Debate bolsonarizado no RN

No fundo, mas não de forma menos objetiva, a esfera pública potiguar é dominada pelo que já disse o presidente Jair Bolsonaro: “temos de enfrentar”.

No mesmo momento em que há mais gente na fila do que vagas disponíveis de UTI no Rio Grande do Norte, a pressão é pela abertura de tudo. Trata-se de uma situação desesperada compreensível, dada a crise econômica e a forma com que o governo federal, que é quem controla a grande maior parte dos recursos públicos e é o único ente como capacidade de endividamento, lava as mãos para o tema.

Porém, o debate carece de racionalidade. Faltam indicadores, discurso sobre o que é necessário para abrir ou não. Sobra apelo ao sentimentalismo da população e falsas questões. E um “detalhe” é sempre secundarizado – estamos em pandemia.

EDUCAÇÃO

Sabe-se que a abertura das escolas, para além do quinto ano, aumenta os casos e óbitos. A imprensa nacional vem fazendo uma divulgação fantástica dos estudos. Mas obviamente educação é fundamental. Quando é possível abrir? E com quais condições? Nada disso é enfrentado.

É notável que, de repente, pessoas que se especializaram em ataques às universidades e à educação, agora viraram defensores árduos de um retorno à normalidade na base do fechamento dos olhos para a questão da pandemia. E há carência completa de ponderação.

Recentemente, até o uso de crianças virou estratégia para pedir a abertura de todas as escolas. Sim, o “argumento” foi o de que um grupo de crianças de uma escola privada fizeram uma carta, pedindo o fim do ensino remoto. Iremos tomar como base isso?

TURISMO

Agora também entrou o debate – ou a falta dele – na chamada indústria do turismo. A crise é nacional. Quase 90% das viagens foram canceladas no país. Ora, estamos em pandemia e não há lazer e turismo numa situação como essa.

Mas o problema é, mais uma vez, tocado com apelos sentimentalistas, falsas comparações, carência de dados e parca racionalidade. Surgem elogios rasgados a situação da Paraíba, uma maneira de insular o ressentimento local e ataques, que geram a intenção de demonstrar que o RN é uma ilha de maldade diante da bonança nacional. E não é assim. João Pessoa, por exemplo, tem taxa hoje de ocupação inferior a de Natal. Como é que lá está esse paraíso?

Como construir um retorno da indústria em um ambiente de pandemia? Mais uma vez, quais os indicadores? Quais as condições?

O “tem de enfrentar” é autoritário e irresponsável, além de irracional. O debate dos envolvidos deveria colocar a bola no chão e começa o jogo de forma distinta. Se não, não sairemos dessa situação.

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