Caern: quando a ideologia é mais forte do que os fatos

O próximo presidente da Caern, Roberto Linhares, disse que a empresa pública tem déficit de 300 milhões e desperdiça, em média, 52% da água que distribui. São cerca de 2250 funcionários por todo o RN. Os dados ruins, no entanto, não serão suficientes para uma alteração de rumo na companhia de água.

Ela não será vendida, enfatizou Linhares, seguindo, segundo ele, linha da governadora eleita. Água é questão estratégica, sentenciou também. Prometeu ainda agir para recuperar a Caern. A retórica está na imprensa estadual.

Em resumo, a empresa terá o mesmo ordenamento de sempre. Ou seja, ineficiente, pouco transparente, com balanços financeiros ultrapassados, e jogando muito água fora. Afinal, não é possível esperar que as mesmas palavras já ditas por gestões anteriores criem resultados distintos dos atuais.

O Estado poderia abrir capital da instituição e, ainda assim, ter o controle estratégico da política de água. É falsa a dicotomia não vende a Caern e o estado mantém o controle x vende e perde completamente o controle sobre a água. Não existe apenas uma maneira de fazer a iniciativa privada participar.

A questão é que, mais uma vez, os fatos e perspectivas positivas serão derrotados por uma ideologia ultrapassada. E, não se engane, será o consumidor que irá pagar, pelo lado do serviço, e o contribuinte, pelo viés da sustentação de uma estrutura que não precisaria ser de sua responsabilidade.

Dinheiro não cai do céu. O servidor pagará alíquota previdenciária mais elevada em parte para bancar esse déficit. O cidadão do RN arca com ICMS hipertrofiado nas mercadorias que consome também pela mesma lógica. Não vale a pena.

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