Como vencer uma disputa majoritária no RN criticando Lula e defendendo o legado de Bolsonaro?

Em 2018, levei pau por um ano porque disse repetidas vezes que o noticiário estava descolado da realidade e Garibaldi, Agripino, etc não tinham chances. O mesmo ocorre agora – os postulantes da base bolsonarita local recebem toda atenção, como se do grupo saísse o provável vencedor. Mas como levar uma disputa majoritária no RN contra Lula e defendendo o “legado de Bolsonaro”?! A política sempre nos prega peças, mas acho improvável.

A crise é muito grande. A fome alcança de alguma forma 40% da população. No RN, um estado pobre, esse cenário é ainda pior. O programa Bolsa Família vem em processo de desarticulação desde o governo Temer. A inflação engole o poder de compra e o desemprego é elevado. As perspectivas até o pleito de 2022 são de crescimento pífio.

Tudo bem que a eleição local tem relativa autonomia em relação ao pleito nacional. Há uma história própria, digamos assim. Só que não tem como desconsiderar qualquer possibilidade de nacionalização.

E aí, caro leitor, como é possível ingressar no pleito do ano que vem, defendendo o presidente Jair Bolsonaro no RN, um estado eminentemente lulista?

Sim, vai rolar muita fake news, ou seja, o de sempre – a esquerda quer sexualizar crianças, implementar o comunismo e por aí vai. Só que Jair Bolsonaro não é mais novidade. Ele terá de falar a respeito de seus quatro anos. Os seus apoiadores também. E, não aposte contra para não perder, Bolsonaro continuará agitando e fazendo confusão, espantando o eleitor moderado e o investidor em geral.

As manifestações de hoje já deram a linha. Não se engane com carreata, uma forma de inflar movimento quando se tem pouca gente. Saindo do mundo de Tirol e Lagoa Nova, não sobra ninguém. Após quase um mês de organização, de vereadores, deputados, prefeitos e empresários da base bolsonarista, gastando e fazendo diversos chamamentos, eles não conseguiram encher a praça cívica.

É preciso começar a trabalhar com a possibilidade do bolsonarismo manter, após 2022, apenas um punhado de parlamentares “raízes”, estes os únicos beneficados pelas ações de hoje. É o que de fato se desenha para o ano que vem.

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