Está faltando jornalismo para explicar o que tornou possível o pagamento das folhas e das dividas com fornecedores no RN

Já se passaram mais de três anos do governo Fátima e não foi escrita uma única matéria técnica para explicar o que tornou possível o pagamento das folhas e de dividas com fornecedores deixadas pela gestão anterior. O vácuo é ótimo para o bolsonarismo que ocupa o espaço com a mentira de que ocorreu por envio de recursos pelo Governo Federal.

Ontem, em entrevista ao repórter 98, o pré-candidato Rogério Marinho disse que tudo aconteceu pela iniciativa de Bolsonaro que mandou verbas extras. Ora, simplesmente não é verdade.

Versões? Existem várias. Verdade? Só há uma. Há ótimos repórteres no RN. E apesar de construir esse espaço aqui, jamais foi nem será a intenção desse blogueiro fazer um trabalho que é de apuração jornalística. A base aqui é sempre factual, mas o ponto alto é opinião. O dado concreto é que o assunto segue boiando.

O bolsonarismo já repetiu tanto a mentira que alastra que, no vácuo do jornalismo, a versão ganha ar de plausibilidade. Alguns mais escrachados alegam que a governadora usou recursos da pandemia para pagar folhas. Ora, isto já foi desmentido pelo próprio tribunal de contas do RN.

Outros dizem que a ação tem como base a utilização das verbas do plano de manutenção da arrecadação dos estados aprovado pelo congresso. Trata-se de outra mentira. Além do Bolsonarismo tentar se apropriar de uma iniciativa em que o governo federal foi voto vencido, como o próprio nome já diz, isto não significou recursos extras. O que o congresso fez foi repor perdas históricas de arrecadação pela pandemia a partir da média de anos anteriores. Não chegou dinheiro a mais do que gestões anteriores receberam. O plano manteve a arrecadação em patamar semelhante.

Deixa eu apresentar a minha compreensão a respeito do tema. A base da mudança está em três acontecimentos que o jornalismo pode ir atrás de escrutinar em maiores detalhes – reformas feitas pelo governo Fátima (previdenciária, teto de gastos, proedi, etc), congelamento de salários durante a pandemia e inflação. A inflação obviamente gerou a elevação nominal da arrecadação mas também de custos de máquina. Só que o principal custo se manteve em parte congelado – salários. Com o saneamento da máquina, aumentos vem sendo concedidos sem que exista rico de atraso de folha.

Há, portanto, ações virtuosas do governo estadual e alteração do contexto específico econômico. O pré-candidato Rogério Marinho citou ontem, além da inverdade anterior já relatada, a elevação estadual da arrecadação. Mas citando um número de arrecadação numericamente maior (valor nominal), sem situá-lo do ponto de vista da atualização inflacionária, o argumento não ultrapassa a barreira de uma mentira com o uso de números.

Com uma inflação galopante de 12% ao ano, os produtos irão subir e a arrecadação irá apresentar um valor mais elevado. Só que esse valor mais elevado está deteriorado pela desvalorização do dinheiro. Por exemplo, 13 bilhões de arrecadação hoje valem menos do que 10 bilhões arrecadados há quatro anos atrás pelo governo anterior. Sem a atualização inflacionária, o argumento da oposição é pura e simplesmente falacioso.

A verdade sobre os fatos está aí. Bem que ela poderia ser exposta. Doa a quem doer. O eleitor do RN merece saber.

MAIS VERBAS PARA OBRAS?

Outro dado falacioso distribuído pelo bolsonarismo é o de que o RN se transformou num canteiro de obras com o presidente. Bem que os governos federais atual e anteriores poderiam ser também objetivamente comparados. Os dados estão disponíveis.

Palpite – o investimento em infraestrutura caiu no Brasil durante a gestão Bolsonaro. Ampla matéria da Folha de SP não deixa margem para dúvida. E o RN não é uma ilha.

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