentos, usando a liberdade e o poder que tem contra ele, para resguardar sua base dotada de imaginação fértil, ficando impune. Em outros, aproveita o que as instituições produzem para se salvar da sua incompetência. Sim, existe uma verdade que não pode ser ignorada, pois o mundo não é o mero somatório e combate de narrativas. E para além da disputa discursiva, o fato é: Bolsonaro não tem razão. E para o bem da política, no momento oportuno – a eleição -, o presidente terá de mostrar o que concretamente produziu.

Deixe um Comentário