Consequência macabra já cantada em verso e prosa no RN

Não adianta tratar as possibilidades de atendimento hospitalar do Rio Grande do Norte e dos seus municípios diante de uma pandemia em termos de competência. Sim, os recursos devem ser bem administrados e os leitos expandidos. Mas há um dado insofismável. A capacidade que a covid-19 tem de infectar e adoecer as pessoas é muito maior do que os hospitais têm de absorver a demanda.

Não adianta culpar a governadora Fátima Bezerra ou o prefeito de Natal Alvaro Dias pela super lotação nos hospitais. Essa exploração política do cenário é inaceitável porque secundariza a realidade. Mais. É uma forma de não se responsabilizar pelas ações que produzimos.

(Os gestores podem e devem ser cobrados pela forma com que não endurecem as medidas de fechamento)

Sem o respeito ao isolamento, para controlar o ritmo de alastramento da pandemia em terras potiguares, o sistema irá colapsar. Trata-se de uma consequência macabra já cantada em verso e prosa. Não faltou aviso, batida de tambom, dança da chuva como formas de alerta. E aí, caros, não é possível agir como Irã, que deixou tudo correr solto por lá, e querer que o resultado seja de um cenário semelhante ao da Coreia do Sul ou da Alemanha.

Se não quisermos que as pessoas morram por falta de atendimento, temos de fazer aquilo que deu certo lá fora e tivemos o precioso tempo de observar. Do contrário, a vida de muita gente será ceifada.

ARGUMENTAÇÃO MAROTA

Quem carrega o debate para o âmbito do problema da “gestão” numa pandemia, que tem como característica esfacelar os sistemas hospitalares, talvez – estou pensando alto – queira eclipsar o fato de que, na outra ponta, trabalha a favor de uma abertura da sociedade sem a menor condição para tanto. É uma maneira de dizer: olha, é possível escancarar tudo, mas se faltarem leitos, a culpa não será daquilo que defendo.

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